Capítulo 101
A Kaori estava quase pronta pra ir na Bibi. Enquanto ela foi pegar o prato que ia levar, chegaram várias mensagens no celular. Ela olhou, o grupo da família estava com muitas conversas. Na barra de notificações, ela leu algo sobre o Rui, pareceu algo grave. Ela começou a ler as conversas.
A Ivone tinha acabado de falar que algo tinha acontecido com o Bernardo na viagem com a Lidiane. Ela disse que não sabia muito bem e que eles estavam muito longe, na casa de familiares dela. O Rui ia pra casa do Hugo e, ao receber a notícia, já avisou que não ia. Ele estava sozinho em casa.
Todos ficaram muito preocupados com o Bernardo, pois parecia algo grave. A Daia mandou uma mensagem para a Kaori perguntando se ela podia só ir ver se o Rui estava em casa, porque elas estavam com medo dele querer ir pra cidade que a Lidiane estava, era muito longe.
Ela largou tudo na mesma hora e foi. O portão não estava trancado. Ela foi entrando, se assustou com o vidro da porta da sala quebrado, espalhado pelo chão. Ela chamou por ele. Tinha sangue pelo chão. Ela foi entrando, ouvindo barulho de água vindo do banheiro. Ele estava lavando a mão, chorando.
Ela se aproximou e falou, chateada:
— O que você fez? Fica calmo!
Ele respondeu, abraçando ela:
— Eu tô aqui e não posso fazer nada pelo meu filho. Nem sei se a Lidiane tá falando a verdade. Ele não tá bem, Kaori!
Ficaram abraçados. Ela tentou acalmar ele, falando que podiam ligar novamente, que ele estava nervoso demais, que podia não ter entendido muito bem o que tinha acontecido.
Ele tinha quebrado o vidro da porta com um soco, transtornado com a notícia de que um carro tinha atropelado o Bernardo. Ele foi direto pra sala de cirurgia e a Lidiane estava também muito nervosa. A mãe dela que contou pra ele, na verdade.
Eles colocaram uma toalha na mão dele, foram pra sala. Ela mandou mensagem no grupo da família, falando que estava lá com o Rui e que, assim que possível, davam notícias, que ele estava muito nervoso, tentando falar com a Lidiane.
A Ivone queria ir pra casa naquela hora, ela estava muito longe, na praia. A Lisa e o Hugo se prontificaram em ir pra lá, estavam mais perto. A Daia falou pra Kaori segurar ele lá de qualquer jeito. Ela respondeu no privado:
“Pode deixar, eu não sairia daqui por nada. Nunca vi ele assim.”
“Tenta conversar com a Lídi.”
Ela limpou a mão dele, fez curativo, e ele ficou quieto, chorando, mexendo no celular. Ela foi pegar a vassoura para limpar os cacos. Ele falou que não precisava, que não ia sair, disse que ela podia ir embora. Perguntou se tinha sido a Ivone que tinha mandado ela lá. Ela respondeu, varrendo os cacos:
— Só me pediram pra ver se você estava em casa. Eu tô aqui porque quero, e mesmo se você me mandar embora, eu não vou.
Ele respondeu “obrigada”. Começou a conversar com a Lidiane por ligação. Gritou com ela várias vezes, falou que tinha pedido pra ela redobrar a atenção com o Bernardo na rua, perguntou quem estava cuidando dele quando aconteceu. Eles estavam brigando. Ela disse que ele não podia fazer nada além de orar e esperar, assim como ela, que aquilo podia ter acontecido com ele também.
Ele estava sentado, de cabeça baixa, na sala. A Kaori se sentou ao lado dele, bem próxima, ficou abraçada, fazendo carinho. Até chorou junto. Era desesperador ver ele daquele jeito. O Natal da família toda se acabou.
Logo o Maicon chegou com a Tati de moto, só os dois foram. A Lisa e o Hugo preferiram não ir. O restante só ia conseguir ir no dia seguinte. Os dois chegaram tristes também, chorando, preocupados. Ficaram os quatro na sala, dois em cada sofá. A Tati tinha levado comida que a Lisa mandou pra eles.
Já era meia-noite. O Maicon foi comer. A Kaori falou para o Rui:
— Quer água? Com certeza você não vai querer comer nada, né?
Ele balançou a cabeça que não e puxou ela pra mais perto. Ficaram abraçados noite adentro, em silêncio.
Quando o Bernardo saiu da sala de cirurgia, a Lidiane avisou. Ele ia ficar em coma induzido até o dia seguinte. A Tati repassou tudo para a família. Ninguém tinha ido dormir ainda.
Já era tarde. O Rui falou para os três irem dormir. O Maicon estava cochilando no sofá, as duas bocejando. Ele mesmo também estava com sono. A Tati falou pra ele tentar dormir pelo menos um pouco, já que com certeza ia querer ir pra lá na manhã seguinte.
Ela e o Maicon foram deitar no quarto. A Kaori falou que não ia dormir se ele não fosse. Ele respondeu:
— Deita aqui no meu colo, pode dormir. Não vai adiantar nada você ficar acordada. Você já me ajudou muito hoje!
Ela disse que era pra ele deitar junto então. Foi pegar um cobertor, um travesseiro e voltou. Tirou os sapatos dos dois. O sofá era grande e confortável. Os dois deitaram abraçados, como nos velhos tempos. Ela pegou no sono rápido e ele só dormiu poucas horas de manhã.
Ele levantou antes dela, se arrumou pra sair e só acordou o Maicon pra falar que estava indo ver o Bernardo. A Tati acordou ela cedo, falando que a Lisa já ia chegar. Perguntou o que tinha acontecido na noite anterior. Sonolenta, a Kaori respondeu:
— Nada, né. A gente não ficou, tá doida?!
A Tati falou, deitando perto dela:
— Não tô falando que ficaram, mas tipo, vocês estavam bem próximos. Ele não se fechou pra você, muito pelo contrário. Eu fiquei surpresa!
A Kaori disse que também tinha ficado, mas que ele fez o mesmo por ela quando ela precisou, e ela nunca ia virar as costas pra ele em um momento daqueles.
Logo a Lisa chegou com o Hugo. A Ivone com a Daia iam chegar mais tarde. Ficaram todos lá reunidos, ainda que tristes, preocupados.
Quando o Rui chegou no hospital, avisou a Ivone. Ele foi pra ficar, chegou brigando com a Lidiane porque ela queria ficar como acompanhante e ele também. A convivência dos dois não estava tão boa desde que ela começou a namorar o atual dela. Ela estava regulando o tempo do Bernardo com ele e deixando o namorado ocupar muito espaço como um “pai”.
A Bibi sabia do que tinha acontecido porque a Kaori contou à noite. Ela estava chamando a Kaori pra ir almoçar lá. Ela aceitou ir, levou o prato que tinha feito no dia anterior.
Quando ela chegou, cumprimentou a todos, pegou a Maria no colo. A Giovana foi logo dizendo que ela tinha prometido brincar, que só ficava com a Maria no colo. O Breno chamou a atenção dela. Ela respondeu, irônica:
— Tio, ela que prometeu, eu não falei nada demais, tá? Deixa, ela nem sabe mesmo brincar de nada!
A Bibi falou que a Kaori estava triste, que outro dia brincava. Elas começaram a falar do Bernardo. A Bibi perguntou se ela tinha intenção de ter algo com o Rui de novo. Ela respondeu:
— Não, isso não. Eu preciso de muito mais e ele não vai me dar! Somos só amigos, funciona melhor assim.
Ela disse que não dava um mês pra estarem se pegando. A Kaori falou:
— Não, eu não quero. Nem de bobeira!
Ela ficou cerca de duas horas lá, depois foi pra casa. A Lisa e o Hugo iam ficar pela cidade também. Todos estavam recebendo notícias pelo grupo ou pela Ivone. O Bernardo tinha batido a cabeça, quebrado o braço, estava com muitas escoriações.
No final do dia, o Rui mandou uma mensagem para a Kaori:
“Oi, desculpa por não ter dar tchau cedo, preferi deixar você dormindo. Obrigada por ontem, foi muito legal o que você fez por mim.”
Eles conversaram um pouco. Ela falou que ele também já tinha feito muito por ela um dia e que estava lá, disponível pra ajudar se ele precisasse de qualquer coisa. Trocaram boa noite também e bom dia no dia seguinte.
O Bernardo ia ficar no hospital alguns dias. O Rui voltou pra casa pegar mais coisas no dia 28/12.