Capítulo 52

852 Words
Capítulo 10 Vendo os dois falando com o menino, Kaori entendeu: eram os pais da criança. Tudo fez sentido, Rui havia voltado com a ex. Ela saiu da cozinha e foi até Lisa. — Quero ir pra casa. Tô me sentindo m*l, com sono — disse. — As festas deles vão até de manhã! — respondeu Lisa. — Comeu alguma coisa? Quer que eu pegue algo? Rui se aproximou, mandando o menino agradecer: — Agradece à tia pela ajuda, filho. O menino abraçou Kaori, agradeceu e saiu correndo. — Ele é lindo. Tem seus olhos — comentou ela. Rui sorriu: — O Be também tem o charme do pai. Lisa brincou: — Dá pra acreditar que ela já quer ir pra casa? Quando era pra chegar cedo, me deixava de cabelo em pé madrugando na rua. Agora vive com essa mania de dormir cedo! Rui perguntou: — Você acabou de chegar. Por que quer ir embora? Não tá se sentindo bem? Kaori, irritada com a mãe, respondeu: — Não consigo ficar muito tempo fora de casa. Esse som tá me dando dor de cabeça, e a dor de cabeça tá me deixando enjoada. Eu disse que era melhor não vir! — Eu te levo, então — disse Rui. — Assim sua mãe fica na festa. — Sozinha não, de jeito nenhum — respondeu Lisa. — Eu levo tranquilo, rapidinho — insistiu ele. — Só nós dois?! — perguntou Kaori. — Sim — respondeu ele. — Então deixa, eu fico — respondeu seca. Ele se inclinou e falou baixo, só pra ela ouvir: — Você não quer ir porque sou eu que vou te levar? — Sim. Não quero incomodar, tirar você da festa — respondeu. — É só por isso? — perguntou ele, sério. — E por que mais seria, Rui? — rebateu. — Não sei. Se mudar de ideia, me fala — respondeu ele, no mesmo tom. Saiu de perto. Kaori voltou a sentar, irritada. O tempo passou; Lisa foi dançar. O som alto, gente bebendo, rindo. Rui estava dançando com a mãe do filho dele. Kaori levantou, foi ao freezer pegar refrigerante. Levou pra cozinha, mas não conseguia abrir a garrafa; se irritou e acabou derrubando o copo. Rui entrou pra ajudar. — Melhorou da dor? — perguntou. — Olha pra minha cara e vê o que você acha! — respondeu. — Não trouxe remédio nenhum, e esse som alto não ajuda. — Por que prefere ficar aqui, com dor, do que ir descansar comigo? — provocou ele. Antes que respondesse, Lidiane entrou: — Achou a blusa do Be? — perguntou. — Não, parei aqui — respondeu ele, encostado na pia, ao lado de Kaori. — Você tem remédio pra dor aí? — Acho que sim. É pra ela? — perguntou Lidiane. — É — respondeu ele. — Não precisa, obrigada. Eu sinto dor quase todos os dias depois do acidente. É normal — disse Kaori. — Sério? É você então que perdeu a memória? — perguntou Lidiane, surpresa. Sem graça, Kaori confirmou. Lidiane foi olhar na bolsa. Rui ficou a encarando, sério. — É por causa dela que você tá assim comigo? — perguntou. — Não sei do que você tá falando — respondeu Kaori. — Vai embora comigo, então? — provocou ele. Ela não gostou do tom debochado, especialmente com Lidiane por perto. Saiu da cozinha sem responder e foi sentar novamente. Pouco depois, ele voltou com um copo d’água e um comprimido. — Você não vai falar direito comigo mesmo? — perguntou, abaixando-se na frente dela. — Você deve ter bebido demais — respondeu. — E você, de menos — disse ele, rindo. — A Lidi é minha amiga, sabia? Já te falei isso. Somos parceiros. Não tem nada entre a gente. Irritada, Kaori respondeu: — Tá bom, Rui. Eu não bebo porque não posso. Você não faz ideia de como é difícil ficar no meio disso tudo sem beber! Desculpa se eu não tô divertida o suficiente. — Tô à disposição pra te levar embora, a qualquer momento — disse ele. — Me leva agora, por favor?! — respondeu ela, firme. Ele disse que sim. Ela foi falar com Lisa, avisar que estava indo. Os dois saíram juntos; quase ninguém notou. — Você não pode ser desse jeito — ele reclamou. — Ficou um tempão com dor só porque não queria ir embora comigo. — Não tem nada a ver — ela retrucou. — Eu só não queria incomodar ninguém. Foram de carro. Quando chegaram, ele desceu e perguntou: — Quer ajuda com a roupa? Ele estava dando sinais de interesse; ela não queria, talvez por falta de afinidade. — Não precisa, tirar é fácil — respondeu. — Você que sabe! — ele disse. — Vem aqui, então — ela falou, abrindo o portão. — Você já abre pra mim e nem precisa entrar. Ele se aproximou por trás, colocou as duas mãos na cintura dela e a deslocou um pouco para o lado, para ver melhor o zíper. Então subiu com a mão, deslizando pelas costas, e abriu o zíper, segurando-a com firmeza pela cintura.
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