Durante o dia, Kaori trocou algumas mensagens com Daniel. Ativou novamente as redes sociais para poder postar as fotos da festa e começou a se arrumar atrasada. O pai sairia mais cedo para buscar o bolo. Kaori colocou um vestido preto tubinho, justo, de manga ciganinha, com brilhos nas mangas. Era lindo. A ocasião pedia salto e foi exatamente o que ela colocou: um scarpin nude, salto alto e solado vermelho, sexy e elegante. Caprichou na maquiagem, passou batom vermelho.
Quando estava quase pronta, Daniel mandou uma mensagem dizendo que precisava conversar com ela antes da festa. Kaori imaginou que ganharia uma aliança e ficou muito confiante. Os dois marcaram de se encontrar em uma praça. Ela desceu do carro e entrou no dele. Foi beijá-lo, mas Daniel não correspondeu, a evitou sutilmente.
Kaori perguntou séria:
— O que foi? Está com medo de conhecer todo mundo?
Ele respondeu sério:
— Não vou na festa. Desculpa fazer isso hoje, mas não tenho como continuar mentindo pra você. Essa semana a Cíntia me procurou.
Kaori o interrompeu:
— Não tô acreditando nisso. É sério, Daniel? Po.rra é meu aniversário.
Ele pediu calma e disse que precisava falar tudo. Então contou que estava terminando com ela porque voltaria para Cíntia. O celular de Kaori começou a tocar, era Rafaela. Ela não atendeu e nem abriu as mensagens.
Kaori falou:
— Como você pode fazer isso comigo desse jeito? Eu te perguntei tantas vezes se você tinha certeza de que queria ficar comigo. Você insistiu pra eu te aceitar, e agora vai me deixar de novo porque a i.diota te quer de volta.
— Você é um es.croto, mentiroso, falso. Até ontem a gente ia morar junto e agora acabou tudo. Eu tenho sentimentos. Você é um li.xo.
Enquanto chorava e falava, Kaori começou a mexer no celular. Abriu a conversa com Cíntia e enviou todas as fotos que tinha dentro da casa deles, inclusive as fotos dos dois como casal. Em seguida abriu a porta do carro. Daniel gritou para ela esperar e ouvir, dizendo que agora tudo era diferente. Kaori lhe deu um tapa no rosto e gritou:
— Vai pro infer.no! Você sabia o tempo todo que ia voltar com ela, só quis se despedir de mim. Mas pode ter certeza de que vocês nunca vão ser felizes, porque você é fraco e ma.u-caráter. Tudo o que você vem fazendo de r**m pra nós duas vai voltar pra você.
Daniel gritou que Cíntia estava grávida, que ele não tinha escolha, porque era um filho dele com a mulher que amou e com quem planejou ficar por anos. Disse também que nunca escondeu de Kaori que ainda a amava.
Kaori tentou sair do carro, mas Daniel a segurou e ela acabou caindo. Estava muito nervosa e chorava bastante. Ele saiu correndo, ajudou-a a se levantar e pediu perdão, dizendo que um dia ela entenderia que aquilo era o melhor a fazer.
Ela o ofendeu de todas as formas possíveis e bateu nele o quanto conseguiu. Durante todo o tempo, Daniel apenas se desculpava e tentava segurá-la, sem reagir. Ela começou a gritar para que ele a soltasse. Daniel estava nervoso, deu um soco no carro e machucou a mão.
Kaori foi até o próprio carro, tirou os sapatos e dirigiu para a casa da mãe, aos prantos. O celular não parava de vibrar, tocar e receber notificações. Ela imaginou que fosse Cíntia e preferiu não olhar. Nem sabia como tinha conseguido chegar bem à casa da mãe. Estacionou e viu o carro do pai ali. Achou aquilo estranho e já teve certeza de que todo mundo tinha descoberto o caso com Daniel.
Entrou descalça, chorando. A casa estava toda acesa e silenciosa. Quando chegou à sala, viu sapatos e roupas espalhados pelo chão. Aquilo parecia surreal demais. Encostou no sofá, sentindo-se m*l.
Lisa saiu do quarto usando apenas calcinha, rindo e dizendo que eles não podiam se atrasar. Quando viu Kaori, assustou-se, derrubou a garrafa de bebida que estava na mão e cobriu os se.ios.
Kaori falou furiosa:
— Que bom que vocês se entenderam. Depois de meses infernizando a minha vida, brigando por dinheiro, finalmente conseguiram se entender. Parabéns, mãe. Você me fez odiar meu pai e agora está trans.ando com ele.
— Vai receber por isso? Parabéns pra você também, pai. Sua noiva está grá.vida em casa, passando m*l, enquanto você se diverte com a idi.ota que largou na pior depois de vinte anos de casamento.
Lisa começou a chorar, dizendo que aquilo era um m*l-entendido. Juliano saiu do quarto de cueca, pedindo para Kaori ficar calma, porque eles podiam explicar tudo. Disse que tinha sido um erro, uma recaída. Lisa pediu perdão, chorando.
Kaori respondeu enquanto saía:
— Eu também gosto de ficar com homem casado. Já sei a quem puxei.
Os dois pediram para que ela ficasse e foram atrás, mas ainda estavam sem roupas. Kaori correu até o carro. Ainda no bairro, quase bateu em um motociclista. Pegou o caminho mais longo, para sair do bairro, passando por uma rodovia. O celular começou a tocar. Era Rafaela.
Kaori atendeu e ouviu:
— Espero que você não tenha a cara de pa.u de aparecer no meu trabalho, sua filha da p.uta. Eu já sei de tudo e não consigo entender como você pôde ser tão f.alsa comigo, desejando felicidades pro meu relacionamento enquanto tra.nsava com o meu namorado debaixo do meu nariz.
— Eu fui sua amiga, te acolhi de peito aberto. Você é pior do que imaginei. Me avisaram o quanto você era perigosa, mas fui burra demais pra enxergar. Vaga.bunda ordinária, é isso que você é. Não quero nunca mais ver vocês dois, e você fica esperta, porque, se eu te encontrar, não respondo por mim.
Kaori tentou dizer várias vezes que era um engano e que nem estava entendendo o que Rafaela falava. Já chorava de soluçar, completamente transtornada. Rafaela continuou gritando e desligou na cara dela.
Kaori abriu as mensagens. Havia muitas ofensas de Rafaela, vários áudios e ligações de Cíntia a ofendendo, ameaçando, tinham também dos pais dela e de Daniel. Ela simplesmente não sabia como reagir. Doeu muito, mas não tinha forças para lutar e sentiu um enorme vazio se abrir dentro dela. Se viu sozinha, impotente, traída e usada e desistiu de tudo, inclusive de si mesma.
Viu que ia bater e acelerou, de propósito, jogando o carro no guardrail.
Fim da parte 1!!
A morte é breve, por mais dolorosa que seja a partida. Com certeza Kaori teria preferido morrer, porque, dali em diante, a vida dela nunca mais seria a mesma, e seus erros estariam sempre presentes.