Capítulo 16

1137 Words
Daniel disse que depois falava com Kaori. Geralmente ele ficava até tarde com a noiva, mas durante a semana não dormiam juntos. Quando mandou mensagem, Kaori já estava dormindo, ele perguntou se ela estava acordada, cedo ela viu e não respondeu nada. O pai de Kaori era muito tranquilo, só perguntava onde ela estava e com quem, e desde que ela avisasse tudo certinho ele não pegava no pé dela. Era até mais aberto do que a mãe em muitas coisas. Na sexta-feira de manhã tomaram café juntos, e ele comentou que ela precisava dar entrada logo na habilitação pra no aniversário já poder sair com o carro dele. Kaori perguntou se ele estava falando sério, e ele disse que sim, que apesar de tudo o que tinha acontecido nos últimos meses, ele sabia que ela era uma boa filha e que só tinha a ganhar fazendo as coisas certas, andando na linha. Kaori comentou sobre um curso que queria fazer, e ele disse que iam ver tudo certinho. Ela ficou super empolgada, porque além de ser bom pra ela, o curso era na mesma escola onde Daniel trabalhava, então iam se ver mais. O dia no trabalho passou rápido. Depois do trabalho, Bibi foi com ela para casa de Juliano. Passaram na padaria que era perto do prédio, e lá Kaori encontrou Rafaela, a vizinha. Foram caminhando juntas até em casa conversando. Rafaela tinha vinte e um anos, trabalhava de caixa numa balada, era bem alto astral, muito simpática. Kaori chamou ela pra subir e ficar com elas, mas Rafaela disse que tinha compromisso. Combinaram de marcar alguma coisa no fim de semana. Na sexta-feira foram pra conveniência do posto, o lugar onde a galera sempre se encontrava. Kaori postou bastante fotos, especialmente pra Daniel ver. No horário em que ele saía do curso, ele mandou mensagem perguntando se podiam se ver um pouco, rapidinho. Bibi ficou doida, pegou o celular da mão de Kaori e respondeu na hora: "Não. Um pouco não dá. Pode ser a noite toda ou nada." Daniel respondeu: "Você vai me colocar em problemas. Não faz isso comigo, minha gata." Elas responderam: "Aí o problema não é meu, gatinho." Ele ficou digitando, apagando, digitando de novo. Uns dez minutos depois ligou dizendo que ia passar pra buscar Kaori. Perguntou onde ela estava, ela falou que não ia abandonar os amigos ali pra ficar pouco tempo com ele. Ele respondeu sério: — Vou ficar com você a noite toda. Espero que você faça valer a pena. Tô me arriscando muito por você, Kaori. Ela ficou quieta, olhando pra Bibi e fazendo sinal. Ele perguntou se ela ia amarelar, largar ele na mão. Kaori respondeu que não ia pra casa dele dormir num tapete ou num colchão ainda embalado. Daniel riu e disse que nem estava pensando em levar ela pra lá, porque tinha preparado algo mais especial pros dois. Ela falou onde estava, e ele foi buscá-la um pouco longe do posto, pra ninguém ver. No caminho foram direto para um motel. Daniel perguntou se ela podia pagar no cartão dela, que depois ele transferia. Disse que se usasse o cartão dele ou sacasse dinheiro naquela hora, a noiva podia ver. Daniel pensava em tudo, em cada detalhe, sempre. Escolheram uma suíte maravilhosa. Assim que entraram, ele já pegou Kaori no colo. Ela ainda estava chateada, e ele sabia disso. Começaram a se beijar devagar, e ele chamou ela pra tomar banho. Kaori puxou ele pra banheira. Entraram juntos, começaram a beber, ficaram sentados um de frente pro outro, se encarando no silêncio. Daniel passou a mão na perna dela e perguntou: — Você ainda tá brava? Kaori suspirou e respondeu: — Brava não. Chateada. Ele perguntou o motivo. Ela olhou séria pra ele. — Você não foi legal comigo, Daniel. Já ficamos algumas vezes e você não estava agindo daquele jeito. Você quis goz.ar logo e ir embora só porque eu não quis tran.sar sem camisinha, não foi? Daniel negou na hora, fez cara de ofendido. — Não foi isso. Esse dia da semana é sempre complicado pra mim. Eu já tinha horário certo. O problema foi que eu quis fazer aquela surpresa, preparar o jantar, perder tempo com aquilo. Se a gente tivesse ido direto pra cama, teria dado tempo de aproveitar muito mais. Conversaram bastante ali, sobre aquilo, sobre tudo. Daniel disse que era difícil pra ele saber como agir com ela, porque eles não tinham liberdade nenhuma, só podiam se ver escondidos, entre quatro paredes. Ela falou que não cobrava nada dele em relação àquilo, mas que não gostava de ser tratada daquele jeito só porque disse não. Ele riu baixo, foi beijando o pescoço dela e respondeu: — Não vai acontecer de novo. Hoje eu tô aqui só pra você, minha gata. Hoje é sua noite. Prometo não te deixar na mão. Ela subiu no colo dele, falou provocando. — Vai me fazer muito feliz, professor? Daniel riu. — Muito feliz. Ele perguntou: — E sem camisinha? Kaori riu e negou. — Não. Ele sorriu provocando. — Ainda bem que aqui no quarto tem muitas. Porque eu pretendo usar todas. Kaori arqueou a sobrancelha. — Isso é um desafio? Ele respondeu olhando nos olhos dela: — Com certeza. E foi exatamente isso, transaram noite inteira. Aproveitaram como nunca. A suíte tinha uma poltrona enorme, perfeita pra posições diferentes, e os dois fizeram de tudo. Os celulares ficaram desligados. Kaori disse pro pai que dormiria na casa de Bibi, e Daniel mentiu dizendo que estava em casa. Ele dizia que às vezes dormia com a noiva e não faziam nada, mas com Kaori parecia sempre urgente, intenso, safado. De madrugada, depois de já terem dormido e acordado duas vezes, Kaori ligou o celular e quase caiu dura vendo a quantidade de mensagens chegando. Eram várias de Bibi, do pai e da mãe. Abriu as de Bibi primeiro. Ela dizia que tinha caído de moto e que não podia chamar os pais de jeito nenhum, porque estava com um ex. Estava desesperada, chorando, machucada, pedindo ajuda. Depois mandou mais mensagens pedindo desculpas e falando que como Kaori não respondia, ia pedir ajuda pra mãe dela. O pai dela tinha mandado mensagem perguntando onde ela estava. A mãe mandou várias, pedindo pra ela ligar assim que visse. Kaori ficou gelada. Sacudiu Daniel na cama, acordando ele assustada. Foi pro banheiro, tomou banho correndo, se vestiu rápido e mandou mensagem pra Bibi perguntando como ela estava. Não teve resposta. Assim que saíram do motel, Kaori ligou pra mãe. A voz dela estava seca, fria. Só disse que Bibi estava com ela. Quando Kaori falou que estava indo pra lá, a mãe respondeu: — Vou te passar o endereço. Me mudei já faz dias. Se você estivesse falando comigo, saberia disso, filha.
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