Capítulo 149
Ele disse que não tinha problema, que iria cedo buscar Bernardo e que os dois poderiam aproveitar o próximo fim de semana sozinhos. Começaram a se beijar no quintal até Daia fazer um comentário brincando sobre precisar jogar água nos dois para separar. Kaori falou baixinho, só para Rui ouvir, que ia ser difícil separar os dois quando pudessem ficar juntos de verdade, porque já estavam há semanas sem ir para a cama.
Todos se despediram e ficaram só Lisa, Hugo, Miyuki e Kaori. Os dois foram para o quarto e ficaram conversando por mais de uma hora. Miyuki estava cada vez mais mudado, mais maduro e demonstrando muito mais empatia pela família. Falou que estava feliz por ver Kaori namorando alguém legal e contou que Juliano só sabia falar maravilhas de Rui.
Kaori respondeu:
— Sabe que nem eu acredito que tá tudo dando tão certo? Fora o que tá acontecendo com a Bibi, né? Ela não quer vir amanhã, disse que vão ficar comentando dela. Tenta falar com ela, por favor, diz que você vai fazer companhia. Ela não está bem!
Miyuki disse que ia tentar. Os dois começaram a fofocar sobre Joyce e o estado depressivo dela. Ele comentou que Juliano tinha certeza de que Kaori acabaria aceitando cuidar de Victor. Na hora ela quis saber o que ele tinha falado e se tinha ficado chateado.
Miyuki respondeu:
— Ah, ele entendeu seu lado, sabe? É muita responsabilidade e criança dá trabalho. Ele só tem medo de não dar certo a escola e, se a Ju piorar, com certeza vai largar o pai. Como o mundo dá voltas, né? Ela que ameaçava ir embora e agora ele fica atrás, fazendo de tudo pra ela não ir.
Kaori falou chateada:
— É, mas ele merece. Tenho dó dela, dele não. Eu queria muito aceitar, essa semana fui ficar lá e dá até uma energia diferente, sabe? Ele tá tão lindo e esperto, sabe colocar vídeos no celular, aprendeu umas brincadeiras novas comigo... é tudo muito gostoso. Logo vão ser dois. Você perdeu seu posto de caçula, soldado.
Os dois começaram a rir. Miyuki falou que seria bom porque os pais iam dar mais espaço para ele ficar de boa, que Kaori era a ovelha n***a, os caçulas eram os protegidos e ele era o esquecido, o filho do meio que m*l aparecia no Natal.
Kaori cobrou mais visitas dele, e ele respondeu que só queria descansar nas folgas, que estava difícil conciliar estudos, exercícios e tudo mais. Eles estavam deitados na cama, Kaori com a cabeça na cabeceira e ele com a cabeça nos pés da cama, quando ela percebeu algo estranho no jeito dele.
Ela se levantou um pouco e perguntou surpresa:
— O que foi? Não tá tudo bem lá? Eu te conheço, pode ir abrindo o jogo.
Ele desconversou, disse que não era nada, que só estava difícil mesmo, mas que não desistiria dos sonhos dele. Kaori achou aquilo estranho, sentiu que ele escondia alguma coisa, mas ele não quis falar mais nada. Os dois logo foram dormir.
No sábado de manhã, Hugo acordou os dois e sugeriu que fizessem um café da manhã especial para Lisa. Os três juntos prepararam tudo e foram servir ela na cama. Acordaram ela com beijos e abraços, e Lisa abriu os olhos sorrindo, dizendo que aquilo só podia ser um sonho.
Hugo saiu para pegar as chaves da casa de festas e os três ficaram deitados juntos mais um pouco. Lisa até postou uma foto exaltando os filhos e dizendo que o amor de mãe só se multiplicava. Falou que o bebê seria muito amado pela família, sendo menina ou menino, e comentou o quanto estava ansiosa contando os minutos para a grande revelação.
A manhã foi super corrida. Todos estavam levando as coisas para o local da festa, arrumando tudo e organizando cada detalhe. Na hora do almoço, Kaori resolveu ir até a casa dos pais de Bibi de surpresa.
Quando chegou lá, foi recebida pelo pai dela. Ele foi educado, mas ficou surpreso. Disse que Bianca não estava ficando lá. Kaori disfarçou dizendo que estava passando por perto e por isso decidiu aparecer.
Quando perguntou sobre a saúde dele, ele disse que estava bem, pronto para outra, e começou a contar detalhes do período em que ficou internado. Para a surpresa de Kaori, ele falou que tinha passado muitas semanas no hospital.
Com cuidado, Kaori perguntou se Bibi tinha ido ficar com ele em algum momento. Ele respondeu quase chorando:
— Não... eu não tô conseguindo ver elas. Mesmo com essa tragédia, eu queria minha neta aqui com a gente. A Bianca não consegue se entender com a mãe dela, eu fico no meio... é muito difícil. Quero ajudar, mas eu não reconheço mais a minha filha.
Kaori ficou ali dando um pouco de atenção para ele enquanto esperava o Uber. E foi ali que teve certeza absoluta de que Bibi estava mentindo naquela noite em que deixou Maria com ela para sair.
Assim que foi embora, ligou para Bibi e perguntou onde ela estava. Bibi respondeu que estava na casa de Breno, porque a família dele ainda não tinha se mudado. Kaori resolveu ir até lá de surpresa para confirmar.
Quando chegou, foi recebida por Giovana, toda descabelada, brincando no quintal com barro e panelinhas. A menina se aproximou do portão e falou com pouco caso:
— O portão tá trancado, não sei onde tá a chave pra abrir pra você. Meu tio morreu, sabia? Agora ele cuida da gente lá do céu. De noite dá pra ver a estrela. Ele é uma estrela agora!
Kaori respondeu chateada:
— Eu sei... sinto muito. Cadê a tia Bibi? Ela tá aí?
Giovana respondeu afrontosa:
— Está, né. Ela mora aqui. Vou lá chamar ela! Fica aí, tá?
A menina entrou sem a menor pressa. Pouco depois Bibi apareceu com cara de abatida. Gritou com Giovana para ela ir brincar nos fundos. A menina saiu juntando as panelinhas e retrucando que não queria brincar lá atrás, porque na frente era muito melhor.
Bibi se aproximou e falou:
— Oi, amiga. Por que não avisou que ia vir aqui? Não quero as crianças aqui na frente perto da rua!
Kaori respondeu que tinha ido buscar elas. Bibi, enquanto juntava alguns brinquedos na sala, respondeu:
— Não vou conseguir ir. Sua mãe vai entender, eu tenho certeza. Não tô com cabeça pra festa e tô com as crianças sozinha hoje. Elas só voltam à noite, foram ver a casa na outra cidade.