Capítulo 189

1307 Words
Capítulo 147 Kaori ficou lá ao lado da amiga a noite toda. Foi extremamente triste tudo aquilo. Muitos amigos dele passaram por lá e ficaram por horas, e Enzo chegou bem cedo, permanecendo o tempo todo amparando Bibi. Os dois estavam um pouco distantes desde que ele começou a namorar, mas naquele momento isso não importava. Bibi lamentou a noite toda, se culpando muito. Na hora da despedida, pediu perdão várias vezes, dizendo que Breno era o amor da vida dela. A sogra a abraçou e falou que não era culpa dela, que ela só tinha feito bem ao Breno e que ele tinha mudado muito depois que conheceu ela. A família dele ia se mudar naquela mesma semana para outro estado, bem longe. Bibi estava pensando em voltar para a casa dos pais, porque agora mais do que nunca precisaria de ajuda. Ninguém queria continuar morando naquele bairro, convivendo tão perto dos assassinos e carregando aquele medo todos os dias. Depois do enterro, Enzo foi levar Bibi e Kaori. Quando chegaram, as crianças estavam tomando café da manhã. Bibi tentou segurar o choro na frente deles, pegou Maria Cecília no colo e ficou abraçada com ela por um bom tempo. Kaori disse que eles podiam ficar mais, se fosse preciso, mas Bibi respondeu que precisava ajudar com a mudança, porque tinham muita coisa para organizar em pouco tempo. Ela só esperou as crianças terminarem de comer para irem embora. Agradeceu muito Lisa, Hugo e Kaori por tudo o que fizeram, e as crianças até abraçaram os dois antes de saírem. Depois foram embora, deixando a casa em silêncio outra vez. Kaori tomou banho e estava exausta, tinha passado duas noites sem dormir direito. Já era quase hora do almoço quando ela decidiu ir até a casa de Rui sem avisar. Entrou como de costume, e Maicon estava na sala com Tati. Cumprimentou os dois e perguntou por Rui. Ele estava dormindo, porque tinha ficado acordado até tarde. Kaori entrou no quarto na ponta dos pés, mas acabou acordando ele quando se deitou ao lado. Rui abriu os olhos surpreso e perguntou se estava tudo bem, olhando o relógio sem entender que horas eram. — Vai dar onze horas. Eu não quero mais ficar brigada com você. Foi horrível ver a Bibi se despedindo do Breno... eu nem gosto de imaginar o que seria de mim se algo assim acontecesse com você. Eles se abraçaram e Kaori começou a chorar sentida. Rui falou que também não gostava nem de lembrar do que sentiu no acidente, do medo que teve de perder ela. Pediu para ela não chorar, disse que estava ali e que os dois iam voltar a ser como antes. Ela o beijou primeiro, selando as pazes de vez. Ficaram trocando carinho até Tati bater na porta chamando os dois para almoçar. Durante o almoço, Kaori contou como tinha sido o velório e o enterro. O clima ficou pesado por alguns minutos, mas todos ouviram em silêncio. Depois de comer, os dois foram deitar. Dormiram a tarde inteira abraçados, como se quisessem recuperar o tempo em que ficaram afastados. À noite foram para a casa dela, e Rui já foi preparado para dormir lá. Na segunda-feira Kaori voltou a trabalhar. Bibi não iria mais, e a falta dela no restaurante estava sendo sentida por todos. O comportamento de Kaori com Rui mudou completamente, voltou a ser como antes, até mais carinhosa, mais presente e sempre muito recíproca. Bibi mandou mensagem dizendo que os pais dela conheceram Maria e que tudo tinha sido tranquilo, mas confessou que Maria chorou bastante. Também contou que iria se mudar naquela semana, mas que estava insegura em relação aos pais e disse que ainda não confiava totalmente neles. Quando Kaori saiu do restaurante, viu uma mensagem de Joyce dizendo que estava no hospital com Victor. Ele estava gripado, com febre alta, algo que nunca tinha acontecido antes. Kaori ficou desesperada, mas Juliano parecia tranquilo, dizendo que aquilo era normal para a idade dele e que provavelmente era por causa da escolinha. No dia seguinte Joyce não quis mandar Victor para a escola. Kaori passou lá à noite sem avisar, porque Joyce não atendeu suas ligações. Juliano abriu a porta e disse que não estava esperando visita. Ela respondeu que só tinha ido ver o irmão. — Ele só tá gripado, filha. Isso é normal. Eu falei pra Joyce que não é pra tanto. Os dois entraram conversando. Kaori disse que ia dormir lá aquela noite. Juliano perguntou se era só por causa de Victor que ela tinha ido, e ela abraçou ele antes de responder: — Não, pai. É que minha mãe tá em casa direto desde semana passada e eu preciso de um pouco de tranquilidade. Ele perguntou como estava a relação entre ela e Lisa, e Kaori disse que estava ótima, sem brigas, só que Lisa estava obcecada pelo chá de bebê e falava o tempo todo daquilo e da gravidez. Juliano riu e disse que ela podia ficar o tempo que quisesse. Quando chegaram no banheiro, Joyce estava dando banho em Victor, que chorava sem parar. Juliano ofereceu ajuda, mas ela recusou. — Não precisa, eu já vou tirar ele. Se a febre não baixar, vou levar na emergência. Oi, Kaori, tudo bem? As duas começaram a conversar e Joyce contou que tinham furado a mãozinha dele duas vezes no hospital. Ela se sentia uma péssima mãe, achando que aquilo só estava acontecendo porque ela tinha voltado a trabalhar. Juliano disse que aquilo ia passar e que o primeiro mês era mesmo difícil, mas Joyce respondeu irritada: — E eu vou deixar ele assim até o segundo mês? Prefiro ficar em casa. Ele não tá comendo, nem mamar quer. Juliano se irritou achando que ela estava exagerando, e Joyce ficou ainda mais brava com a postura dele. Ele saiu e foi para a sala. Kaori ficou ali ajudando os dois, trocou Victor e cuidou dele enquanto Joyce colocava roupas para lavar. Victor tomou metade de uma mamadeira deitado no sofá com Kaori, mas logo vomitou tudo. Ela tirou a roupa dele e foi até a lavanderia falar com Joyce e pedir para lavar a roupa dela também, porque tinha sujado. Quando entrou, viu Joyce chorando escondida no canto. Meio sem jeito, Kaori se aproximou. — Ele vomitou a mamadeira... dá pra colocar minha roupa pra lavar? Joyce limpou as lágrimas e disse que sim. Falou que ia se trocar para levar ele para a emergência. Kaori tentou acalmar ela. — Fica calma, vai dar tudo certo. Você tá bem? Tá tomando os remédios ainda? Joyce respondeu que estava, mas que não pareciam estar funcionando. Disse que se sentia muito m*l, frustrada o tempo todo, e até pensando em coisas ruins. Kaori perguntou se era sobre se machucar e ela confirmou, mas disse que não faria nada por causa de Victor, porque ele precisava dela. Ela saiu da lavanderia, passou pela sala, pegou Victor do colo de Juliano e nem olhou para ele. Estava muito brava e preocupada. Ele foi atrás perguntando se ela ia mesmo para a emergência. — Lógico que sim. Ele não tá conseguindo mamar. Mais um atestado na minha primeira semana... eu devia ter ficado quieta em casa. Vou chamar a minha mãe pra vir me ajudar! Juliano disse que não precisava, que podia fazer home office no dia seguinte e ficar com Victor. Os dois se trocaram e saíram para o hospital. Kaori tomou banho e foi deitar. Por mensagem contou tudo para Rui, e ele comentou que Bernardo quase nunca ficava doente. Depois falou sobre o plano de saúde que Bernardo usava. Kaori perguntou se ele viria no fim de semana, e Rui disse que sim, que Lisa tinha convidado até Lidiane para o chá de bebê, mas que provavelmente ela não iria.
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