Blair Kinsey.
Quando eu disse à minha mãe que gostaria de ver ela buscar sua felicidade, eu não quis sugerir que ela acabasse com a minha vida no processo.
Fala sério, isso só pode ser castigo.
Depois que meu pai deixou minha mãe pela melhor amiga dela, minha mãe passou anos em estado de culpa e sofrimento, até que Elias apareceu, coloriu sua vida e todas essas merdas, então não demorou tanto para que o casamento fosse anunciado e acontecesse.
Não me leve a m*l, eu estou feliz pelos dois, amo Elias e como ele é com ela, mas é claro que ele não veio desacompanhado, nós nunca ganhamos de um lado sem perder do outro.
Junto com ele veio a última praga não citada pela bíblia, a pedra no meu sapato, e causa das minhas enxaquecas.
Ronan Warren, seu filho.
Que garoto i****a, o ódio que eu nunca senti por ninguém na vida, sinto por ele, e motivos ele sempre me da de sobra, como por exemplo lotar a casa com seus amigos idiotas em dia de semana e colocar o som no último volume, como o bom babaca que é.
Não sei quantas vezes eu pensei em ligar para a minha mãe e acabar com essa palhaçada, porém eu não conseguia, não queria estragar as coisas para ela por mínimas que sejam.
Apesar de o conhecer desde a infância, eu nunca fui muito sua fã, aliás na minha cabeça ele era um mini desgraçado desde a pré-escola, mesmo nessa época nenhuma garota era imune ao seu charme, o que dificultava falar m*l dele para qualquer pessoa.
O que esperava do cara mais popular da escola? Realmente era muita burrice da minha parte esperar o mínimo de bom senso que seja dele.
Só que isso já é demais, minha cabeça está latejando e esse som irritante faz eu querer esmagar meu cérebro, que droga, eu pedi a ele para abaixar o som.
Esfreguei a têmporas sentindo vontade de chorar, preciso urgente de um acompanhamento para essas dores de cabeça, meu emocional parecia piorar muito.
Respirei fundo antes de encostar a cabeça no travesseiro e fechar os olhos, uma tentativa falha de alívio, já que o barulho lá embaixo estava estourando meus neurônios.
Eu tentei, juro que tentei.
Quando me levantei da cama podia jurar estar sentindo meu rosto queimar de raiva, minha dor de cabeça se tornou algo quase distante enquanto eu batia os pés escada a baixo.
A sala estava lotada como eu previ, a fumaça passeava pelo ar, cruzei as sobrancelhas e procurei por ele.
Todas as vezes que eu olho para o seu rosto, fico pensando no absurdo de beleza que ele tem, os olhos azuis vívidos, o cabelo loiro claro e o sorriso capaz de deixar qualquer mulher de qualquer idade vermelha e sem jeito, adoraria saber quem foi o responsável por essa inconveniência.
Custava ser feio para combinar com a personalidade?
— Ronan — eu berrei, apertando as mãos em punho.
O sorriso dele em direção aos amigos foi se desfazendo conforme ele olhava para mim, suas pupilas dilataram quando ele teve a visão completa minha, ou da minha camiseta curta já que seus olhos pararam nas minhas coxas, então ele subiu o olhar com sobrancelha arqueada.
Vou dar um soco na cara dele.
— Você é surdo ou o que? — vociferei — Eu avisei que estava com dor de cabeça!
Sua expressão se tornou ainda mais confusa, provando que ele não conseguiu escutar nenhuma palavra do que eu disse.
Corri para perto da TV que estava conectada no youtube e puxei o cabo que conectava ela na tomada com força, sentia todos os olhares masculinos nas minhas costas.
Meu corpo reconheceu o exato momento em que a mão do Ronan se fechou em volta do meu cotovelo e me puxou em direção a ele, meu peito atingiu o seu e um suspiro escapou de meus lábios.
Por que diabos eu suspirei?
— Que p***a é essa Blair? — questinou, o tom de voz neutro, mas seus olhos estavam faiscando.
— Eu quem te pergunto! Qual é o seu problema? Te mandei mensagem pedindo para abaixar o som, minha cabeça está explodindo — retruquei, deixando cada gota do meu ódio em meu tom de voz.
— Está todo mundo olhando para você — disse entre dentes.
Olhei em volta e me senti como um pedaço de carne exposto para venda, nenhum par de olhos estava olhando para outra coisa que não fosse meu corpo.
Parece que nunca viram uma mulher na vida, babacas.
— Vai se f***r você e eles! — gritei empurrando seu peito e correndo escada acima.
Bati a porta do meu quarto com força, meu sangue fervia dentro das veias, assim que respirei fundo minha cabeça voltou a latejar violentamente.
Tapei o rosto com as mãos e soltei um grito abafado de frustração. O som da minha porta abrindo fez com que eu quisesse atirar um sapato na pessoa, pois sabia exatamente quem era.
— Sai do meu quarto agora — permaneci na posição até que minhas mãos fossem empurradas para longe do meu rosto.
— A casa também é minha — ele parecia irritado também.
Ah, por favor, quem deveria estar irritada sou eu.
Não respondi, porque a única resposta que eu tinha em mente no momento é a agressão. Desviei ele para ir em direção ao banheiro e como o previsto ele me puxou novamente como se eu fosse uma boneca.
— Para de fazer essa merda! — resmunguei.
— Quando você parar de agir como uma pirralha, talvez eu pare também — provocou.
— Eu te pedi para baixar o som, e você fez completamente o oposto, então eu sou realmente a pirralha da história? — retruquei erguendo o queixo.
A respiração dele bateu contra o meu rosto, ao contrário eu parei de respirar percebendo que estávamos muito próximos, tão próximos que o perfume dele entorpeceu meu nariz.
— Eu te odeio — declarei entre dentes.
— Ódio é um sentimento de quem se importa — ele soprou baixo, antes de me soltar — Não desça mais assim na frente deles.
A última coisa que disse antes de virar as costas e bater a porta.
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Nota da Autora: Me sigam no i********: para conhecer mais sobre a história @rbwqueen