Capítulo 41

1249 Words
Kaori pagou metade da viagem. No domingo de manhã, os dois ainda estavam na cama quando ela se levantou para tomar banho e voltou usando uma lingerie sexy. Começou a fazer tudo aquilo que sabia que Daniel gostava e, no meio da relação, ele soltou um “eu te amo, minha gata”. Kaori ficou surpresa, porque nunca tinha ouvido aquilo daquela forma antes. Gostou muito, e tudo o que acontecia a cada dia só confirmava que ela estava no caminho certo. Foram embora no domingo à tarde e, assim que chegou, Kaori foi até a casa de Thomás. A avó dele contou que ele estava no hospital com Rafaela, porque ela tinha tomado muitos remédios e precisou fazer uma lavagem. Kaori ligou para Rafaela, mas a chamada caiu na caixa postal. Depois ligou para Bibi, porque precisava pedir ao namorado dela o número de Thomás. Não contou o que estava acontecendo, com medo de expor Rafaela. Bibi até insinuou que não queria qualquer envolvimento com Kaori e as confusões dela, como se acreditasse que existia alguma coisa entre ela e Thomás. Kaori não deu importância, agradeceu e, em seguida, ligou para ele. Thomás explicou que não tinha sido nada tão grave e que também não havia sido uma tentativa de suicídio. Segundo ele, Rafaela só queria dormir por mais tempo, tentando pular os dias difíceis que ainda teria de enfrentar. Quando Kaori disse que queria ir visitá-la, Thomás respondeu que seria bom, porque ele precisava passar em casa para tomar banho e trocar de roupa. Kaori ainda estava no quarto quando foi sair e, distraída, acabou contando ao pai para onde iria e o que tinha acontecido. Ele percebeu a mentira sobre o fim de semana na mesma hora, começou a confrontá-la e quis saber onde ela realmente tinha estado e com quem. Kaori disse que contaria tudo quando voltasse do hospital. O pai chamou sua atenção e deu um ultimato, mas ela fingiu concordar, já decidida a se mudar primeiro e avisar somente depois. Quando chegou ao hospital, Rafaela estava dormindo e Thomás parecia péssimo. Os dois se abraçaram e ele disse que, se soubesse que ela ficaria tão m*l, teria simplesmente aceitado fazer tudo o que Rafaela tinha planejado. Saíram do quarto para conversar e, quando Kaori voltou, Rafaela já estava acordada e perguntou por ele. Kaori sentou ao lado da cama e disse que tinha ido até lá para fazer companhia e saber como ela estava. Rafaela respondeu quase chorando: — Não era pra ninguém saber de nada. Eu tô com tanta vergonha de mim mesma agora. Kaori disse que ela não tinha motivo algum para sentir vergonha, sentou na beirada da cama e tentou conversar sobre assuntos que não fossem gatilhos. Começou a falar de Joyce e Rafaela acabou rindo quando entraram no assunto do nome do bebê. Ela segurou a mão de Kaori e disse: — Ninguém além de você e do meu pai veio me ver. Não tenho amigas porque afasto todas elas. Obrigada por isso, de coração. As duas se abraçaram e Kaori respondeu: — Não foi nada. Menti que estava com você o fim de semana todo, então obrigada por ser minha cúmplice. Rafaela disse que não era cúmplice, que estava mais para uma laranja, e as duas começaram a rir. Kaori continuou: — Às vezes as coisas ficam difíceis mesmo e tá tudo bem não estar bem. Pode contar comigo sempre. Não sinta vergonha de nada, tá bom? Rafaela disse que estava muito grata pela amizade dela, e Kaori respondeu: — São seus olhos. Adoro olhos verdes, você sabe. Foi isso que me conquistou, gatinha. Bibi é passado, agora tô na onda da Rafa. As duas começaram a rir novamente. Rafaela, mesmo fragilizada, disse que Kaori precisava fazer as pazes com Bibi, porque era um desperdício continuarem brigadas. Kaori pediu que ela não falasse mais sobre aquilo, porque ainda estava muito magoada com Bibi. Pouco depois, Thomás voltou com um presente para Rafaela. Era uma aliança nova de noivado. Ele a pegou de surpresa e falou: — Se você tem alguma dúvida do quanto eu te amo, quero que isso fique pra trás. Você é minha parceira de vida, minha melhor amiga, e eu quero oficializar isso. Quer casar comigo, Rafaela? Kaori ficou de boca aberta. Foi um momento muito bonito e emocionante. Rafaela respondeu: — Você foi o capítulo mais bonito que Deus escreveu na minha vida, meu amor. Amo você e, sim, eu aceito. Você me faz a mulher mais feliz do mundo. Obrigada por não desistir de mim e se dedicar tanto a tudo o que envolve nós dois. Os dois chegaram a chorar. Rafaela pediu para Kaori tirar uma foto deles, para guardarem de recordação. Kaori só queria ir embora e deixá-los à vontade logo, mas ficou muito feliz por ver que os dois tinham se entendido. Saiu do hospital com um convite para ser madrinha do casamento deles. Enquanto voltava para casa, Kaori conversou com Daniel e contou tudo o que tinha acontecido. Ele perguntou se ela também tinha vontade de noivar e casar. Kaori respondeu que sim, mas que tudo precisava acontecer no momento certo. Teve sorte ao chegar e não encontrar o pai em casa. Saiu cedo na segunda-feira, que já era a semana do seu aniversário. Ainda tinha esperança de ganhar um celular bom e, por isso, continuava enrolando na casa do pai. Rafaela estava organizando uma festa para ela no trabalho, a mãe disse que iria e vários amigos também, menos Bibi. Sua habilitação finalmente chegou e o pai ficou um pouco mais tranquilo, querendo saber apenas sobre o namorado. Kaori disse que, no dia do aniversário, levaria Daniel para conhecê-lo. Os dois estavam muito bem até quinta-feira, quando Daniel deu um bolo nela. Sumiu por horas sem avisar e depois apareceu dizendo que tinha acontecido um problema em casa. Nesse período, Kaori acabou ficando um pouco mais próxima de Joyce. Como Joyce era poucos anos mais velha do que ela, tinham muitos assuntos em comum e gostavam de assistir às mesmas coisas. Na sexta-feira, Kaori marcou um jantar para levar Daniel em casa. Ela mesma cozinhou com a ajuda de Joyce. Ele estava atrasado e iria direto do trabalho. Kaori ligou perguntando o que estava acontecendo, e Daniel disse que se atrasaria mais um pouco. Uma hora depois, mandou mensagem dizendo que não conseguiria ir. Kaori ficou muito brava e nem respondeu, porque aquela era a oportunidade perfeita para ele impressionar o pai dela e ele tinha estragado tudo. No sábado, Lisa foi buscá-la no trabalho, entregou as chaves do carro e disse que ele seria todo dela até segunda-feira. Depois foram ao salão, fizeram as unhas e o cabelo e comentaram sobre a festa. O pai também iria. Lisa garantiu que ficaria no canto dela, sem criar problemas. Rafaela tinha reservado um camarote como presente, Thomás pagaria algumas bebidas e ninguém precisaria pagar entrada. Kaori estava muito animada, porque tudo parecia estar dando certo. No fim da tarde, deixou a mãe em casa. Mesmo insegura, decidiu ficar com o carro e estava adorando, apesar do medo. Voltou para casa e começou a se arrumar. Joyce estava passando muito m*l, vomitando, mas ainda assim entregou a Kaori um tênis de trezentos e cinquenta reais como presente. Disse que não iria à festa, porque as luzes faziam o enjoo e a tontura piorarem. Kaori imaginou que ela também estivesse tentando evitar a mãe, o que naquele momento parecia ótimo.
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