Capítulo 53

1613 Words
Capítulo 11 Ela sentiu coisas que não queria; o corpo reagiu ao estímulo novamente. Pelo menos no escuro, ele não percebeu. Ele se afastou e perguntou se ela ia ficar bem. — Sim — respondeu, segurando o macacão com a mão sobre os s***s. — Entra, eu fico no portão olhando — disse ele. Confusa com ela mesma, ela pediu: — Vem abrir a porta pra mim? Por favor? Ele fechou o portão e entrou com ela. Ambos em silêncio, o clima era evidente. Quando chegaram à porta, ela acendeu a luz. Ele devolveu a bolsa dela e falou sério: — Posso te fazer uma pergunta um pouco chata? — Pode — disse, curiosa, parada no degrau da porta, de frente pra ele. — Você não se lembrou de nada ainda, né? — Não — respondeu. — E tem se esquecido muito do que acontece? — Não muito, só coisas mínimas. Onde você quer chegar? — perguntou. — Você simplesmente parou de falar comigo há dias. Pensei que talvez tivesse esquecido das nossas últimas conversas. — Não esqueci — respondeu ela. — E por que você mesmo não mandou nada, se queria conversar? — Porque no sábado você me ignorou. Não vou ficar correndo atrás de você — respondeu ele. — Eu também não quero você correndo atrás de mim. Mas não precisa frescura; se sentir vontade de algo, é só falar — disse ela. Ele se aproximou devagar. — Tô com vontade de te beijar — falou, colocando as mãos na cintura dela e enfiando por dentro do macacão. Ela virou o rosto quando ele foi beijá-la. Ele se afastou, deu uma risada debochada, desfazendo dela. — Preciso ir embora — disse seco. — Desculpa, você me pegou de surpresa! — falou, constrangida. — Não é nada — respondeu, dando tchau antes de sair. Ela ficou parada, confusa. Não sabia se queria mesmo ou não. Mas uma coisa era certa: ele não gostou de ela ter recuado, já que parecia interessada. Nenhum dos dois mandou mensagem ou ligou. No dia seguinte, iam continuar com a festa. Lisa foi trabalhar, e Kaori com certeza não queria ir. Lisa insistiu, dizendo que seria bom, mas ela respondeu que a noite anterior já tinha sido um belo exemplo. Preferiu ficar em casa no domingo. Thomás mandou mensagem de “bom dia”. Ela não respondeu. Ficou deitada a manhã toda. Na hora do almoço, Ivone apareceu levando uma marmita, pegando-a de surpresa. — E o Rui? — perguntou Kaori. — Não veio porque tá na piscina com o Bernardo — respondeu Ivone, rindo. — Quer ir também? Kaori recusou, como sempre. Lisa sabia que a filha quase não comia quando ficava sozinha. Ivone, super mãezona, ajudava sempre que podia, solidária com as dificuldades da amiga. À tarde, Thomás ligou. Não disse nada demais — só queria saber dela. — E a sua noite? — perguntou Kaori. — Vi a Rafaela — contou ele. — Ela foi se despedir, vai fazer intercâmbio. Ela não prolongou o assunto. Disse que precisava desligar e viu ali uma chance de aceitar as investidas de Thomás. Tinham muito em comum, e ele era um gato: tatuado, estiloso, super da paz. Com Rui, já não havia tanta química. Ele era bonito, mas a diferença de idade pesava. E a criação também. Mesmo assim, ela achava que ele poderia ser um bom amigo. Pensando nisso, e ainda chateada com a situação, mandou uma mensagem na segunda-feira cedo: “Bom dia 😊 Tenha uma ótima semana, bom trabalho.” Ele respondeu: “Bom dia. Obrigado, pra você também.” E a conversa morreu ali. Na terça-feira, Joyce tinha consulta pré-natal. Juliano não pôde ir, então Kaori a acompanhou. As duas estavam bem próximas, tanto que Lisa começou a sentir ciúmes. Mas não podia reclamar: Juliano estava ajudando o máximo possível na nova rotina da filha. Joyce ia fazer um chá revelação e decidiu deixar o segredo com a enteada, afinal, ela tinha tempo livre. Depois da consulta, foram ao shopping. Joyce tinha boa condição financeira e trabalhava, ganhava bem. Pararam numa loja de lingerie, onde ela precisava de peças mais confortáveis. — Escolhe alguma coisa pra você também — disse, entregando um valor. — É normal ter tanta lingerie preta? — perguntou Kaori, curiosa. — Depende do gosto. Se tá enjoada, compra colorida: vermelha, azul, pink — respondeu Joyce. Kaori comprou três conjuntos em promoção, de cores diferentes, rendados e fio-dental. Depois de passearem bastante, foram pra casa de Juliano. Empolgadas com as ideias do chá revelação, resolveram dormir lá. Lisa, saindo mais cedo do trabalho, ligou: — Você não vai vir pra casa? — perguntou. Percebendo a voz da mãe estranha, Kaori perguntou: — O que foi? Tá tudo bem? — Tá sim — respondeu, mas parecia mentira. Não era tarde pra Kaori ir embora, mas Juliano já estava deitado. Decidiu ficar. Postou uma foto da janela para Thomás ver que estava lá e deu certo: ele respondeu ao status dizendo que tinha uma nova música pra mostrar. — Deixa pra outro dia — respondeu ela. — Tá frio pra ir lá embaixo. — Sobe aqui, então — sugeriu ele. — Minha avó já tá dormindo. A gente vê um filme, conversa... Ela aceitou e pediu pra ele buscá-la. Quinze minutos depois, ele chegou. Ela saiu de moletom, cumprimentou com beijo no rosto e abraço leve. — Escolhi um filme que não é tão novo, mas que aposto que você não lembra — disse ele, sorrindo. Ficaram na sala. Ele deitou no colo dela. Quando o filme terminou, sentou-se e a beijou, um beijão de língua. Ela gostou, correspondeu. — Agora a iniciativa foi minha. E aí, gostou? — perguntou ele, beijando o pescoço e passando a mão nas pernas dela. — Agora? Então já tomei a iniciativa antes? Não entendi — respondeu ela, se esquivando. — É só modo de falar — disse ele, puxando-a de volta. Começaram a se beijar, mas ele foi avançando demais. Ela, sem jeito de pedir pra parar, tentava evitar. — Vamos pro quarto, ver outro filme — sugeriu ele. — Talvez fumar na janela, pra relaxar. — É melhor não. Preciso ir, já tá tarde. Outro dia a gente marca — respondeu, levantando. Deu um selinho nele, encostou a cabeça no ombro, tentando enrolar pra ir embora, mas também baixar o clima. Ele insistiu, animado: — Faz tempo que eu quero isso. Ela não se lembrava de como era tran,sar e ele estava afobado. Ela quis ir embora, ele levou-a pra casa. Na despedida, deu outro beijão e disse: — Quero te ver amanhã. Ela respondeu, tranquila: — Acho que não vai dar. Quero ir com calma, sabe? É tudo novo pra mim. Me desculpa se pareço careta, mas é como se eu nunca tivesse feito nada antes com ninguém, entende? Ele a abraçou. — Tá tranquilo. Vai rolar naturalmente — respondeu, sorrindo. Ele era fofo, calmo, passava tranquilidade e isso a deixava encantada. No dia seguinte, ela chegou na hora do almoço e se assustou ao ver Lisa em casa, deitada. — Ué, mãe, não foi trabalhar? — perguntou, sentando na beirada da cama. — Tô doente — respondeu ela, com uma cara péssima. Parecia mentira. Ficou dois dias sem sair da cama nem explicar o que estava acontecendo. No trabalho, disse que estava gripada. Na quinta à tarde, foram juntas ao psicólogo. Kaori perguntou várias vezes o que estava acontecendo, mas Lisa se limitava a dizer “nada”. No fim do dia, pararam num mercadinho. Lisa estava marcando fiado. Kaori viu o valor da conta e ouviu a mãe dizendo que pagaria no próximo salário. Reparando nas contas, nos remédios caros e nas consultas particulares, percebeu o quanto a mãe estava atolada e escondendo isso dela. Por causa disso, Kaori passou dias sem ir à casa do pai. As conversas com Thomás iam bem; com Rui, m*l se falavam. Trocavam apenas “bom dia”, “boa noite” e algumas músicas. — Tô fazendo hora extra direto, sem tempo pra nada — ele justificou numa mensagem. Na sexta, Kaori foi ao ponto de ônibus. Ia encontrar Thomás no trabalho pra irem ao mercado juntos. Já estava anoitecendo. Como sempre, mexia no celular com os fones de ouvido. Chegou uma mensagem de Rui: “Você sabia que perde muita coisa enquanto fica no celular?” Ela respondeu: “Nem sempre.” Olhou pros lados, procurando ele estava no bar, deu tchau e mandou outra mensagem: “Você acabou de perder a chance de ter novas experiências comigo.” Ela não gostou do tom e respondeu: “Acho que com certeza não perdi foi nada 😏.” Ele mandou foto do prato: churrasco. “Duvido que tenha comido isso há muito tempo. Você não gosta de bar.” Ela riu e respondeu: “Você é muito mala, sabia? Tem razão. Nem lembro a última vez que comi isso.” “Vem aqui comer, então” — insistiu ele. “Não posso perder o ônibus. Fica pra próxima. Obrigada.” O ônibus estava chegando. Ela guardou o celular e se preparou pra subir. Ele correu até ela e lhe deu um espetinho. — Não joga fora, hein! — disse, sorrindo. Ela pegou, rindo. — Você é muito insistente! — respondeu. Sentou no ônibus, comeu o espetinho e descreveu a experiência como “agradável”. Ele respondeu: “Os doces foram mais legais. m*l posso esperar pelas bebidas alcoólicas… e pela vez da moto.” “Talvez um dia” — escreveu ela. “Pra onde tá indo?” — perguntou ele. “Pra casa do meu pai” — respondeu.
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