Pecadora

739 Words

Saí da casa dele com o corpo ainda doendo, com o cheiro dele grudado na minha pele e um sorriso vitorioso escondido por baixo do véu que eu pus no cabelo. Caminhei pelo morro devagar, cumprimentando todo mundo com aquele meu jeito doce: — Bom dia, Dona Maria! — Tudo bem, Zé? — Que dia lindo, né gente? Todos respondiam com carinho, com respeito. “Nossa, que menina educada”, “Que graça, sempre sorrindo”, “Verdadeira filha de Deus”. Se eles soubessem onde eu tava essa noite. Se eles soubessem o que eu fiz com o Davi, como eu deixei ele louco, como eu tenho ele na palma da mão… Mas eles não sabem. E é assim que eu gosto. Quando cheguei em casa, minha mãe tava na cozinha, arrumando as coisas pra irmos juntas na missa. — Onde andou, minha filha? Chegou tarde ontem e hoje já saiu cedo.

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