Capítulo 76
Se despediram, ela concordou com ele. Ela entrou para fazer almoço. A Bibi estava mexendo muito no celular, digitando bastante. As duas não estavam 100% na paz, elas brigavam e depois ficavam frias, se tolerando pela Maria. Em relação a cuidar da bebê, a Bibi estava um pouco melhor, ela nem precisava fazer muita coisa porque a Kaori sempre tomava a frente dela.
A Kaori perguntou com quem ela tanto conversava. Assustada, a Bibi disse que não era nada. À noite, a Bibi disse que precisava sair um pouco sozinha, perguntou se a Kaori podia ficar com a Maria. Ela estava toda estranha, tensa. A Kaori disse que sim e perguntou se ela não queria conversar. Ela respondeu, pegando a bolsa:
— Não, eu só preciso de um ar. Obrigada por tudo, sem você nós nem estaríamos aqui hoje. Eu vou ficar boa e não ser mais um fardo pra você.
Elas se abraçaram. A Kaori ficou intrigada com aquilo. A Bibi ficou mais de duas horas fora, voltou com os olhos vermelhos, inchados, cara de quem chorou muito. Ela foi tomar banho e deitou na sala sem falar nada, pegou a Maria e ficou cuidando.
Naquela semana, a Kaori já ia começar a trabalhar no restaurante. Na terça-feira, a Lisa voltou pra casa à tarde, ela estava tirando alguns dias de folga. O Hugo foi pra cidade dele. A Kaori não saía de casa pra nada. A Daia estava chamando ela pra ir almoçar lá na casa dela, mas era longe e complicado sair com a Maria. A Bibi parecia ter medo das pessoas verem a bebê, ela não postava fotos e nem deixava ninguém postar.
Marcaram de jantar na casa da Ivone, só mulheres, na quarta-feira à noite. A Daia foi pra lá à tarde, o salão dela continuou na casa da Ivone. Ela tinha uma cliente agendada e pediu para a Kaori ir lá ajudar com o Pedro. A Bibi preferiu ficar em casa.
A tarde toda a Kaori ficou lá babando no afilhado. Ela foi embora antes das 17:00 pra ajudar no banho da Maria. Ela voltou de banho tomado, cabelo lavado, com a Maria junto no carrinho. A Kaori queria cortar o cabelo. A Daia estava falando do Gustavo, eles estavam se desentendendo muito. Ela estava com medo de tudo piorar, o Pedro tomava todo o tempo dela e ele estava reclamando das mudanças no relacionamento. A Kaori aconselhou ela a inovar, tirar um tempo pra relembrar o namoro deles.
A Ivone chegou depois das 18:00, a Lisa também logo em seguida. O Maicon chegou, saiu lá nos fundos, sentou perto do Pedro, ficou mexendo com ele. A Kaori perguntou que horas o Rui chegava. O Maicon respondeu, sério:
— Umas 11:30. Tá com saudades?
Ela revirou os olhos e falou que não. Ele deu risada, falou que queria mostrar uma coisa pra ela. Ela sabia que era sobre a Tati, só balançou a cabeça que sim, mas nem perguntou nada.
A Daia começou a falar que o Rui ia para a faculdade direto do trabalho, comentou que ele estava exausto porque chegava tarde e levantava cedo. Ela perguntou se ele tinha voltado com a Renata. A Daia respondeu:
— Não, pelo jeito nem vai. Ele não tem paciência pra namorar, sabe? Eu não sei por que ele tenta! Ela excluiu todo mundo de casa, tá p da vida com a gente porque ninguém ficou bajulando ela.
A Ivone estava cozinhando, conversando com a Lisa, que agora era cunhada dela. Depois, a Kaori foi conversar com o Maicon no quarto dele enquanto trocava a Maria. Ele mostrou alguns textos que mandou pra Tati. A Kaori falou, séria:
— Você não tá fazendo o que falou, ela vai achar que você quer ficar com ela. Isso é uma p**a declaração!
Ele disse que queria mesmo, que só estava esperando ela deixar pra ele contar pra todo mundo. Surpresa, a Kaori falou que torcia pela Tati, por ele não muito. Ele respondeu rindo que tinha uma coisa pra contar, mas que ia guardar pra ele, porque ela não era da torcida dele.
Super curiosa, ela perguntou o que era. Ele enrolou um pouco, falou que o Rui tinha perguntado dela, do namorado. Ela respondeu, irônica:
— Aí, aí, mais um palhaço como você. Ele foi seu professor, né? Não?!
Ele disse que não, porque ele era muito mais ligeiro que o Rui. Os dois conversaram mais um pouco.
Elas foram embora antes das 22:00. No dia seguinte, a Kaori começou a trabalhar, a Lisa estava indo também. Foram o dia inteiro. Ela ia entrar como caixa e ajudar o novo gerente. Os primeiros dias são sempre os piores, mais cansativos.
Na sexta-feira, a Kaori já falou para o William que queria que ele fosse pra lá no sábado. Ele reclamou porque ela só ia sair do trabalho à noite, ele achou melhor não ir.
Na semana seguinte, ela trocou alguns horários pra conseguir sair do trabalho no sábado depois do almoço e folgar no domingo. Ela foi pra casa dele de ônibus. Chegando lá, eles se abraçaram. Ele disse que tinha uma surpresa, mandou ela fechar os olhos e deu uma aliança pra ela.
À noite, foram a um aniversário de um primo dele. Ele estava todo animado com ela lá. A família dele era mais tranquila, quase não conversavam com ela. Antes de dormir, ele já perguntou como ia ser na próxima semana. Ela respondeu:
— Não sei, mas vamos aproveitar esse fim de semana. Você pensa demais em tudo, eu prefiro viver mais e pensar menos. Tô com saudades!
Ele foi um pouco grosso, falando que ia ser difícil se encontrar a cada duas semanas ou uma vez no mês. Ela, com jeitinho, foi agradando ele, falando que tinham mais de 12 horas pra namorar até dizer chega. Ele estava inseguro por causa da distância e demonstrando da maneira errada.
Os dois aproveitaram ao máximo o fim de semana. Eles conversavam por ligação sempre à noite pra falar como foi o dia, já que os horários eram ruins para trocarem mensagens.