O silêncio entre nós era denso, mas já não era mais hostil. Havia uma dor compartilhada, uma fragilidade que eu nunca tinha permitido existir. Quando ele abriu os olhos e olhou para mim, vi neles a mesma certeza de sempre, mas agora misturada com cansaço. — Eu te perdoo, Ana… — disse ele baixinho, passando o polegar pela minha bochecha, enxugando a lágrima que eu nem percebi ter caído. — Mas não vai ter mais “volta tudo como antes”. Não mais. Apertei as mãos no tecido do vestido, sentindo um nó na garganta. — O que você quer que eu mude, Davi? Diz. Eu faço. Ele me puxou para um abraço apertado, me prendendo contra seu peito como se quisesse me fundir a ele. — Eu quero verdade. Só isso. Não quero mais mentiras, nem pra me proteger, nem pra fazer graça. Se quiser sair, fala. Se quiser c

