Capítulo 40

1110 Words
Depois do trabalho, Kaori foi para casa já esperando ouvir um monte de reclamações por tudo, principalmente por ter levado Daniel até lá. Quando entrou, deu de cara com os dois na sala. — Oi. Os dois responderam ao cumprimento. O pai perguntou se ela ia sair. — Não sei. Por quê? Não posso? Ele respondeu sério, tentando manter a paciência: — Queremos conversar com você. A Joyce estava se sentindo m*l pelas coisas que você disse na frente dela ontem e pela forma que ela falou com você na minha ausência. Podemos conversar, filha? Kaori respondeu que só iria tomar banho antes. Quando voltou, os dois estavam na cozinha picando cebola, alho, tomate e cheiro-verde. Ela sentou no balcão e ficou quieta observando os dois. O pai começou a falar: — Não sei o que sua mãe te contou, mas não temos por que mentir. Você é minha filha, é adulta, ou pelo menos já tem idade para ser. O que eu faço da minha vida não lhe diz respeito. Se eu namoro ou não qualquer pessoa, isso é problema meu. Lógico que, para um bem maior da família, quero todos em harmonia. Por isso queremos esclarecer as coisas por aqui. Joyce, você era minha amante enquanto eu era casado com a Lisa? Joyce balançou a cabeça negativamente. Kaori sorriu de forma irônica e respondeu, provocando: — Aham, entendi. Só isso? O pai continuou: — Me apaixonei por ela enquanto ainda era casado, mas ela não aceitou ter nada além de amizade comigo. Eu escolhi ficar com ela porque me vi dentro de um casamento falido, acabado. Quando contamos para você e seu irmão, nós já estávamos m*l havia muito tempo, e sua mãe sabia disso. — Ela queria tentar, pediu mais tempo. É muito complicado, você não entende dessas coisas, Kaori, porque ainda é muito nova. Nunca teve um relacionamento sério, com rotina, responsabilidades e todos os problemas que um casal enfrenta. Joyce também falou que eles só estavam querendo noivar e casar porque já não eram mais tão jovens, e que a gravidez havia sido uma surpresa completamente inesperada. Kaori sorriu novamente com ironia, mas permaneceu em silêncio, apenas ouvindo. Joyce ofereceu um pouco do recheio que estava preparando. Ela aceitou. Joyce serviu um pouco e também pegou um copo de suco para ela. Nesse momento, o pai saiu da cozinha para atender o telefone. Joyce aproveitou para dizer: — Eu não falei nada para ele sobre o rapaz que vi saindo daqui de casa, porque não tenho motivo nenhum para entrar em guerra com você. Kaori respondeu: — Obrigada. Meu pai fica tratando a minha mãe m*l, e eu não gosto disso. Se ele quer recomeçar, tudo bem, mas não é certo ele desfazer tanto dela e ficar fazendo a gente escolher um lado. Se fosse ela atormentando vocês de qualquer forma, eu também não iria gostar. Enfim... meu problema não é com você. Joyce respondeu que não queria colocar ainda mais fogo na rivalidade entre eles e contou que nem mesmo deixou o pai contar da gravidez para outras pessoas. As duas conversaram um pouco sobre o bebê. Kaori perguntou como havia sido a consulta. O pai voltou logo depois, aparentando estar muito feliz. Mesmo assim, Kaori o conhecia bem o suficiente para saber que tudo o que havia lido nas conversas dele com sua mãe era verdade. Ela permaneceu um pouco mais com os dois. Depois comentou que passaria o fim de semana com alguns amigos. Inventou a história de um sítio pertencente a familiares deles e colocou Rafaela no meio da história. O pai ficou totalmente contra a ideia. Joyce, porém, respondeu: — Ela está avisando, dando satisfação. Isso já é uma coisa boa, porque muitos jovens nem fazem isso. No fim, ele não a proibiu de ir. Kaori subiu até o apartamento de Thomás. Aos sábados, Rafaela quase sempre estava lá. Quando se aproximou da porta, ouviu os dois discutindo. Ela precisava combinar a mentira com Rafaela, porque, na verdade, iria viajar com Daniel. Sentou na escada por alguns minutos, esperando que eles parassem de discutir. De repente, ouviu a porta bater. Levantou rapidamente e quase trombou com Thomás na porta das escadas. Ele estava com os olhos vermelhos e aparentava ter chorado. Passando por ela, disse apenas: — Ela saiu... e não vai voltar. Ele desceu as escadas acompanhado de Aslan. Kaori foi atrás. Perguntou o que havia acontecido. Ele respondeu apenas que estava cansado dela. Quando chegaram ao térreo, Kaori comentou que iria para casa ligar para Rafaela. Thomás respondeu: — Não vai adiantar. Ela não vai falar com ninguém durante alguns dias. Kaori voltou para casa, pegou sua bolsa e foi até a casa de Rafaela. Ela atendeu chorando. Assim que abriu a porta, perguntou: — Você veio aqui a pedido dele? Kaori respondeu que não, até porque Thomás havia dito que ela nem a receberia. Rafaela respondeu: — É porque ele acha que eu sou louca. Mas a culpa de tudo é dele. Estou tentando fazer tudo dar certo, me esforçando para agradar ele, e o que eu ganho em troca? Isso me magoa demais. — Há semanas organizei tudo para a gente comemorar, fiz uma reserva em um motel maravilhoso, para ele dizer que era uma bobagem desnecessária. Faz semanas que a gente não tem relação de verdade, sabe, Kaori? Naquele dia eu bebi um pouco para ajudar, mas ele ficou bravo comigo e nem aconteceu nada. Ela chorava compulsivamente enquanto falava. Kaori a abraçou e permaneceu ali, apenas ouvindo e oferecendo um ombro amigo. Naquele momento, ela nem sabia o que dizer. Daniel ligou. Já estava praticamente na hora combinada para viajarem. Kaori chegou a pensar em desistir da viagem. Rafaela, porém, respondeu que não queria que ela perdesse uma viagem romântica para ficar fazendo companhia a ela. Kaori voltou para casa, arrumou suas coisas e se despediu rapidamente do pai e de Joyce para evitar perguntas. Daniel passou para buscá-la. Os dois seguiram para um chalé em um resort com trilhas e cachoeiras. Tiraram muitas fotos. Foi um fim de semana maravilhoso, repleto de romance e de uma sintonia que parecia perfeita para os dois. Antes de dormir, pesquisaram juntos lugares para alugar e finalmente morar juntos. Daniel ficaria responsável pelo aluguel e pelas compras da casa. Kaori pagaria as contas de água, luz, internet e gás. Os dois pensaram em tudo nos mínimos detalhes. A única preocupação de Daniel era a reação dos pais dela. Durante toda a viagem, Kaori tentou falar várias vezes com Rafaela, mas as ligações sempre caíam na caixa postal. Rafaela já havia avisado que ficaria alguns dias completamente offline.
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