Capítulo 17

1378 Words
Kaori pediu desculpas para a mãe, que passou o endereço novo. Pediu para Daniel deixá-la duas casas antes, porque não queria que a mãe visse direito quem estava com ela. Era um bairro meio r**m, bem diferente de onde ela estava acostumada a morar. Quando chegou, chamou no portão e a mãe foi abrir. Era uma casa pequena, nos fundos, com um quintal grande, uma edícula. Assim que abriu o portão, Lisa olhou séria e perguntou: — Quem é essa pessoa que estava com você, que te deixou sozinha na rua essa hora e nem desceu pra falar comigo? Kaori respondeu que era só um amigo e logo perguntou de Bibi. Lisa disse que ela estava dormindo, gemendo de dor. Quando Kaori entrou e viu Bibi toda ralada, cheia de faixas nas mãos, joelhos e braço, começou a chorar na mesma hora. Lisa perguntou onde ela estava. Kaori falou a verdade: no motel. Lisa olhou séria e perguntou: — No motel com quem? Kaori ficou quieta. A mãe respirou fundo e disse que tinha precisado mentir para o pai dela por causa de Bianca, porque Bibi tinha ficado com medo de colocar Kaori em problemas e ninguém sabia onde ela estava. Kaori continuou em silêncio. Lisa disse que iam conversar no dia seguinte, porque aquela já era a segunda vez que ela mentia para o pai de Kaori para livrá-la de problemas. Disse também que conhecia Kaori bem o suficiente para saber que ela estava aprontando, porque já era a segunda vez que pegava ela escondendo as coisas daquele jeito. Bibi acordou com a movimentação e com as vozes. Pediu desculpas por ter chamado Lisa, Kaori falou que estava tudo bem e perguntou o que tinha acontecido. As duas começaram a conversar baixinho enquanto a Lisa foi se deitar, dizendo antes de sair: — Qualquer coisa, me chamem. A casa era pequena, só dois quartos apertados, um banheiro e a sala junto com a cozinha. Kaori dormiu m*l, Bibi também, porque estava com muita dor. Logo cedo Lisa acordou as duas e levou Kaori até o trabalho. Depois foi com Bibi até a casa dela, porque os pais dela iam surtar quando vissem o estado da filha. Eles odiavam o ex dela e eram extremamente protetores, preconceituosos. Daniel mandou algumas mensagens de madrugada e depois de manhã. Kaori respondeu. Comentou que agora a mãe ia começar a pegar no pé dela de verdade. Daniel ficou desesperado, com medo de Kaori contar alguma coisa sobre os dois. Disse que era melhor eles darem um tempo. Kaori falou que não ia contar nada pra ninguém. Ele respondeu que estar com ela era muito bom, mas que estava se arriscando demais, porque estava louco por ela. Kaori respondeu: "Se você quiser parar, a gente para, beleza? Mas pode ficar tranquilo que ninguém vai saber da gente, se depender de mim." Daniel respondeu: "Vamos dar um tempo. Umas semanas, um mês... não sei." Kaori então falou: "Ok... sem encontros." Como era sábado, ela sabia que ele não ficaria online muito tempo. Mesmo assim, ele elogiou a noite romântica deles. Kaori disse que tinha sido inesquecível, boa o suficiente até para uma despedida. Ele respondeu: "Não foi uma despedida gata. Não pra mim." Quando saiu do trabalho, Kaori começou a trocar mensagens com Bibi. Ela disse que estava m*l de dor e que os pais tinham brigado feio por causa dela. Kaori falou que iria ficar com ela, mas Bibi insistiu que ela devia ir conversar com a mãe, porque apesar de tudo, ela tinha sido muito boa e ajudado muito. Kaori concordou. Foi pra casa cansada, morta de sono. Não tinha ninguém lá. Tomou banho, fechou tudo e foi dormir no escuro. Acordou já de noite com o pai sentado na beirada da cama. Ele beijou a testa dela e perguntou se estava tudo bem. Kaori disse que sim. Ele perguntou de Bibi, e ela contou o que tinha acontecido. Ele não parecia desconfiar de nada. Se ofereceu para cozinhar algo pros dois e disse que Joyce estava chegando. Kaori levantou de pijama e moletom, sentou na bancada e ficou conversando com ele enquanto preparava o jantar. Logo Joyce chegou com uma torta. Sentou ao lado de Kaori, serviu ela com muita gentileza. Era estranho ver o pai beijando outra mulher e trocando carinho daquele jeito, mas Kaori não conseguia não gostar dela. Joyce falava de tudo, puxava assunto sobre qualquer coisa, era divertida, leve, espontânea e parecia realmente interessada em conhecê-la. Mais tarde, Kaori mandou mensagem pra mãe: “Oi, vai fazer o que depois do trabalho?” A mãe respondeu que ia sair com uma colega. Kaori disse que queria conversar, talvez dormir na casa dela. Combinaram da mãe passar pra buscá-la. Lisa saiu do trabalho depois da meia-noite. Juliano já estava dormindo, então Kaori avisou tudo certinho antes. Quando a mãe estava chegando, ela desceu pra esperar na portaria. Ficou mexendo no celular distraída quando Thomás apareceu ao lado dela e falou: — Daora sua blusa, curti. Bem melhor que pijama. Kaori sorriu e respondeu: — Eu moro no quarto andar, sabia? Ele riu, disse com deboche. — Ah, com certeza mora. Lisa chegou e Kaori se despediu. Thomás também estava arrumado. Dentro do carro, Kaori cumprimentou Ivone, uma colega de sua mãe. Lisa avisou que ia sair e que Kaori iria junto. Kaori reclamou: — Podia ter avisado. Eu tinha me vestido melhor. Poxa, sair de calça e moletom é f**a né. Lisa riu e disse que ela estava ótima, perfeita pra não chamar atenção de ninguém. As duas, estavam bem arrumadas, maquiadas. Foram para um barzinho. Kaori sentou no balcão e pediu um suco. As duas estavam animadas, logo saíram cumprimentando as pessoas e foram dançar forró. Kaori ficou observando tudo, entediada, mexendo no celular. Foi então que um rapaz encostou ao lado dela, pediu uma cerveja e se ofereceu pra pagar uma também. Ela agradeceu e disse que não bebia. Ele então chamou ela pra dançar. Kaori recusou. Ele se aproximou mais e falou: — Moça, quem sai de casa pra ficar mexendo no celular? Só uma música, depois você volta pro mundo virtual. Kaori respondeu séria, já incomodada: — Você acha mesmo que eu tenho cara de quem dança isso? Dá licença. Ele respondeu com deboche: — Realmente, você não tem cara de quem sabe dançar nada. Metidinha demais pra isso. Tá no lugar errado, princesa. Kaori bloqueou a tela do celular e olhou pronta pra xingar ele, mas nesse momento a mãe dela se aproximou junto com Ivone e disse: — Pelo jeito vocês já se conheceram, que ótimo. Kaori, esse é o Rui, filho da Ivone. Rui sorriu de lado e falou, bem cínico, que ela era muito simpática e que quase estavam indo dançar juntos. Kaori, séria, olhou pra mãe e perguntou: — Mãe, vamos ficar muito aqui? Tô com dor de cabeça. Lisa respondeu que tinham acabado de chegar e que ela devia tomar alguma coisa pra relaxar. Rui então falou baixo, só pra Kaori ouvir: — Deve ser essa música, esse ambiente grotesco que tá te deixando irritada. Kaori respondeu no mesmo tom: — Não. É só você mesmo que tá me irritando. E eu sei dançar, tá? Só não quero dançar com você. Rui começou rir e foi dançar. Kaori ficou a noite inteira no celular. Antes de ir embora, Ivone e Rui foram se despedir. Rui se aproximou e disse só pra ela ouvir: — Não é vergonha não saber dançar. Vergonha é mentir. Kaori respondeu fria: — Não pedi sua opinião. As mães deles não ouviram nada. Depois ela foi pra casa da mãe. Assim que chegaram, Lisa falou que ela não devia ter ido atrás dela pra ficar daquele jeito a noite toda. Kaori respondeu que não estava animada, mas queria ficar com ela. Lisa falou irônica: — Não fala comigo há dias e agora quer minha companhia. Kaori então falou que estava chateada pela forma como tinha sido tratada no dia em que a mãe a pegou escondida, Lisa pediu desculpas. Perguntou quem estava lá com ela. Kaori mentiu, dizendo que era só um amigo. Lisa quis fazer mais perguntas, mas Kaori evitou, dizendo que eles já tinham terminado porque ela queria focar nos estudos.
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