Capítulo 2: Café.

3604 Words
Acho que uma das coisas que mais odeio na vida é café, tornando levemente irônico eu trabalhar em uma cafeteria, mas o que realmente conquistou minha gerente, Márcia, para me contratar foi minha camiseta branca com os dizeres: odeio café. Sim, estava usando essa camiseta no dia da entrevista, como estou usando hoje também. Esse é o meu máximo de “viver perigosamente”. — Não acredito que você trabalha usando essa camiseta. — Comenta Vanessa, sentada numa das cadeiras na frente do balcão onde estou apoiado. Vanessa usava um vestido verde-claro com alças finas, que mostravam as sardas de seus ombros, uma a******a lateral que ia do joelho a canela, um cordão delicado com pingente de borboleta e pequenos brincos de flores. Seu cabelo estava preso num r**o de cavalo alto, seus cachos vermelhos caiam delicadamente pelas costas, como sempre usava pouca maquiagem, mas seus lábios tinham batom vermelho. Linda como sempre. Ajeitei meus óculos com o dedo do meio, debochadamente. — Fazer o quê? Não é culpa minha se minha gerente me ama por eu odiar café. A cafeteria é perto da faculdade, estava relativamente vazia naquele horário, faltava menos de uma hora e meia para acabar meu turno e estava louco para voltar ao meu sofá com meu gato. A única coisa interessante naquele momento era a televisão instalada no canto, onde passava “Star wars: A guerra dos clones”, Obi Wan brigava com Anakin sobre ele perder sabres de luz com frequência. — Por que tenho a sensação de que um dia você vai me m***r? — Pergunta Obi Wan na tela da televisão. Começo a rir. — Nossa, por que será, hein? Rone aparece do meu lado e entregou a Vanessa seu café gelado. — Ah, obrigada. — Ela pega o café e se volta para a televisão. Depois de alguns momentos, Vanessa sorri para o filme. — Gosto do vestido que a namorada dele usa… — Comenta distraída. — Qual deles? Ela troca de roupa umas quinze vezes só nesse filme… — Aquele! — Ela aponta. Padmé aparece com Anakin no planeta natal dela, Padmé está usando um vestido branco com a barra roxa, mangas compridas e costas nuas. Apoio o cotovelo no balcão, meu rosto descansa na minha mão vendo Vanessa apreciar o momento do primeiro beijo entre Anakin e Padmé me lembro a romântica incurável que era no ensino médio, ainda é hoje, isso nunca vai mudar. — Ai, é tão fofo esse momento… — A ruiva suspira sonhadora. — Esse beijo foi muito capenga. — Falo, balançando a cabeça em desaprovação, só para provocar. Vane me olha irritada, sorrio inocente. — Você só fala isso porque não gosta do ator. — Ela revira os olhos. — Ora, Vane, ser um péssimo ator e beijar m*l são coisas diferentes… — O sininho da porta toca e vejo Nilo entrar na cafeteria, quando me vê arregala os olhos, me esforço para continuar focado na Vanessa. — … Mas esse cara consegue fazer os dois. — Minha voz dá uma tremida no final, mas ela nem percebe. Nilo se aproxima do caixa onde estou, está com uma nova cor de cabelo, roxo, usa uma jaqueta de moto, segura o capacete com uma mão, a outra está enfiada no bolso, usa botas marrom escuras, seu jeans é preto e tem um bom caimento, não que eu entenda de moda, mas o cara sabe se vestir, ou talvez ele fique bem com qualquer coisa. Ele fica de frente para mim, me encarando com curiosidade, novamente sinto aquele cheiro que gosto tanto. Lavanda… Nas últimas duas semanas, comecei uma missão na vida de evitar Nilo a todo custo, não achei que seria um grande desafio, mas quando tento evitar um problema, sempre volta pior, e dessa vez se tornou quase uma missão impossível pois o cara que, antes m*l via na faculdade, nem sabia que era meu vizinho, só ouvia falar e às vezes via de longe, agora parecia estar em todo lugar que eu ia! Quando virava um corredor para minha sala? Lá estava ele com seu grupo de amigos babacas. Quando ia no refeitório? Lá estava ele comendo. Quando estava saindo do meu apartamento? Lá estava ele no início do corredor esperando o elevador. Quando pisava na biblioteca? Lá estava o bendito estudando. Todas às vezes que isso acontecia, ou esperava que fosse embora, ou mudava meu percurso e ia na direção oposta antes que me notasse. Infelizmente, não poderia sair correndo até meu turno acabar, pois estava acorrentado ao caixa pelo meu contrato de trabalho. Maldita carteira de trabalho! — Boa noite. — Tento soar o mais educado possível. — O que vai pedir? Seus olhos piscam, como se puxado para outro lugar e rapidamente voltando à realidade. — Ah… Boa noite, quero um cappuccino com chocolate. — Sua voz parece cansada, seus olhos descem para minha camiseta, o vejo franzir a testa. — Como você pode trabalhar aqui e não gostar de café? — Não é que eu não goste de café. — Respondi com escárnio, não dando a mínima para sua reação. — Eu só odeio mesmo. Nilo me olha surpreso, claramente esse cara era muito fácil de surpreender. Vanessa ri do meu comentário, o fazendo se virar para ela. — Ah, oi, tudo bem? — Tudo, e você? Saiu do trabalho agora? — Nada, vou começar meu turno daqui a pouco, só preciso de um empurrão… — Responde por fim, sem muita vontade de conversar. Efetuo seu pedido, comunico o preço, passa o cartão e entrego o recibo do seu pedido. — Logo vai receber seu pedido. — Solto minha fala ensaiada. Ele assente e, em vez de sentar numa mesa bem longe, o desgraçado se senta do lado da Vanessa, bem perto de mim e seus olhos ficam no meu rosto. — Não sabia que usava óculos. — Nilo comenta de um jeito descontraído. — Minhas lentes de contato acabaram. — Respondo, dando de ombros. Vanessa olha para nós, curiosa. — Vocês se conhecem? Sinto um frio na espinha, mas antes que pudesse responder o sininho da porta toca novamente, olho para a porta e vejo o antigo grupo de amigas da Vanessa. — Vane, você sumiu! — Uma das meninas, Jackeline, se aproxima. — Não te vejo na facul faz um tempão. Noto o olhar irritado de Vanessa na sua direção. — Por que será, né? — Murmuro, sem querer, captando a atenção dela. Jackeline era, talvez, a garota mais horrorosa e sem personalidade que já conheci na minha vida, mas claro, não conheci muitas garotas na minha vida, não acho que sou ninguém para fazer esse tipo de comentário. Seus olhos grandes e cabelos eram de uma tonalidade comum, preto, lábios finos, sobrancelhas finas, nariz empinado como se fosse a dona de tudo que o sol toca, maquiagem pesada, não que ela parecesse uma drag queen, o que seria até melhor se fosse… Seu rímel parecia incrustado nos seus cílios postiços, seu batom rosa era de uma tonalidade estranha, usava muito blush, quase como se tivesse levado uma chinelada em cada lado do rosto. O cabelo num coque alto, vestia um moletom rosa, uma saia-xadrez e tênis de corrida branco, uma combinação que não entendi muito bem, mas novamente: não que eu entenda de moda, mas essa garota não sabia se vestir de jeito nenhum. Podia sentir sua aura de “personalidade forte” ao seu redor. — Nos conhecemos? — Jackeline perguntou com falsa educação. — Não, espero que continuemos assim. — Respondo, pouco me fodendo para sua reação. Ela arregalou os olhos com minha resposta grosseira, Vanessa e Nilo dão uma risada, como se estivessem apreciando algum show de comédia improvisada. — Ele é o ex da Vane. — Uma das garotas atrás da Jackeline informa a ela. — Ah… — Ela me olha com mais atenção. — Difícil acreditar! — Verdade, ela consegue arranjar coisa muuuuito melhor que eu. — Respondo, debochado, sem dar chance para achar que me ofendeu. Novamente ela arregala os olhos, solta uma risada forçada e volta sua atenção a Vanessa. — Por onde andou? — Por aí, por lá, aqui, em todo o lugar. — Vanessa responde, com um sorriso forçado. — Nilo. — Rone diz atrás de mim. — Obrigado. — Ela pega seu cappuccino e dá uma bebericada, logo afasta a boca da xícara, comprimindo os olhos e xingando baixinho. — Cuidado, tá quente. — Aviso sem emoção alguma na voz. — Muito obrigado pelo aviso, agora que já queimei a boca. — Nilo responde com ironia. — Disponha. — Suspiro, apoiando os braços no balcão preguiçosamente. Jackeline olha para mim e para Nilo com a testa franzida. — Vocês se conhecem? — Pergunta incrédula. Sinto novamente aquele frio percorrer minha espinha. — Claro que não. — Respondo imediatamente, poupando Nilo do constrangimento. — Nunca vi esse cara na minha vida. Percebo o olhar de Nilo em mim, parece irritado, provavelmente é só impressão, logo ignoro. — Ah, não faria muito sentido mesmo… — Ela diz para ninguém específico, mas fica claro sua intenção de tentar me diminuir. — Vocês não estão no mesmo nível. Apenas reviro os olhos e ajeitei meus óculos com o dedo do meio novamente. Se for no “Mario Kart” tô bem acima mesmo… — Então, Vane, você veio aqui encontrar o Nilo em segredo? — Jackeline pergunta debochadamente, suas amigas atrás dela riem. — O que seria esperado, na verdade… — Por que a pergunta? Inveja? — Vanessa pergunta de volta com um sorriso elegante. Nilo sorri com a resposta, j**k bufa e revira os olhos. — Inveja? De você? Você se acha, né? — Jackeline cruza os braço e balança a cabeça em desaprovação. — Primeiro você se joga pro meu namorado, tem a cara de p*u de dizer que ele flertou com você e ainda me acusa de ser invejosa? Vanessa treme de raiva. Devo me meter? — Invejosa é você! Sua p**a falsa! — Jackeline grita, chamando atenção de outros clientes da cafeteria. Ok, vou me meter. — Vem cá, seu projeto de “Meninas Malvadas” do inferno. — Falo, chamando atenção da Jackeline. — Só porque o m***a do seu namorado não é homem o suficiente pra terminar com você e quer te por um chifre tão grande que você nem consegue passar da porta, isso não te dá o direito de sair acusando ninguém de algo que a pessoa claramente não fez. — Solto ar pela boca e a olho com desdém. — Aliás, quem teria inveja de você? Você parece a versão pobretona do RuPal. O queixo dela cai, os poucos clientes da loja riem do meu comentário. — Você não pode me tratar assim! Eu sou uma cliente! — Responde com presunção, tentando sair por cima. Argumento nota dez. — Você não é cliente, você é só uma maluca que entrou na loja e ofendeu uma cliente, uma cliente frequente por sinal, sendo assim peço que se retire. — Falo dando a volta no balcão e ficando de frente com ela, minhas mãos na cintura. Ela ri, como se eu tivesse cometido um grande erro. — Ok, então me sirva um café. — Fala como se eu fosse um e*****o. — Quer que eu te sirva? Ok, vou te servir, por conta da casa… — Pego o café gelado pela metade da mão de Vanessa e jogo na cara da Jackeline. Ela grita surpresa, instintivamente passa as mãos no rosto, borrando sua maquiagem, j**k e suas amigas me olharam incrédulas. — Tá servida. — Bato o copo de plástico no balcão atrás de mim sem tirar os olhos dela. — Agora saia, p**a falsa. Consigo ver seu maxilar se mover com o ato dela cerrar os dentes, as amigas tentam ajudar pegando guardanapos para limpar seu rosto, mas só borram mais sua maquiagem, ela por fim apenas as afasta e sai rapidamente do estabelecimento, suas seguidoras vão atrás gritando seu nome. Respiro fundo e me viro para Vanessa, que me olha com admiração. — Vou pedir pra fazerem outro café gelado. — Volto para trás do balcão. — Por minha conta. — Eu pago, depois de você me defender desse jeito é o mínimo. — Me entrega o cartão. — Sujou um pouco o chão, vou pegar o esfregão… — Rone fala, aparecendo do nada do meu lado, completamente tranquilo, indo para os fundos. — Márcia vai adorar ver esse dramalhão pela câmera de segurança… Rone é um cara muito gente boa, faz curso de fisioterapia na faculdade. É gordinho, um pouco mais baixo que eu, pele clara, cabelos cacheados, olhos castanhos e o rosto cheio de crateras de espinhas. Diferente de mim, Rone é um tipo muito educado com todo mundo e adora ser prestativo. — Deixa que eu limpo. — Falo quando passa por mim com o esfregão. — Nada, pode deixar. — Já começa a esfregar o chão. Uma risada escapa pelo meu nariz e noto Nilo, que me olha com tanta intensidade que sinto até fraqueza nos joelhos. Desvio o olhar para o caixa, concluindo o pedido da Vanessa e devolvendo seu cartão, me forçando a agir com naturalidade. — Vai ficar pronto logo. — Obrigada. — Ela responde com um sorriso meigo. Percebo Rone olhando nossa interação, ergo uma sobrancelha para ele, que fica vermelho. — De-desculpa… — Gagueja, apoiando o queixo no topo do esfregão. — Por curiosidade… Quando vocês namoraram? — Ah, no ensino médio. — Respondi, tranquilo. — Então vocês estudavam juntos… — Seu tom era de alguém pedindo para contar uma história. Muita gente sempre tinha curiosidade da minha relação com a Vanessa, claro, o que uma garota linda como ela faria com um cara sem graça como eu? — Sim. — Vanessa se virou para ele. — A gente se conheceu no corredor da escola… — Esbarrei nela derrubando seus livros… — Falo lembrando daquele dia. — Como sempre, sou um desastre. Ela ri. — Nos abaixamos para pegar os livros… — Me olha sorrindo. — Nossas mãos se tocaram… — Forço uma voz afetada e melosa, entrelaçando minhas mãos, colocando contra minha bochecha. — Ele olhou pra mim com olhos arregalados… — Vanessa numa voz doce, coloca as palmas das mãos nas bochechas e ergue os ombros. — E eu disse a coisa mais i****a que veio na minha mente… — Murmuro, desentrelaçando as mãos, tirando os óculos e cobrindo meu rosto, sentindo vergonha só de lembrar. Rone nos olha curioso, — Ele disse que eu era igualzinha a Mary Jane. — Vanessa revela, eles começam a rir. Bufo e balanço a cabeça em negação. — Podia ter dito qualquer coisa, qualquer coisa mesmo… Mas naãao! — Jogo a cabeça para trás exageradamente. — Eu tinha que dizer algo i****a, porque aí não seria eu. — Eu não diria idiotas, diria fofas. — Vanessa comenta com um sorriso travesso. — Tipo quando você disse que fui a pessoa mais bonita que você já beijou… — Não, não, eu disse que você foi a garota mais bonita que já beijei. — Falei a corrigindo, colocando meus óculos de volta no rosto. — E quem foi o cara mais bonito que você já beijou? — Rone pergunta, com ar de riso. Meus olhos involuntariamente vão para Nilo, que finge não ouvir nossa conversa, mas sei que está prestando atenção, pois quando nossos olhos se encontram, ergue as sobrancelhas e dá um sorriso arrogante. Que se f**a… — Bom… — Volto meus olhos para o Rone. — Teve esse cara na unificação… Mas virei uma Heineken com pernas, fiquei com ele e não me lembro de nadica de nada. O queixo do Rone caiu. — Então você nem sabe se ele beija bem? — Rone pergunta incrédulo. — Pois é. — Me conta quem é! — Vanessa implora, com seu espírito de velha fofoqueira. — É de fora do meu curso, só isso que vou dizer. — Respondo misteriosamente. A ruiva bufa, inconformada. — Chato… — Murmurou irritada. — Eu sou, pra c*****o. — Debocho. O café gelado da Vanessa fica pronto, vou rapidamente para cozinha, quando volto e vejo que Nilo foi embora, com isso um alívio subiu pelo meu corpo. Algum tempo depois, meu colega Tom, um cara que apresentei a Vanessa fazia alguns dias, veio buscá-la para um encontro, Rone levou o esfregão para os fundos e veio falar comigo. — Pode ir, os funcionários do próximo turno vão chegar daqui a pouco. — Diz sem jeito e me dá um tapinha no ombro. Olho para as horas, faltam dez minutos para nosso turno acabar. — Tem certeza? — Pergunto, já tirando o uniforme. — Sim. — Responde, começando a sorrir. — Absoluta? — Vou para os fundos pegar minha mochila e meu casaco cinza. — Sim. — Rone começa a rir. — Mesmo? — Visto o casaco e a mochila nas costas. — Claro. — Cara, eu te amo. — Falo dando batidinhas no seu ombro, seu rosto fica completamente vermelho. — Até amanhã. Saio pela porta da frente, sentindo o ar gelado da noite, imediatamente fecho o casaco e vou em direção ao meu prédio, virando a esquina, um pouco distante, Nilo está encostado num poste e mexendo no celular. Não tem outra direção para poder voltar ao meu querido sofá, então engulo em seco e abaixo a cabeça, continuo andando, evitando ao máximo olhar para ele, quando estou mais próximo noto que seu capacete está no chão perto do seu pé, passo na sua frente torcendo para que não me veja. Por favor, não olha pra mim… Quando acho que passei despercebido, sua mão segura meu braço e me puxa. Fico de frente para ele e noto que é alguns centímetros mais alto que eu, me surpreendo pela proximidade, antes que pudesse falar algo ou tentar me afastar, seus braços vão até minha cintura, fazendo nossos corpos ficarem colados, levo minhas mãos até seus braços para empurrá-lo, mas fico distraído com seus olhos, que capturam minha atenção com facilidade. Seus olhos tão de perto, sob a luz do poste, são castanhos suaves, noto uma linha cinza ao redor de sua íris, eu amo cinza… Esse pequeno momento só durou alguns segundos, sendo interrompido pelos seus lábios contra os meus, suas mãos tentam deslizar pelas minhas costas, mas são impedidas pela minha mochila, instintivamente coloco meus braços ao redor do seu pescoço e o seguro contra os meus lábios. Minha língua deslizou para sua boca, senti gosto de café e chocolate, mesmo odiando café, o gosto não é amargo e parecia milhões de vezes melhor. Sua língua parecia brigar por espaço, empurrava, envolvia, me deliciava, um leve gemido escapou pela minha garganta enquanto seu beijo ficava mais intenso, parecendo o incentivar a continuar pela briga por território. Estava completamente derretido nos seus braços, passei as mãos pelo seu cabelo raspado, senti falta de ter algo para segurar e minhas mãos foram para o seu rosto. Sua respiração era intensa contra minha bochecha, suas mãos pareciam descontentes com minhas roupas e minha mochila, puxavam a barra do meu casaco e da minha camiseta por trás o máximo que dava, passando a ponta dos dedos pela base das minhas costas, me arrepiando com o pouco do toque que conseguia na minha pele. Seu beijo foi para o meu rosto, minhas mãos voltam a sua nuca, o puxando até meu pescoço, minha boca fica perto da sua orelha. Nilo beija e morde meu pescoço, me deixando ainda mais amolecido, meu corpo queima, estremece, começo a gemer baixinho contra seu ouvido, sinto seu sorriso contra a pele sensível, logo volta os beijos, fazendo um caminho pelo meu rosto, até minha boca. Intenso seria a palavra perfeita para definir Nilo. Aos poucos, diminui a intensidade, seu beijo se torna menos provocante, começa a recolher seus braços, segurando minha cintura com suas mãos, como se para me manter de pé, afasta meu corpo do seu devagar, me esforço para me recompor e firmar meu corpo quando percebo que está acabando. A última coisa que preciso é cair de joelhos no meio da rua na frente dele… Ele finaliza me dando alguns selinhos, como se para marcar o momento e sorri contra minha boca, seu sorriso arrogante e confiante de quem sabe que fez um bom trabalho. Puta m***a, e que bom trabalho. — Espero que você não esqueça disso amanhã… — Sussurra tão perto de mim que sinto a vibração de cada sílaba percorrer meu corpo. Respiro fundo e dou um passo para trás, me afastando do seu sorriso, de suas mãos, do seu calor e da sua presunção. Seus olhos estão em mim, esperam alguma coisa, uma resposta, uma reação, talvez um elogio… Mas meu cérebro derreteu durante o beijo. Respiro fundo mais uma vez, tentando me lembrar como se faz para formar palavras. — Ok… — Foi tudo o que consegui pronunciar. Nilo recolhe os lábios, parecendo insatisfeito com a minha resposta, estala a língua e bufa. — Até, Gris. — Se despede, se abaixando, pegando seu capacete, me lançando um último olhar decepcionado. Ele me dá as costas e se afasta, sobe na moto estacionada do outro lado da rua, põe o capacete, dá a partida e se vai em alta velocidade. Acho que só queria provar um ponto e, no processo, percebeu que eu não era grande coisa… Decepcionante seria a palavra perfeita para me definir. Me afasto, sigo meu caminho do mesmo jeito que ele seguiu o dele, sozinho, mas com bem menos estilo. É sempre assim.
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD