Parte 3: Amore e Adônis.
(Nilo)
Dormir com o Gris aninhado nos meus braços embaixo do edredom na minha cama me deu uma sensação acolhedora, saber que se lembraria de tudo no dia seguinte, que não seria apenas uma noite e acordaria com ele do meu lado me fez ter a certeza que fiz o certo, as coisas só iriam melhorar.
Minha certeza morreu quando acordei e Gris não estava deitado do meu lado.
Ah, não, de novo não…
Levantei da cama de supetão, vesti a mesma cueca que Gris arrancou de mim ontem com os dentes e fui até a sala, nada dele, olhei o banheiro, nada dele, voltei para o quarto e vi que as roupas dele não estavam mais no chão.
Não, não, não…
Saí de novo do quarto e me apoiei no balcão da cozinha.
— Fantastico! Quanto sono fortunato (como sou sortudo)… — Murmurei puto.
Enquanto pensava no que iria fazer, nos atos de ódio que iria cometer, ouço a porta se abrir, quando levanto os olhos, Gris entra com uma sacola da padaria que tem na esquina, roupas diferentes das de ontem, seus óculos de armação fina e cabelo molhado penteado para trás.
— Ah! Cê acordou… — Seu sorriso contido era fofo demais, fechou a porta atrás de si. — Dormiu bem?
Soltei a respiração que nem percebi que estava prendendo.
— Sim e… Você? — Tentei agir com naturalidade.
— Dormi melhor do que esperava. — Deixou a sacola da padaria no balcão, do lado da minha mão. — Não sou bom em cozinhar, então achei mais seguro comprar algo pronto…
— Você… Saiu pra comprar isso aí? — Um pequeno calor se forma no meu peito.
— Mais ou menos. — Respondeu envergonhado. — O seu chuveiro desarmou ontem, aliás desculpa por isso… — Gris leva a mão a orelha, brincando nervosamente com seu alargador. — Então passei no meu apartamento, tomei um banho, dei comida pro Gezora e decidi que seria legal trazer algo pra gente comer. — Abriu a sacola tirando um copo de café e um de suco de morango, um Fogazza e um misto quente. — Você me disse uma vez que gosta desse tal “Fogazza”, então pedi um pra você… — Ele para ao notar minha expressão e dá uma risada. — O que foi?
Pisquei os olhos algumas vezes, assimilando tudo.
— Nada, só gosto de te olhar. — Respondi, dando um sorriso sedutor.
Seu rosto ficou corado, mas, diferente das outras vezes, não desviou os olhos azuis de mim.
— Gosta do que vê? — Um sorriso de canto se forma em seu rosto.
— Bastante… — Respondo aproximando meu rosto do seu.
Gris leva a mão até minha boca, me impedindo de continuar.
— Bafo. — Murmura com a maior cara de p*u que poderia fazer.
Reviro os olhos e me afasto.
— Noioso (chato)… — Murmuro indo até o banheiro.
— Se você vai falar italiano na minha frente, pelo menos traduza o que diz, ou, sei lá, me dá umas aulas… — A voz de Gris é debochada, mas tem uma nota de irritação, um sinal claro de que mesmo brincando, no fundo está falando sério.
Não respondo, ouço barulho de pratos enquanto escovo os dentes. Termino, volto para a sala, vejo um prato com o meu Fogazza me esperando e Gris apoiado na bancada comendo seu misto quente enquanto mexia no celular.
— Poxa, cê nem visualizou minhas mensagens… — Diz numa falso ressentimento.
Ergo as sobrancelhas.
— Você mandou mensagem? — Pergunto indo até meu quarto, pegando meu celular.
— Mandei. — Responde com a boca cheia.
Abro o celular e vejo a notificação de mensagem.
Gris: (foto)
Gris: Vc dorme de boca aberta kkkkkk (͡ᵔ ▿ ͡ᵔ)
Gris: Vou tomar banho no meu apartamento, acho que vou passar na padaria depois…
Gris: O nome do treco q vc disse q gosta é ql msmo?
Gris: LEMBREI! Fogazza! ( ͡• ⏥ ͡•)
Me senti um pouco i****a por não verificar meu celular antes de me desesperar quando não o encontrei do meu lado ao acordar, uma risada constrangida escapou da minha boca, voltei para a sala e balancei meu celular com a foto que Gris mandou de mim dormindo.
— Isso vai virar rotina? — Perguntei com falsa indignação. — Toda vez que eu dormir com você vou correr risco de você tirar uma foto minha babando no travesseiro?
— Ei! Você dormiu comigo porque quis, você escolheu correr esse risco… — Responde num tom defensivo com uma expressão exagerada.
Começo a rir da sua reação descarada deixando o celular de lado, me aproximo dele, beijo sua boca com gosto de queijo e presunto.
— Sinceramente, vale a pena… — Murmuro contra sua boca.
Gris sorri contra meus lábios.
— Vamos, come seu Fogazza, quero conhecer seu cachorro. — Gris diz com uma risada leve.
— O f**a é tomar banho frio depois. — Comento melancólico enquanto beberico meu café, descobrindo ser um cappuccino com chocolate. — Delícia…
— Toma no meu apartamento até consertar o chuveiro. — Gris diz inexpressivo. — Só levar os seus produtos e uma toalha.
— Não tem problema? — Fico um pouco impressionado com Gris tão confortável comigo.
— Bom, eu desarmei seu chuveiro ontem. — Responde tranquilo. — Sem falar que bom… Estamos juntos… — Murmurando a última parte sem jeito, dou outra bebericada no meu cappuccino com chocolate. — Dividir um chuveiro depois de te f***r sem dó não seria um problema.
Engasgo com minha bebida.
— Oddio, amore… — Murmuro levando a mão a boca, tossindo.
Gris começa a rir da minha reação, passando a mão nas minhas costas suavemente.
— Adô… Han, Nilo. — Começa a falar desajeitado.
— Pode me chamar de Adônis. — Digo com um sorriso convencido. — Eu gosto.
Gris cora pela segunda vez.
— Hum… Adônis. — Testa o apelido sem jeito. — Por que você nunca falou italiano na minha frente antes?
— Ah… Bom, história engraçada… — Talvez não tão engraçada. — Durante uma boa parte da minha vida tive o costume de falar italiano na frente de outras pessoas… E elas me acusavam de ser convencido por saber uma língua que não fosse inglês.
Gris franziu as sobrancelhas.
— E… Sei lá… — Continuei, incerto. — Eu meio que só queria ser mais agradável, então evito falar italiano e… Bom, nunca falei na sua frente porque não queria que você pensasse que estava tentando me exibir e tal.
Ficou um silêncio estranho quando terminei de falar, Gris deslizou a mão até meu ombro, olhei para ele, seu rosto tinha empatia e compaixão.
— Não se preocupe. — Ele dá uns tapinhas suaves no meu ombro. — Já te achava convencido antes de te conhecer.
Meu queixo caí.
— Peraí! Me expressei m*l! — Gris continua num tom desesperado, balançando as mãos. — Eu quis dizer que… Antes te achava convencido, agora não acho mais! — Começo a rir. — Falar italiano é apenas algo que faz parte de você, não precisa esconder uma característica sua pra me agradar.
— Você é difícil de agradar… — Murmuro, sincero, terminando de comer.
— Na real, nem tanto. — Ele dá de ombros e dá um gole no seu suco. — Sou apenas um depressivo com problemas de ansiedade.
Ergo as sobrancelhas.
— Isso foi… Bem específico. — Comento, curioso.
Gris toma o resto do suco num só gole.
— Enfim! — Claramente tentando mudar de assunto e colocando o copo de volta ao balcão. — Bota uma roupa, pega uma muda, toalha, escova de dentes e os produtos que vai usar. — Se vira para mim. — Na verdade, melhor pegar mais do que uma muda, já que vai dormir no meu apartamento.
Pisco os olhos.
— Vou?
— Vai.
— Sério? — Pergunto incrédulo.
— Não quero deixar você com banhos frios. — Responde, ficando corado. — E, claro, isso é obviamente uma desculpa pra dormir com você… De novo.
Sorrio.
— Não precisa de desculpas para dormir comigo. — Digo descaradamente me afastando do balcão e indo até ele.
Levo as mãos até seu cabelo, brincando com suas mechas ainda úmidas entre meus dedos, Gris fechou os olhos, se entregando ao pequeno carinho que fazia. Beijei sua boca levemente, o sentindo relaxar contra mim, seus lábios se abriram, permitindo a entrada da minha língua enquanto a sua dava voltas ao redor da minha, me deixando sem ar.
— Você beija muito bem… — Murmuro contra sua boca.
Meu peito aquece, sinto seu coração bater acelerado contra o meu. Continuo, minhas mãos indo até sua cintura, levantando a barra da sua camisa branca, enfiando por baixo do tecido, sentindo sua pele quente se arrepiar contra a ponta dos meus dedos.
Gris geme de leve contra minha boca, me fazendo o envolver mais com meus braços, subindo uma mão para o meio das suas costas e a outra descendo até sua b***a, apertando com firmeza.
Fiz um caminho de beijos pelo seu rosto, indo até seu pescoço, deslizei os lábios pela sua orelha e mordi de leve seu lóbulo, sentindo o gosto metálico de seu alargador.
— Assim… Vamos nos… Atrasar. — Gris murmura com dificuldade.
Sorrio contra sua pele.
— Quer tomar banho comigo? — Pergunto, provocando.
Gris dá um suspiro contra o meu ombro.
— Eu já… Tomei banho. — Responde fazendo carinho no meu cabelo.
— Toma outro. — Digo me afastando. — Vou arrumar minhas coisas. — Tento soar inocente, mas é difícil com Gris me olhando com desejo.
— Ok. — Diz numa calma inabalável, mas sei que está frustrado por parar de repente, vejo isso em seus olhos e no volume na sua bermuda.
Dou uma risada travessa e vou para o quarto arrumar minhas coisas.
*
Sou incapaz de viver sem banhos quentes, mas tomar um banho quente com Gris me beijando loucamente é a melhor coisa da vida. Quando ele pegou no meu p*u, quase fui para o céu
— Amore… — Gemi contra sua boca.
Senti sua respiração intensa ficar mais forte, ele pega no meu pulso e envolve minha mão no seu p*u. Seu beijo saí da minha boca, vai para o meu pescoço, desce até o ombro, beijando minha tatuagem, para por um momento, apoiando o rosto, sua respiração quente contra o meu pescoço me faz acelerar o ritmo.
— Adônis… — Gris geme contra o meu pescoço.
Seu corpo estremecia contra o meu, enquanto apoiava as costas contra a parede, tentando manter o equilíbrio, pois toda essa situação maravilhosa estava me deixando sem chão.
Nossos gemidos finais ecoaram pelas paredes do banheiro, tenho certeza absoluta que os vizinhos ouviram quando gozamos, mas isso não importava, pois ele estava arfando nos meus braços.
— Tomar outro banho. — Gris diz sorrindo contra minha tatuagem.
Comecei a rir.
— Pagliaccio… — Murmuro contra sua orelha.
Gris se afasta e me observa.
— Parece um xingamento e um nome de vinho ao mesmo tempo. — Um sorriso de canto em seus lábios.
Peguei o sabonete que trouxe e comecei a lavar o g**o na minha barriga.
— Significa “palhaço”. — Esclareci.
— “Palhiachio”… — Ele diz desajeitado, experimentando a palavra. — Qual foi a outra que usou hoje mais cedo? “Noisô”?
— Noioso. — O corrigi. — Significa “chato”.
— “Noiôsu”… — Gris murmura. — Tem uma que você usou algumas vezes, que gostei muito.
— Ah, é? Qual? — Pergunto curioso passando o sabonete em seu peito e dando espaço para entrar embaixo da água.
— “Amore”. — Diz com uma sombra de sorriso no rosto, suspirando com meu toque.
Arregalo os olhos surpreso.
— Eu… — Não sei direito o que dizer.
Não deveria ser grande coisa, é só uma palavra, um apelido carinhoso, mas tinha um significado, algo forte para uma relação que nem foi definida ainda. Gris parece ter levado numa boa, gostado até.
— Amore. — O chamo, ele levanta os olhos azuis para mim, que brilham ao som da minha voz.
— Adônis. — Sua voz me chamando de volta é suave.
Suspiro levando minhas mãos para o seu rosto, o puxando para um beijo, que retribui com vontade, vou até seu pescoço e passo os lábios pela sua orelha.
— Amore. — Sussurro no seu ouvido.
Seu corpo se arrepia contra o meu.
— Italiano é minha nova língua favorita. — Sussurra contra minha pele. — Depois da sua.
— Pagliaccio. — O xingo rindo e me afastando.
— Palhaço é você, me provocando toda hora. — Gris diz com falso tom de irritação e um sorriso travesso.
Pego a toalha que deixei pendurada na porta de correr do box, a abri e comecei a me secar.
— Anda, estamos atrasados!
— A culpa é toda sua! — Gris reclama indignado.
— Então termina logo, se não a culpa vai ser sua! — Respondo, pendurando minha toalha novamente na porta do box e indo até o quarto dele, onde deixei minha bolsa de roupas.
— “Palhiachio”! — O ouço gritar do banheiro, me fazendo rir pela milésima vez naquela manhã.
Ficarei m*l-acostumado…