Capítulo 148
Os dois conversaram mais um pouco, até Kaori acabar dormindo primeiro. Rui ainda não tinha voltado a trabalhar e ficou acordado por mais tempo, enquanto ela precisava levantar cedo no dia seguinte.
De madrugada, Juliano mandou mensagem avisando que iam ficar mais um pouco no hospital porque Victor precisaria tomar medicação na veia. Eles só chegaram muito tarde em casa e ainda ficaram acordados cuidando e vigiando o bebê, preocupados com qualquer mudança no estado dele.
De manhã Kaori levantou cedo e encontrou Juliano na cozinha arrumando a mesa do café. Ele comentou que ficaria em casa com Victor para Joyce poder ir trabalhar, já que ela tinha uma reunião importante naquele dia. Kaori foi até o quarto e encontrou Joyce se arrumando, escolhendo um sapato para usar.
Joyce perguntou se Kaori queria carona, e ela disse que sim. As duas tomaram café rapidamente antes de sair. Antes de ir, Joyce ficou repassando uma lista enorme de recomendações para Juliano, e ele, parado na porta, deu um beijo nela e falou que sabia de tudo aquilo, que não era porque estava fora todos os dias que não saberia cuidar do Victor.
Joyce respondeu chateada:
— Promete que me avisa se ele acordar m*l? Juliano, eu preciso confiar em você pra conseguir me concentrar no meu trabalho! Se eu for com a cabeça toda aqui vai ser r**m, vou me prejudicar.
Ele respondeu que mandaria notícias e fotos a cada meia hora. Depois falou que amava ela e que estava ali para dar todo o suporte necessário para a “super mamãe”. Joyce sorriu, abraçou ele e respondeu:
— Obrigada, papai. Amo você.
Kaori ficou parada olhando os dois, admirando aquela cena. Percebeu que fazia muito tempo que Juliano não era daquele jeito com Lisa. Pela primeira vez conseguiu distinguir claramente que a diferença entre os dois relacionamentos era realmente o amor, o querer estar junto. Juliano e Lisa já estavam juntos havia tempo demais sem aquele sentimento vivo.
As duas saíram correndo porque Joyce já estava atrasada. No caminho, ela foi se maquiando enquanto dirigia, reclamando que queria ter arrumado melhor o cabelo, que fazia meses que precisava retocar as luzes e nunca conseguia.
Kaori respondeu:
— Sério? Seu cabelo tá lindo. Minha cunhada é cabeleireira, a gente pode levar as crianças. Posso ver um dia que eu esteja de folga pra ajudar, lá sempre tem alguém pra dar uma mão.
Joyce riu e disse que não aguentava a doçura de Kaori. As duas começaram a rir juntas, e Joyce falou animada que aceitava porque estava precisando urgente dar um up na autoestima. Kaori prometeu falar com Daia.
Quando Kaori foi descer do carro, Joyce falou:
— Obrigada por ter ido pra casa ontem. Vamos fazer alguma coisa legal quando seu irmão melhorar, tá bom? Combina com o Rui quando o Bernardo estiver com vocês. Eu tô atrasadinha, tchau!
Quando Kaori chegou ao restaurante, começou a conversar com Ivone. As duas falavam sobre Pedro e o fato de ele não ir para a escolinha, justamente porque Daia conseguia conciliar trabalho e maternidade.
Kaori respondeu pensativa:
— É muito difícil, né? Ser mãe. O Rui tem razão, a gente não pode nem pensar nisso agora. Como eu vou estudar e trabalhar com um bebê, sogra? Ninguém vai me ajudar, todos que poderiam já têm um bebê pra cuidar. Eu que sou a babá oficial de todo mundo.
As duas começaram a rir, e Ivone concordou dizendo que depois que Rui se formasse a situação ia melhorar bastante. Foi então que contou que ele tinha desistido de trancar a faculdade outra vez por causa de Kaori, pelo incentivo e pelo companheirismo dela.
Kaori ficou super feliz ao saber disso. Ela realmente acreditava que ele ainda ia acabar trancando a faculdade.
Nos dias seguintes, Kaori optou por ficar mais na casa de Juliano. Ele não fazia distinção nenhuma entre ela e Victor, e Joyce até sobrava às vezes, porque os três viviam grudados juntos. Rui estava ficando sozinho estudando em casa, então não se incomodou com alguns dias longe dela.
Kaori até brincou dizendo que seria bom ter uns dias de folga. Aos poucos os dois estavam entrando nos eixos de novo, conversando melhor sobre tudo, inclusive sobre o que tinham passado.
Vendo Victor faltar na escola e melhorar muito bem em casa com Juliano, Kaori começou a ficar balançada com a oportunidade de ser babá dele. Poderia estudar, sair em horários variados e ainda ter uma liberdade que outros empregos jamais dariam. Além disso, estaria ajudando a própria família.
Ela pensou muito sobre isso, mas não comentou nada com ninguém ainda. Ainda existia a questão do aluguel, e se Lisa não ficasse mais por perto, seria ainda mais difícil manter a casa sozinha.
Na sexta-feira, Ivone e Kaori saíram do restaurante e foram para a casa de Lisa terminar de organizar as coisas do chá. Daia estava lá com Tati, enquanto os homens da família estavam na casa de Ivone bebendo e jogando.
Já era quase meia-noite quando Rui mandou mensagem perguntando se ela queria ir dormir com ele. Kaori respondeu que preferia dormir em casa. O que ela não sabia era que Miyuki estava lá, porque era para ele chegar só no sábado, mas apareceu de surpresa na sexta-feira.
Já passava da meia-noite quando todos foram juntos para a casa de Lisa: Miyuki, Rui, Hugo e Gustavo.
Assim que Kaori viu o irmão entrando, levantou na mesma hora e falou animada:
— Não acredito que você já chegou e nem me falaram nada! Que saudades de você.
Os dois se abraçaram forte. Ela ficou dando atenção para ele, conversando rapidinho, matando um pouco da saudade, e logo depois foi beijar e abraçar Rui também.
Os dois m*l conseguiram conversar direito porque Daia já estava de saída e todos começaram a ir para a calçada. Rui falou que ia deixar ela curtir o irmão por um tempo, e Kaori respondeu abraçada nele:
— Tudo bem mesmo? Eu tô com saudades de vocês dois, mas ele quase não vem.