Capítulo 29

1640 Words
Rafaela era uma fofa e aquilo incomodava um pouco Kaori, mas, levando em conta que nada tinha acontecido, ela estava de boa com ela. Quando foi deitar, o irmão perguntou onde ela estava. Kaori respondeu a verdade, então ele perguntou se ela ainda estava fazendo merda. Ela respondeu que não estava fazendo nada demais. Ele começou a dizer que ela devia aproveitar as oportunidades que o pai estava dando. Kaori respondeu que era exatamente isso que estava fazendo. No domingo, logo cedo, Kaori perguntou se ele tinha falado com a mãe deles. Miyuki respondeu que ela não tinha atendido nem respondido às mensagens. Kaori o chamou para ir até lá com ela bem cedo para vê-la, mas ele não quis de jeito nenhum, bancando o orgulhoso. Enquanto foi organizar a mesa do café, viu o pai e Joyce combinando de sair antes de levarem Miyuki para a rodoviária. Kaori ficou abismada com o pouco caso do irmão com a própria mãe. Depois que eles saíram, Kaori ficou em casa tentando fazer contato com a mãe, mas foi ignorada também. Resolveu deixar aquilo para lá. Miyuki foi embora e, na segunda-feira, ela começaria as aulas práticas de carro na autoescola. Marcou as aulas para depois do trabalho. No dia seguinte durante o trajeto do trabalho até a aula, trocou poucas mensagens com Daniel. Ele parecia agir normalmente, mas Kaori fazia questão de parecer desinteressada. A semana foi extremamente corrida e pesada. Ela fazia três aulas todos os dias e ficou completamente pilhada consigo mesma. Além disso, ainda tinha o curso noturno uma vez por semana. Daniel passou a dar mais aulas durante o dia e, justamente no dia em que Kaori tinha o curso, ele ficava livre fora da escola. Na quinta-feira, ele quis encontrá-la, mas ela iria direto do trabalho para a aula prática e ainda teria o curso noturno depois. Não quis encontrá-lo porque não estaria de banho tomado, nem arrumada, então respondeu que não daria. Daniel falou claramente que eles não continuariam juntos depois do casamento. Disse que estava montando os móveis da casa e percebendo o quanto tudo aquilo era sério. Pediu para que ela tentasse aproveitar ao máximo as últimas semanas deles juntos. Com todo aquele drama e sem tra.nsarem havia semanas, Kaori resolveu fazer um esforço. Pediu para Rafaela passar na casa dela só para procurá-la, de forma que o pai a visse. Quando Juliano a buscou na autoescola, perguntou sobre a amizade dela com Rafaela. Kaori contou que Rafaela era muito legal, e que queria muito que ela fosse comemorar o aniversário de um amigo deles. O pai dela perguntou se ela iria e ela respondeu: — Não sei, tô cansada. Essa semana tá difícil. Ele a incentivou a ir, afinal ainda era cedo, por volta das dezenove horas. Kaori foi para casa se arrumar enquanto conversava com Daniel, mandando fotos de lingerie. Ele pediu para que ela fosse até a casa dele. Ela pegou um Uber e seguiu o esquema de sempre. Assim que entrou, já na sala percebeu que a casa estava diferente. A mobília aumentava a cada semana. Daniel estava na cozinha instalando um varão de cortina. Ela falou "oi", aproximou-se e ele a colocou sentada sobre o balcão da cozinha. Os dois se beijaram. Depois ele a abraçou e disse que estava com saudades. Enquanto conversavam, ele permanecia entretido com o serviço do varão. Kaori disse que iria ao banheiro e aproveitou para pegar uma chave que estava ali. Era a chave do portão. Achou que poderia ser útil. Depois resolveu olhar a casa inteira. Tirou os tênis ainda na sala. O quarto já estava praticamente montado. Havia um guarda-roupa enorme, com espelho na porta, lindíssimo. Tirou uma foto vestida e outra usando apenas a lingerie. Parou na porta da cozinha e disse: — E aí, vamos matar as saudades ou não, gatinho? Daniel sorriu, chamou-a de doidinha e foi logo beijando-a. Os dois seguiram para o sofá. Ele demonstrou receio de sujá-lo de alguma forma. Então Kaori o chamou para irem para o tapete. Durante o momento de i********e, Kaori percebeu que ele estava diferente, mais desligado, frio. Então perguntou se estava tudo bem. Ele respondeu que sim. Ela insistiu: — Olha pra mim e me fala o que está acontecendo. Cansou de mim? Os dois estavam sentados, abraçados, frente a frente, unidos completamente. Daniel olhou nos olhos dela e respondeu: — Não vou nunca me cansar de você. Quando isso tudo acabar, vou sentir sua falta todos os dias. Tô com a cabeça cheia com os preparativos. A Cíntia tá me deixando louco. Kaori perguntou o motivo e se colocou à disposição para ouvi-lo. Daniel respondeu que não queria falar sobre aquilo, que só queria esquecer. Continuaram tra.nsando, trocando carinho, ele confessou que estava triste, só de pensar em ficar sem ela. Aquele momento acabou sendo até mais intenso entre eles. Daniel repetiu várias vezes que adorava estar com ela. Depois foram tomar banho juntos. Dessa vez foi Kaori quem resolveu se abrir. Falou sobre Bibi, que praticamente havia sumido por causa do novo ficante e também porque não aceitava o relacionamento dela com Daniel, acabando por se afastar. Comentou ainda sobre os pais e sobre o noivado do pai. Daniel respondeu que ela precisava ter paciência, porque, na situação deles, não tinham muita moral para apontar erros no relacionamento dos outros. Como o tempo que tinham juntos era curto, resolveram fazer um pacto: aproveitar ao máximo até o casamento, mesmo que nem sempre fosse possível terem momentos de i********e. Daniel perguntou se aquilo não era r**m para ela. Disse que talvez o melhor fosse justamente o contrário, começarem a se afastar aos poucos, já que tudo acabaria. Kaori então perguntou: — Você tá com medo de mim ou de você mesmo? Ela continuou: — Eu sei que o que eu faço não é certo. Você sabe que eu gosto disso, do perigo. Tudo isso me excita. E com você tenho uma química que nunca tive com mais ninguém. Mesmo contrariado, Daniel aceitou o acordo, mas disse que seria difícil conseguir tempo livre. Kaori resolveu desmarcar algumas aulas e sustentou em casa a mentira de que continuava fazendo todas normalmente. Os dois já começaram a marcar os próximos encontros antecipadamente. Na sexta-feira, conseguiram ficar juntos novamente. Foram para a casa dele durante a tarde. Depois que ficaram juntos, permaneceram abraçados. Foi então que Daniel disse algo que fez Kaori refletir bastante: — Acho você tão linda... até madura pra sua idade. Eu me envergonho de ter colocado você nisso. Não quero ser aquele cara que te contou mentiras. Tento ser o mais sincero possível com você, mas sempre sinto que estou em dívida. Não é justo pra ninguém isso tudo. Kaori perguntou por que ele estava dizendo aquilo. Daniel respondeu que já estava pagando pelos próprios erros. Dormia m*l, descontava em Cíntia coisas pelas quais ela não tinha culpa e vivia com medo de ser descoberto. Kaori tentou deixá-lo mais confortável. Ela nunca fazia cobranças, mas, no fundo, não sabia como reagiria se ele realmente resolvesse deixá-la de vez. Ele parecia culpado e arrependido. Normalmente ela até achava graça daquele sentimento de culpa, mas, dessa vez, ficou triste e insegura. Ainda assim, na cabeça dela, Daniel jamais conseguiria abandoná-la. Depois dali, Kaori foi direto para o salão fazer o cabelo. Cíntia estava toda animada porque familiares viriam de outra cidade para o casamento. Kaori permaneceu mais quieta. Na verdade, Cíntia estava começando a irritá-la. Percebendo isso, Cíntia perguntou se estava tudo bem. Kaori resolveu desabafar, falando m*l do "namorado". Disse que ele terminava e voltava quando queria, usando-a sem a menor responsabilidade afetiva. Muito solidária, Cíntia perguntou por que ela não dava um tempo para tentar conhecer pessoas novas. Kaori respondeu que era difícil porque era muito fechada. Cíntia então perguntou: — Vocês estão largados agora? Kaori respondeu que sim e que tinha certeza de que, na segunda-feira, ele mudaria de ideia. Toda animada, Cíntia largou o cabelo de Kaori e foi buscar o celular. — Então até segunda-feira você pode tudo. Vou te mostrar meu irmão. Ele é solteiro, super fofinho... um gato! Ela mostrou uma foto. O rapaz era realmente bonito, tinha olhos claros, cabelo comprido e uma aparência bem jovem. Na mesma hora, Cíntia mandou mensagem para ele dizendo que queria apresentar uma colega. Comentou que eles tinham tudo a ver: gostavam do mesmo estilo musical, tinham gostos parecidos e quase a mesma idade. Ela ainda disse para o irmão que queria que eles se conhecessem antes do casamento, porque Kaori não queria ir sozinha. Kaori ficou completamente constrangida. O pior foi o rapaz responder que nem queria ver uma foto dela. Preferia um encontro às cegas, intermediado pela irmã. Kaori ficou lendo toda a conversa dos dois sem saber se aquilo era bom ou r**m. Cíntia perguntou se ela toparia conhecê-lo no sábado seguinte. Naquele momento, Kaori começou a achar tudo muito estranho. Pensou até que pudesse ser uma armadilha, imaginando que Cíntia talvez soubesse de tudo e estivesse tentando fazê-la cair em alguma situação. Por isso respondeu que teria vergonha de encontrá-lo perto da família dela, já que Cíntia queria levá-la justamente para uma festa na casa deles. Kaori sugeriu então que o encontro fosse na balada onde Rafaela trabalhava. Lá ela se sentiria mais segura. Disse que chamaria Bibi e Diego também. Os dois marcaram para o sábado, às vinte e uma horas, no balcão ao lado do caixa. Ele iria de camiseta azul. Kaori já sabia quem ele era. Ela iria usando um vestido preto de alcinha. Cíntia respondeu que queria manter tudo como surpresa e que não mostraria nenhuma foto dela ao irmão. No sábado, Kaori foi trabalhar e não contou a verdade para Bibi. Apenas disse que tinha um encontro às cegas. Bibi ficou toda animada com a ideia.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD