Capítulo 24

1019 Words
Daniel não gostou, mas teve que aceitar. Levou ela pra casa sem reclamar e nem insistiu em mais nada. Antes de Kaori descer, ele pediu um beijo. Ela deu apenas um selinho. Ele riu. — Você é muito ruim... vingativa. Kaori sorriu. — Tá pedindo greve de s.exo, gatinho? Daniel riu. — Você não faria uma maldade dessas comigo, né minha gata? Kaori respondeu que talvez. Antes de dormir, mandou uma foto de lingerie pra ele, dizendo pra ele brincar sozinho pensando nela. Daniel respondeu mandando um vídeo fazendo exatamente o que ela tinha pedido. Depois Kaori mandou outro vídeo se tocando e os dois ficaram trocando provocações até tarde. Na quinta-feira, Kaori precisou trabalhar até mais tarde e só teve tempo de tomar banho e pegar uma fruta em casa antes de sair pro curso. No caminho, o pai foi falando sobre uma briga que teve com Joyce. Kaori aproveitou pra perguntar há quanto tempo estavam juntos. Ele respondeu que nem sabia direito. Kaori olhou séria pra ele. — Pai... ela era sua amante? Ele respondeu bem calmo que não, e perguntou se a mãe dela tinha falado alguma coisa. Kaori falou: — Não. Por quê? Ela tem algo pra falar? O pai começou um discurso machista, dizendo que a mãe estava inconformada, com dor de cotovelo, que ela nunca teve carreira porque era preguiçosa, que ele nunca proibiu ela de trabalhar, chamou ela de ingrata, mimada e preguiçosa. Kaori ficou irritada, respondeu. — Não vou discutir isso, mas ela sempre foi muito parceira sua e não merece ser chamada assim. O pai ficou quieto por um momento e depois concordou. — Você tem razão. Vocês filhos não têm que se meter nisso. Kaori entrou atrasada no curso e o celular começou a tocar. Era Daniel. Por mensagem ele disse que queria ficar com ela e pediu que faltasse. Kaori respondeu que já estava lá dentro e não podia sair. Comentou que tinha chegado atrasada e que estava morrendo de fome. Daniel se ofereceu pra levar um lanche no intervalo como pedido de desculpas pela noite anterior. Kaori disse que não precisava, porque sempre compravam alguma coisa lá, mas quando deu o horário ela viu que ele estava esperando. Saiu rapidinho, pegou o lanche e só deu um beijo rápido pela janela do carro antes de voltar. Ele tinha levado pão de queijo, coca-cola, chocolate e chicletes. Depois, ele mandou mensagem: — Desculpa, hoje não vou conseguir te pegar. Vou ficar com a Cíntia depois que buscar ela. Mas amanhã eu vou. Não fica brava comigo. Kaori respondeu: — Eu tinha esquecido disso. Tudo bem, sem problemas. Vou pedir pro meu pai vir me buscar. Só queria mesmo uns beijos, mas oportunidades não vão faltar. Daniel concordou com ela. Quando o curso acabou, Kaori ligou para o pai, mas ele não atendeu. O pessoal foi indo embora aos poucos e, sem muita opção, Kaori acabou dividindo o Uber com a colega do cursinho. Desceu primeiro em casa e, antes de sair do carro, aproveitou para falar sobre a ideia de saírem no sábado, talvez para algum barzinho ou balada. A menina gostou bastante da ideia e disse que topava. Já era bem tarde, passava das 23h30, quando Kaori entrou no condomínio e encontrou Thomás na portaria saindo. Os dois se cumprimentaram e ela comentou que ele tinha muitos hábitos noturnos, típicos de músico. Ele riu e respondeu que ela também não era diferente, já que nunca se encontravam ali durante o dia. Thomás comentou sobre o horário de trabalho dele em uma loja, e Kaori aproveitou para falar que estava fazendo cursinho para tirar habilitação. Ele sorriu e respondeu: — Show, que bom, hein. Então aquele dia você saiu correndo e a gente nem pôde conversar direito. Kaori respondeu andando, já se afastando um pouco: — Essa semana tô super cansada, mas se quiser repetir é só falar. Fumar, tá? O beijo eu só posso decidir na hora! O Uber dele chegou e Thomás entrou rindo, balançando a cabeça. — Você é doidinha. Kaori sorriu. — Tchau. Subiu para o apartamento e, assim que entrou, ouviu a televisão ligada. O pai estava dormindo no sofá, largado, com a TV ligada. Kaori postou no status o lanche da noite e Bibi respondeu quase na hora. Kaori contou que Daniel tinha levado para ela e aproveitou para chamar a amiga para ir no salão com ela no dia seguinte depois do trabalho. Bibi aceitou, mas parecia um pouco indignada. No dia seguinte, foram juntas ao salão. Kaori tinha marcado unha e aproveitou para fechar o pacote de lavagem e escova. Cíntia estava toda animada, contando que naquele fim de semana iam começar a montar os móveis na casa nova. Falava da decoração, dos detalhes e de como estava ansiosa para finalmente morar lá. Bibi ficou observando tudo em silêncio, claramente incomodada. Quando saíram do salão, ela praticamente parou Kaori no meio da rua, falou olhando séria para ela. — Você precisa parar com isso. Kaori tentou se fazer de desentendida. — Parar com o quê? Bibi bufou. — Com isso tudo. Você tá indo longe demais. Salão da noiva? Conversinha? Pacotinho de cabelo? Acorda. Kaori respondeu calma: — Eu não vou fazer nada com a Cíntia. Só quero saber a versão dela do relacionamento deles. Bibi cruzou os braços e respondeu, sem rodeios: — A versão é uma só, acorda Kaori. Eles se amam e ele não presta. Você tem que largar ele. Se alguém ficar sabendo vai sobrar pra você, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco. Essas coisas não dão certo nunca. Kaori ficou quieta por alguns segundos, absorvendo aquilo, mas logo respondeu tentando se defender. — É totalmente diferente, o que temos. Eu não obrigo o Daniel a ficar comigo. Bibi balançou a cabeça, sem acreditar. — Sua paixão só dura enquanto ele tem mulher. Depois que ele largar, você vai perder o interesse. Aquilo mexeu com Kaori de um jeito que ela não quis demonstrar. Porque no fundo, mesmo negando, uma parte dela sabia que Bibi talvez conhecesse ela melhor do que qualquer outra pessoa.
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