O Despertar

556 Words
O tempo passou. Dias… que viraram semanas. E, aos poucos… tudo saiu do eixo. Vinícius já não conseguia manter distância como antes. Mas também não se permitia se aproximar de verdade. Era um jogo quebrado. Com Eva… tensão. Com Lídia… perigo. E no meio disso tudo… ele começou a perder o controle. Sem perceber. Sem admitir. As noites ficaram mais frequentes fora de casa. Mais bebidas. Mais decisões impulsivas. Mais… erro. E naquela noite… foi pior. A casa estava silenciosa. Mas não vazia. Eva dormia no quarto. Sem saber de nada. E Vinícius… não voltou sozinho. A manhã chegou devagar. A luz atravessando as cortinas. Silenciosa. Calma. Enganosa. Lídia abriu os olhos primeiro. Um leve sorriso surgiu em seus lábios. Como se já soubesse. Como se tivesse esperado por aquilo. Ao lado dela… Vinícius ainda dormia. — Despreocupado. Sem defesa. Algo raro. — Ela virou o rosto… observando ele por alguns segundos. E então… se aproximou levemente. Sem pressa. Sem culpa. — Porque, pra ela… aquilo não era erro. Era estratégia. No andar de cima… Eva acordou. Sentiu algo estranho. Um incômodo no peito. Sem motivo claro. Ela se levantou devagar. A casa estava silenciosa demais. — Vinícius…? Chamou baixo. Sem resposta Desceu as escadas. Passo por passo. Sentindo algo errado… crescendo. E então… viu. A porta do quarto de hóspedes… entreaberta. O coração acelerou. Ela não sabia por quê. Mas sabia. Sabia que não devia olhar. Mesmo assim… olhou. E o mundo… parou. Vinícius. Na cama. Com Lídia. O ar sumiu. O corpo travou. O coração… despedaçou. Eva não fez barulho. Não gritou. Não chorou. Só ficou ali. Parada. Assistindo. Como se estivesse fora do próprio corpo. Como se aquilo… não fosse real. Mas era. Cada detalhe. Cada segundo. Tudo. Ela deu um passo para trás. Depois outro. E saiu. Sem ser vista. Sem ser ouvida. Mas completamente destruída. Minutos depois… Vinícius acordou. A cabeça pesada. A mente confusa. Ele olhou ao redor. E demorou um segundo… pra entender. Mas quando entendeu o corpo travou. Lídia. Ao lado dele. O erro. — Droga… — a voz saiu rouca. Irritada. Ele passou a mão pelo rosto. Tentando puxar a memória. Fragmentos. Bebida. Discussão. Ela perto demais. E depois… nada claro. Mas não precisava. Ele sabia. Sabia exatamente o que tinha feito. E, pela primeira vez em muito tempo… algo parecido com culpa apareceu. Mas não por Lídia. Por Eva. Lídia abriu os olhos devagar. Como se estivesse acordando naquele momento. — Bom dia… — murmurou, suave. Vinícius nem olhou. — Isso foi um erro. Direto. Frio. Ela sorriu. Sem se abalar. — Pra você, talvez Silêncio. Ele levantou da cama. Tenso. Irritado. — Isso não vai acontecer de novo. Lídia apoiou a cabeça na mão, observando ele. Calma. Segura. — A gente nunca sabe, Vinícius… Pausa. — Você já perdeu o controle uma vez. Aquilo atingiu. Mas ele não respondeu. Porque, no fundo… ela estava certa. No andar de baixo… Eva estava parada. No mesmo lugar. Sem se mexer. Sem reagir. Os olhos vazios. E o coração… em pedaços. Ela levou a mão ao peito. Respirando com dificuldade. — Não… O sussurro saiu quebrado. Mas era tarde. Porque agora… não era só amor. Era dor. Traição. E algo muito mais perigoso Frieza. E naquele momento… sem que ninguém percebesse Eva mudou. E isso… ia custar caro.
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