— Parece que nos encontramos de novo! – Damon tinha um sorriso ladino.
Laura podia ouvir o sarcasmo em sua voz, mesmo assim não entendeu o porquê de tanta hostilidade vindo dele, eles não se viam há um bom tempo, tudo bem que a despedida não havia sido das melhores, mas seu coração é que foi partido, os seus sentimentos é que tinham sido rejeitados.
— Sim, seja bem-vindo! – ela fez um sinal de confirmação e deu um sorriso cínico. Não estava feliz de reencontrá-lo, assim como ele também não parecia estar. Na verdade, não sabia o que sentir, ele havia sido seu primeiro amor e a sua primeira decepção, mesmo assim nunca desejou m*l algum para ele, nem poderia.
Damon lhe analisava com os seus olhos negros e naquele momento que ela o encarou com os seus olhos esmeralda o tempo pareceu parar, ele estava bem mais alto o que a fazia ter que levantar o rosto para encará-lo, mesmo assim havia um muro invisível entre eles que o fazia parecer ainda mais distante do que realmente estava.
— Obrigado. - ele falou de forma seca, e cortou o contato visual entre eles.
Ela sorriu e finalmente foi até a sua mesa, era apenas ignorar a presença dele durante esses meses que passaria ali, tinha que fazer isso por sua amiga.
Sara sempre foi muito trabalhadora e esforçada, ela fazia tudo com muita determinação e considerava-se uma perfeccionista, eram amigas desde o jardim de infância, quando decidiram morar juntas foi um momento de grande animação, pois sempre falavam sobre isso e finalmente se tornara realidade, ela sempre esteve ao seu lado e apoiou-lhe principalmente quando os seus sentimentos foram rejeitados de forma tão fria. Quando contou a Sara o que aconteceu foi difícil persuadi-la de não ir até a casa de Damon e não lhe dar uma surra como ela dizia que faria, o que lembrando agora seria uma cena engraçada de ver, ela era sua irmã de outra mãe, sempre a estava protegendo-a como se fosse sua irmã mais velha, quando, na verdade, as duas tinham a mesma idade, mas Laura deixava que Sara cuidasse dela, mesmo que soubesse se defender e faria o mesmo por sua amiga, nunca deixaria que ninguém a magoasse, era um sentimento de uma amizade real e verdadeira que ela nunca queria que acabasse, tinha os momentos de desavenças e os sermões que por muitas vezes teve de ouvir, e ouviria mil vezes mais se aquilo significasse que seria para sempre.
Quando Laura ficou desempregada Sara ficou ao seu lado e não lhe cobrou nada, mas um dia a garota chegou em casa tão cansada de tanto fazer horas extras, que desmaiou, aquele havia sido o momento mais assustador da vida de Laura, sabia que a amiga estava sobrecarregada e que não estava bem, havia reparado nos seus olhos castanhos cansados, o seu rosto abatido, mas sempre com um sorriso, Sara tinha um belo cabelo loiro que descia até os seus ombros em formato de cascata, sua mãe era parte japonesa o que deixava os seus olhos puxados serem ainda mais charmosos e era de onde vinha o seu sobrenome Yamanaka e seu pai era de origem alemã o que tornou o seu cabelo loiro natural ainda mais exótico com toda essa mistura. No hospital o médico deu-lhe uma licença para que ela pudesse descansar, mas a loira era tão responsável que não queria deixar os colegas na mão, então pediu para que Laura pudesse substituí-la durante a sua licença médica. Sara a ensinou tudo com muita animação e alívio, falou com a empresa e mesmo eles dizendo que estava tudo bem, ela insistiu em lhe mandar para ajudar e agora ali estava ela trabalhando para Damon Blackwood, que droga de sorte era essa?
Ela saiu dos seus devaneios e começou a cuidar dos documentos que precisava analisar, Sara havia-lhe dito exatamente o que fazer e não era tão difícil quanto ela imaginou, foi até a sala de seu supervisor, ele era um cara bem bonito, tinha olhos verdes e um cabelo ruivo, era diferente, mas havia um charme nos olhos dele que o faziam parecer hipnóticos. O seu nome era Jason Smith, um nome forte assim como a sua aparência, os seus cabelos ruivos naturais pareciam sedosos penteados para trás dando-lhe um toque de seriedade, o que os seus olhos que pareciam sempre estar sorrindo tiravam um pouco o peso de se aproximar de um superior, o seu corpo parecia atlético mesmo que o terno em tom marfim não deixasse tão marcado, mas os músculos ainda sim pareciam evidentes, ele era elegante e tinha um belo sorriso além de gentil e atencioso com os novatos, Sara sempre falava muito bem dele e dava para perceber que ela tinha uma quedinha por ele, vendo ele agora Laura até entendia o porquê.
— Sr. Smith eu terminei o primeiro documento, mas queria que desse uma olhada para ver se não cometi nenhum erro. - ela falou séria. Ele sorriu e pegou o documento.
— Pode me chamar apenas de Jason, afinal não sou tão velho assim. – e não era mesmo, sua amiga havia dito que ele era um dos mais novos a estar naquela posição, tinha apenas 28 anos, um jovem prodígio como as pessoas costumavam chamar, ele olhou para o documento e analisou. — Sara te ensinou bem mesmo, não há nenhum erro aqui, ela disse que você era muito eficiente e ela não estava errada. - ele a entregou o documento.
— Fico aliviada por isso, estava um pouco nervosa de ter cometido algum erro. - ela desabafou com ele, o ruivo tinha um ar tão amigável que as pessoas se sentiam a vontade ao falar com ele.
— Posso te chamar de Laura? - ele perguntou gentilmente.
— Claro! - ela sorriu.
— Como está Sara? Fiquei preocupado com ela. - sua amiga ficaria eufórica quando lhe contasse sobre isso.
— Ela está descansando, mas é difícil para ela ficar quieta. - sorriu lembrando da amiga que não conseguia ficar parada.
— Isso é verdade a Srta. Yamanaka tem muita energia. - ele soltou uma gargalhada.
Ele era realmente um homem bonito, o sorriso era atraente, dentes alinhados e brancos, ela até poderia imaginar o que aquele terno poderia esconder, mas logo se e repreendeu por estar analisando tanto o homem a sua frente.
— Bom, eu vou voltar ao trabalho, obrigada pela sua assistência. - fez uma leve reverência e saiu, mas quando passou pela porta acabou esbarrando em um corpo alto e forte que até se assemelhava a um muro de tão firme, quando ela ia pedir desculpas olhou para ver quem é e lá estavam olhos negros lhe encarando.
— Desculpe Sr. Blackwood, eu não vi que o senhor estava aí. - Damon franziu a testa e a encarou ainda mais.
— Senhor Blackwood? - ele tinha ironia em sua voz.
— Sim! - ela falou de forma simplista, agora eles eram apenas desconhecidos, chefe e subordinada, nada mais.
— Laura ... - ele tinha impaciência em sua voz, ela apenas pediu passagem para que pudesse voltar ao trabalho. Ele deu, mas ela pode ver o seu rosto retorcido como se estivesse contrariado, ela não queria ter mais nenhum tipo de envolvimento com Damon, ele tinha ido embora após ter cuspido palavras tão afiadas que perfuraram o seu coração e talvez ela estivesse sendo rancorosa, mas sabia que haviam maneiras menos duras de rejeitar alguém e depois daquilo não houve nenhum pedido de desculpas, nenhum sinal de vida, e agora ele pretendia que tudo era como antes? " Ela sentia-se indignada só de pensar nisso.
O Dia havia passado rápido, foi um dia cheio de tarefas para completar, mas Jason sempre a estava ajudando com qualquer dúvida, não só ele, mas seus colegas também, eles a até lhe chamaram para sair depois do expediente, mas ela lembrou que sairia com seus amigos, Sara já até havia mandado uma mensagem lembrando, sabia o quanto ela podia ser avoada as vezes.
Ela já ia pedir um carro por aplicativo quando sentiu uma mão tocar o seu ombro, ela se desvencilhou de forma ríspida do seu toque e olhou quem era, e lá estava ele mais uma vez com um olhar frio.
— Você está indo para casa? - o que ele estava querendo? Ela sentia-se confusa sempre que ele se aproximava. — Posso te dar uma carona, ainda moro na mesma casa.
— Eu não moro mais lá. — ele pareceu surpreso.
— Onde você está morando?
— Porque você quer saber isso? - ela olhou-o desafiadora.
— Posso te levar até lá. - ela falou como se isso fosse recorrente e natural.
— Não precisa, eu vou chamar um carro no aplicativo. — ela abriu o aplicativo, mas ele pegou o celular da sua mão.
— Apenas aceite a carona, vamos o meu carro está bem ali. - ela respirou fundo, nada do plano de "ignorar" Damon estava funcionando. Ele abriu a porta do carro para ela, e mesmo hesitando sabia que ele não ia desistir até que ele falou;
— Entre no carro. - Havia um tom de autoridade ali e ela sabia que não adiantava teimar, só tomaria mais tempo que não tinha e ela sabia que Sara era bem mais assustadora e rigorosa quando o assunto era atraso.
Quando chegaram em frente à casa ele parou o carro, mas não destrancou as portas.
— Você poderia abrir as portas, tem alguém me esperando! - ele olhou para ela de forma séria.
— Quem? Foi por isso que saiu de casa? - o que era aquele interrogatório? Ela suspirou e o encarou impaciente.
— O que você quer de mim? Já faz 10 anos desde que nos vimos Damon, e eu me lembro bem que não foi uma despedida muito entusiasmada, não houve contato nenhum durante todo esse tempo e agora você me aparece com todas essas perguntas e gentileza forçada. Faça-me o favor. - ela desabafou, estava frustrada e chateada com aquela atitude dele, porque tudo o que ela queria era deixar ele no passado assim como ele fez com ela.
Ele olhou pra frente ainda sem destrancar as portas do carro, parecia que ele estava tentando absorver todas as coisas que ela havia dito, depois de alguns minutos ele destravou finalmente as portas e ela saiu, não queria saber o que ele estava pensando, só queria que ele parasse de se aproximar como se tudo fosse apenas uma pausa no filme. Quando entrou em casa Sara já estava arrumada, ela não parecia estar brava, mas sim preocupada.
— Lah você está bem? - talvez a expressão no seu rosto tenha lhe dado uma dica.
— Eu tenho muito o que te contar!