Capítulo 110

1914 Words
Capítulo 68 Foram para o banheiro tomar banho juntos, depois para o quarto. Estavam no maior fogo, começando com as preliminares, quando ouviram a bebê chorar. Ela pediu pra ele acabar rápido, disse que não estava se concentrando, curtindo, com a Maria Cecília chorando. Ele falou que tinham acabado de começar e que não queria só acabar rápido à toa. Ela fez ele parar, levantou correndo, disse que ia só ver o que estava acontecendo. Ela se vestiu e foi no quarto da Bibi. A Maria Cecília estava na cama, chorando muito, enquanto a Bibi só olhava pra ela, também chorando. A Kaori foi pegando a menina, trocou a fralda, perguntou se ela tinha mamado e quantas vezes enquanto ela esteve fora. A Bibi respondeu: — Eu não sei… dói demais, eu não consigo. Não sei se ela tá cheia… eu não sei o que ela quer! Irritada, a Kaori pediu pra ela tentar dar o peito pelo menos um pouco, pra acalmar a Maria. A Bibi deu até ela pegar no sono. Chorando, disse que não ia dar conta, que sentia nojo de amamentar. A Kaori respondeu, sentada na cama, com a Maria Cecília no colo: — Quando você vai no médico de novo? Ela é prematura, tem a imunidade baixa porque você bebeu, se drogou a gravidez toda. Se você não amamentar, eu não sei o que vai ser dela, Bibi… é sério, ela precisa muito disso! Ela se desculpou, disse que precisava passar alguma coisa, fazer algo com os s***s porque era horrível aquilo. A Kaori disse que ia ver o que podiam fazer no dia seguinte. Ela foi para o quarto com a Maria Cecília, enrolada em um cobertor azul que era do Victor. O William estava dormindo, deitado de bruços, de cueca. Ela apagou a luz, deitou abraçada com a bebê. Ele perguntou, sonolento, se ela ia bancar a babá a noite toda. Ela disse que provavelmente sim. Ele perguntou se ela queria que ele fosse embora. Ela disse que não queria, mas que era melhor, porque iam trabalhar cedo no dia seguinte. Ele se vestiu, ficou um pouco sentado na cama, em silêncio, olhando as duas. Antes de ir embora, perguntou se ela tinha uma resposta pra dar sobre o pedido de namoro. Ela respondeu, sem jeito: — Não faz isso… poxa, a gente não precisa se apressar tanto assim. Eu só fico com você, não quero nada com mais ninguém. Por que você tá insistindo tanto? Ele respondeu chateado: — Só queria uma posição sua. Você fala como se fosse algo r**m namorar comigo?! Não entendo isso. Ela disse que só estava cansada de tudo, sem cabeça pra pensar naquilo. Ele falou que estava fazendo de tudo pra ajudar ela, que não pedia muito, mas que queria ter certeza de onde estava entrando. Ela ficou quieta, não gostou dele falar que ela não passava confiança. Ele foi embora bravo, nem se despediram com beijo. No dia seguinte, ele mandou mensagem de bom dia. Ela respondeu e falou que não podia ficar com ele por causa do trabalho. Ele respondeu: “Você que sabe o que é melhor pra si mesma.” Ela disse que estava triste e que não queria acabar daquele jeito, mas que não tinha opção. Ele não quis muito papo. No trabalho, nem foi falar com ela. Já estavam distantes há dias. No final do dia, quando ela foi pra casa, a maior vontade era falar com ele, voltar atrás, mas ela sabia que as consequências podiam ser graves. A casa estava do jeito que ela deixou. Maria Cecília sem banho, com a mesma roupa da noite anterior e molhada de xixi. A Bibi estava deitada na sala e a Maria no carrinho. A Kaori ligou na farmácia pra pedir pomada, remédio pra ajudar com a amamentação. Perguntou por que a Bibi não tinha dado banho na bebê. Ela disse que ficou com medo, mas que ia dar. Claro que não deu, não fez nada em casa. A Kaori deu banho na Maria, fez o jantar, limpou a cozinha. Quando deu 20:00, já estavam as três na cama, prontas pra dormir. Na metade das vezes que a Maria acordava de madrugada, a Kaori acordava também pra ajudar e ter certeza de que a menina estava mamando certinho. Nos dias seguintes, ela se desdobrou pra cuidar de tudo. A Bibi não era capaz de dar um banho na Maria Cecília. Ela tinha medo e se culpava muito por tudo, chorava todos os dias. A Kaori dormia m*l, acordando várias vezes na noite, ia trabalhar cedo, dormia na hora do almoço, às vezes até ficando sem comer só pra poder dormir uma hora inteira. Ao chegar em casa, no final do dia, ela já ia tomar banho e dar banho na Maria em seguida. A Bibi começou a fazer algumas coisas em casa quando a cirurgia melhorou, mas nem carregava a Maria um minuto se a Kaori estivesse por perto. Ela disse que o leite estava secando antes da Maria completar um mês. A Bibi recebeu um salário do INSS e comprou fórmula pra poder parar de amamentar de uma vez. Assim que a Maria começou a tomar, as cólicas e os refluxos aumentaram. Ela chorava incontáveis vezes na noite e no dia, estava assada por causa do relaxo da Bibi. A Bibi estava relaxada com ela mesma também, passava dois dias sem banho, o cabelo, as unhas, sobrancelhas, tudo por fazer, de qualquer jeito. Quando a Bibi recebeu, as três foram no mercado fazer compras. Levaram a Maria no carrinho, embrulhada, estava um pouco frio. Compraram só o básico necessário. A Bibi pegou um pacote de doces que a Kaori gostava e falou que ela merecia muito mais, só que não podia dar no momento. A Kaori respondeu: — Não quero nada não… só que você cuide melhor da Maria. Ela tá toda assada, Bibi… você não tem dó? Ela não gostou, disse que não fez por m*l, que estava trocando a bebê várias vezes no dia, usando pomada, tudo certinho, disse que estava tentando. A Kaori disse que não adiantava se não desse um banho. As duas já ficaram de cara virada. Nos dias seguintes, a Bibi deu banho algumas vezes. Faltava uma semana para o casamento da Lisa. A Kaori não tinha roupa e nem vontade de ir. O William estava distante, raramente conversavam por mensagem. Os dois se desentenderam quando ele criticou a vida dela, falando da Bibi, da Maria. Ele notou que ela estava dormindo no almoço, que estava abatida, sempre parecendo cansada. Ela disse que não era da conta dele e que eles nem tinham nada pra ele se meter daquela forma. Ele disse que aquilo não era certo e que só queria o bem dela, que estava vendo ela se prejudicar com tudo aquilo. Pararam de conversar, ela que largou mão. Ela se organizou pra tentar ir no casamento. A Lisa quis ir conhecer a Maria, mas não deixaram. As pessoas próximas evitaram ir visitar elas por causa da bebê ser prematura e por causa da Bibi não estar bem. A Kaori queria ir na sexta-feira pra achar um vestido no sábado. A Bibi disse que não ia de jeito nenhum. Na sexta-feira à tarde, chamaram a Kaori no RH. Ela foi demitida. Falaram aquelas coisas clichês. Ela ficou arrasada, mas ia pegar um pouco de dinheiro, fora o pagamento do mês. Ela não chorou, se despediu das colegas, agradeceu algumas que eram mais chegadas. No início, ela teve certeza que foi por causa da encarregada e por causa do William, mas uma colega disse que falaram que o desempenho dela caiu muito nas últimas semanas. Na verdade, foi por causa dela estar dispersa, sempre com sono e cansada. Ela ficou arrasada. Precisava do emprego pra se manter. Saiu no mesmo horário de sempre, foi embora de ônibus. A Bibi estava mandando mensagem, perguntando se ela ia direto pra casa, se já estava chegando. Ela disse que sim e perguntou se ela tinha feito o que ela pediu, arrumando algumas coisas pra ela viajar. A Bibi visualizou e não respondeu. Ela foi pra casa normal, foi direto no quarto e não encontrou a Bibi. A Maria estava dormindo no carrinho. Ela chamou, olhou todos os cômodos. A menina estava sozinha em casa. Ela começou a tentar ligar, furiosa, querendo saber pra onde a Bibi tinha ido. Pensou várias coisas ruins, desesperada. A Bibi mandou uma mensagem falando que uma amiga dela ia chegar pra ficar com a Maria. Disse que só deixou a bebê 10 minutinhos e que precisava resolver uma coisa. A Kaori soltou os cachorros em cima dela, mandou áudio, mensagem, tentou ligar. Ela desligou o celular, ignorando. A Kaori ia pegar o ônibus em uma hora, mais ou menos. Pensou em levar a Maria. Não queria deixar ela com uma estranha, mas teve medo de, por não ser a mãe, não conseguir embarcar de uma cidade pra outra com a bebê. Ela começou a chorar com ódio. Arrumou a mochila, colocando as coisas da Maria junto das dela. O William chegou de surpresa. Ela foi no portão receber ele, perguntou o que ele queria, um pouco grossa. Ele disse que queria ver se estava tudo bem, que ficou sabendo que ela foi demitida. Ela agradeceu, começou a chorar. Se abraçaram. Ela disse que precisava ir pegar o ônibus, senão nem ia para o casamento da mãe. Já tinha comprado a passagem e nem tinha mais dinheiro pra ir no dia seguinte. A amiga da Bibi não tinha chegado ainda. Com a mochila pronta e a Maria Cecília trocada, a Kaori se sentou no sofá e falou, de cabeça baixa, com as mãos amparando a cabeça: — Eu não vou… tô com mau pressentimento. Minha mãe não vai me perdoar por isso. Ela não consegue entender! O William sentou ao lado dela e falou: — Você quer ir? Se não vai porque não quer, tá tudo certo… mas se você não vai por causa da sua amiga, tenho certeza de que você vai se arrepender. Ela disse que não ia dar certo, que iam ficar falando dela pelas costas. Ele perguntou se ela tinha que se importar com o que falavam, porque ela havia escolhido cuidar da menina e ninguém nem fazia ideia do que ela estava passando pela Maria Cecília. Ele a convenceu a ir. Acompanhou ela até o ponto de ônibus. Ele disse que ia esperar ela pra conversar e ressaltou que ia ajudar em tudo. Pediu pra ela mandar mensagens falando do casamento, de tudo. Ela saiu antes da amiga da Bibi chegar. Por sorte, conseguiu pegar o ônibus. Não era uma linha muito demorada, por isso não pediram documentos. A Lisa estava ansiosa pela chegada dela, mas haviam combinado do Juliano ver a Kaori na sexta-feira e a Lisa no sábado de manhã. O casamento ia ser em um sítio. A família dos noivos iam ficar lá o fim de semana todo. A Kaori avisou aos pais que estava chegando, não falou nada de estar levando a Maria Cecília. O Juliano disse que ia atrasar um pouco, mas que ia buscá-la como combinado. Ela guardou o celular e deu mamadeira pra Maria. Foi muito rápido. Ela deu mama, fez arrotar no modo automático e cochilou alguns minutos com a bebê no colo. A Maria se afogou com o refluxo, começou a sufocar. A Kaori despertou no susto, desesperada, sem saber o que fazer.
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