Capítulo 12
Não conversaram muito, ela encontrou o Thomás como o combinado, ele já chegou beijando ela na boca, disse que havia mudado de ideia e que ia comprar algo, pra não precisar perder tempo na cozinha, ao chegar no prédio ela disse que ia passar falar com o pai, o Thomás a convenceu não ir porque ela ia ficar presa lá, foram direto pra casa dele, a avó tinha ido viajar, ele só contou quando já estavam lá, comentou que ela era neurótica com limpeza e que tinha feito faxina na noite anterior até de madrugada, foram para o quarto ele disse que ia tomar banho, ligou a televisão falou pra ela ficar à vontade, ela ficou olhando as coisas xeretando por cima, realmente estava tudo impecável só a cama desarrumada, ela derrubou uma bolinha no chão e quando se abaixou pra pegar achou uma calcinha enrolada saindo de baixo da cama, do tipo de quem tirou às pressas para t*****r, um pouco sem reação ela pegou e colocou embaixo do travesseiro, de propósito, quando ele foi para o quarto só de toalha, ela estava sentada na cama, pediu um beijo, ele se aproximou e deu, ela quis beijar mais pra provocar ele, na mesma hora ele foi indo pra cima deitando ela, todo mau intencionado, com jeitinho ela puxou o travesseiro e deixou a calcinha à mostra, pra ver a reação dele, ele tentou tirar jogar no chão, ela fez ele perceber que ela estava vendo e falou se afastando dele
— Que isso?!
Ele disse que não era nada, ela respondeu sentando:
— De quem é essa calcinha? Não mente pra mim!
Ele disse que devia ser da Rafaela, que tinham várias coisas dela lá ainda, ela ficou séria se afastou mais ainda, ele confessou que esteve com ela uma única vez, a Kaori respondeu chateada:
— Eu sou algum tipo de jogo pra você? Porque você tá fazendo isso?
Ele se desculpou disse que foi uma vez só, uma recaída à toa, ela levantou e falou confrontando ele:
— Sua avó limpou tudo ontem, não foi?! Ela não arrumou a cama também?
Ele respondeu chateado:
— Ela dormiu comigo, passou a noite aqui, me desculpa eu devia ter te contado assim que te vi, é que queria fazer tudo dar certo pra gente e ela tá indo embora, já acabamos pra valer é sério, eu quero ficar com você, a gente só tá se conhecendo ainda, indo com calma como você pediu.
Ela disse chorando que precisava de um tempo pra pensar, ele disse que ia respeitar pediu desculpas várias vezes, ela foi para a casa do pai, ele estava lá com a Joyce assistindo na sala fazendo carinho na barriga, falou surpreso:
— Olha só quem veio ficar com a gente, tudo bem filha? Você não avisou que viria, faz dias que não te vejo.
Ela respondeu parada atrás do sofá:
— Tudo e vocês? Eu tava na rua só vim ficar um pouco, me dá dinheiro pra pedir um Uber?
Ele disse que sim, a Joyce perguntou se ela já tinha jantado, se ofereceu pra esquentar a comida, ela disse que ia comer qualquer coisa, foi na cozinha abriu a geladeira viu um danone grego light que era da Joyce, gritou da cozinha:
— Posso pegar seu danone? Só tem um!
Ela disse que sim, Kaori comeu rápido voltou pra sala pedindo o dinheiro dizendo que o Uber já estava chegando, Juliano foi pegar no quarto, a Joyce falou baixinho:
— Tá tudo bem? Você tá meio sei lá.
Ela disse que outra hora contava, agradeceu o Juliano, se despediram com um abraço, ela alisou a barriga da Joyce e perguntou se ela já sabia o que era o bebê, ela respondeu surpresa:
— Juliano, me ajuda aqui por favor! A Kaori está perguntando se já sabemos o que é o bebê.
Ele se aproximou sem saber o que falar, mexendo no celular a Kaori falou séria:
— É tão difícil você falar que eu esqueci? Tô brincando, eu não resisti, desculpa!
Eles começaram a rir aliviados, Kaori falou saindo correndo porque o Uber estava esperando:
— Mas talvez eu tenha espiado o resultado antes de dar pra boleira, mas pode ser que eu esqueça. Quem sabe?!?!
A Joyce gritou:
— Tomara que você esqueça e sofra junto comigo até o chá.
O Juliano disse todo feliz que aquela sim parecia a filha dele, de antes da rebeldia, que brincava com todos, era alegre, educada sempre. A Joyce comentou que tinham males que vinham para o bem, super elogiou a Kaori por tudo que andavam fazendo juntas, disse que estava admirada com a mudança de comportamento, ele contou que depois dos 15 anos ela começou a se revoltar querendo ser dona de si, dando um pouco de trabalho indo pra noitadas sem fim, e depois o casamento ficou mau, afetando os filhos.
Kaori foi pra casa de Uber, o Thomás mandou mensagem falando que aquilo não ia se repetir, pediu pra ela não se afastar pra continuarem conversando, ela disse que não tinha espaço pra drama na vida dela, que ele teria que se decidir e ver o que realmente queria, porque não era legal aquele tipo de comportamento com elas duas.
Ela já não tinha tomado os remédios da noite porque davam sono, queria ficar alerta curtindo a noite com o Thomás. A falta de medicação com o estresse resultou em enxaqueca com enjoo forte. Quando chegou em casa já desceu do carro vomitando. Ficar sem comer era um dos motivos dela passar m*l. Quando ela foi pegar as chaves não encontrou, pois deixava as chaves das duas casas no mesmo chaveiro e quando entrou no Juliano as deixou jogadas por lá.
Ela começou a chorar de raiva se sentindo m*l, sentou na calçada de cabeça baixa, decidiu esperar a Lisa chegar. Com muita vontade de vomitar e a dor a deixando atordoada, resolveu pedir ajuda, mandou uma mensagem para o Rui perguntando o que ele estava fazendo. Ele não respondeu mas visualizou. Ela foi até a casa dele e chamou, mesmo se ele não estivesse ela poderia pedir pra ir no banheiro. Ele saiu atender surpreso, ela falou:
— Te mandei mensagem mas você não respondeu, não vou tomar seu tempo.
Ele disse que estava acompanhado, perguntou se estava tudo bem e foi abrindo o portão chegando mais perto. Ela respondeu quase chorando:
— Eu esqueci as chaves no meu pai e tô trancada pra fora de casa. Eu não tô me sentindo bem, posso usar seu banheiro rapidinho?
Ele se aproximou e falou colocando a mão no braço dela:
— Claro, pode sim. O que você tá sentindo? Fica calma!
Ela começou a chorar, disse que estava com enxaqueca forte e enjoo, ele ficou meio perdido sem reação, abraçou ela e falou:
— Fica calma, respira fundo. Vem, vamos entrar. Você quer que eu chame alguém?
Ela disse que não, pediu pra ele se afastar porque queria vomitar. Entraram na sala, não tinha ninguém, estava tudo apagado. Ela foi direto para o banheiro vomitar, ele ficou atrás da porta, perguntou duas vezes se ela queria ajuda. Ela lavou o rosto, molhou a nuca e saiu, agradeceu ele, disse que ia esperar a Lisa na rua. Ele falou:
— Fica aqui, só tá eu e o Be, ele deve ter visualizado sua mensagem. Vem aqui sentar, vou pegar água, você tá pálida!
Ele a levou para o quarto, o menino estava deitado jogando no celular. Ela sentou no pé da mesma cama, o Rui se abaixou na frente dela e perguntou o que podia fazer pra ela se sentir melhor. Ela respondeu:
— Não tomei meus remédios hoje, eu saí achando que não ia precisar. Tá doendo muito!
Ele disse que ia procurar um remédio nas coisas da Ivone, saiu do quarto deixando ela chorando. O menino largou o celular, se aproximou e falou passando a mão nas costas dela:
— Não chora, meu pai vai cuidar de você, tá bom? O remedinho vai sarar você bem rápido.
Ele ficou pertinho dela fazendo carinho, com toda aquela inocência de criança.
Rui voltou, deu um remédio de dor e um pra enjoo pra ela, pediu para o Bernardo ir assistir no quarto da Daia, colocou desenho, voltou para o quarto, Kaori ainda estava do mesmo jeito, sentada de cabeça baixa. Ele tirou os tênis dela, ajudou ela a se deitar e disse que ia deixar ela no escuro sozinha até a Lisa chegar.
Ela falou:
— Muito obrigada, Rui, você tá sendo muito legal comigo e eu sei que nem mereço tudo isso. Obrigada mesmo!
Ele respondeu parado na porta:
— Imagina, eu tenho dois irmãos mais novos, cuido deles a vida toda. Vou mandar recado pra sua mãe, tá? Tenta dormir, fica quietinha que logo melhora.
Ele fechou a porta, deixou ela deitada na cama dele.
Ela dormiu e acordou com a Lisa sentada na cama e o Bernardo ao lado falando...