Capítulo 3 - Audacioso

1080 Words
Blair Kinsey Os corredores estavam lotados de adolescentes que pareciam ter apenas um assunto em comum, essa droga de noite da fogueira. Todo ano fazemos a mesma coisa, o que é que tem demais nisso? Não podem nem se quer trazerem bebidas alcoólicas, então eu não entendo a euforia toda. Mais irritante do que isso, apenas o meu pai me ligando quinhentas vezes por minuto, aposto que ele vai fazer o mesmo teatro de sempre, com a sua síndrome do injustiçado, vomitando nos meus ouvidos como eu tenho sido uma péssima filha por abandoná-lo. Como se ele fosse exemplo de alguma coisa. Além do mais, não suportaria mais nenhum jantar com a minha madrasta, ela é um saco, e como se não bastasse, ela pensa que pode ser minha amiga como se tivéssemos a mesma idade. Desliguei meu celular e escondi no bolso do jeans antes de abrir meu armário e trocar os livros para poder ir ao refeitório. — O que o seu telefone fez para você? — eu sorri, virando os olhos para minha amiga Cassy. Diferente de mim, a Cassy é o mais próximo do estereótipo de patricinha que eu conheço, tirando a parte da popularidade já que ela não liga, foi abençoada com todo o resto, cabelos loiros, olhos azuis e corpo perfeito, além da capacidade de ficar bem em qualquer tom de rosa. — A pessoa que não para de ligar é quem fez — bufei alto, fechando o armário. — Seu pai de novo? Por acaso ele se esqueceu do desastre do último jantar?— sua expressão de espanto me fez rir pela primeira vez no dia. — Aparentemente ele acha que pode consertar tudo com tacos e mesadas. — Admiro a insistência dele, não posso negar — disse ela, balançando a cabeça em negação. — Eu iria admirá-lo mais se ele esquecesse que eu existo. Esperei que ela trocasse seus livros enquanto falava do jantar desastre que havia acontecido na sua casa, os pais dela convidaram os pais do seu ex melhor amigo para jantar, o que acabou em uma briga desastrosa, já era de se imaginar que ela e Nathaniel Benson juntos resultam numa grande explosão nuclear. — Então ele disse para mim que eu sou muito mimada, dá para acreditar? — questiona com indignação — Ele agiu como um babaca nos dois últimos anos e eu quem sou a mimada. Viramos o corredor e eu ainda estava tentando processar o fato dele que eles começaram a discutir por causa de um garfo. — Vocês brigaram por causa de um garfo? — eu franzi a testa, toda confusa. — Não foi pelo garfo, vocês nunca entendem! — ela bufa de frustração — São as atitudes dele. — Se ele é capaz de te irritar com um garfo, eu acho uma medida protetiva um conselho válido — respondi com seriedade. — Ele vai precisar de uma, porque eu atropelaria ele sem prestar socorro sem remorso algum. Eu gargalhei o resto do caminho imaginando a cena. O refeitório estava um caos, conversas que pareciam berros, ânimos exaltados, panelinhas espalhadas e até mesmo alguns casais se beijando. Minha amiga Harper estava espremida em uma mesa no fundo do refeitório, não porque somos excluídas, mas porque no fundo sentimos uma privacidade maior, ficar longe dos idiotas dessa escola é a regra número um no meu grupo de amigas. Todas concordaram sem pestanejar. — Só faz uma semana que voltamos as aulas e eu já sinto falta das férias — Harper resmungou, puxando seus cabelos negros em um r**o de cavalo. — É o que acontece quando se estuda com animais — declaro, me sentando ao seu lado e roubando sua maçã. — É sério que você vem para noite da fogueira? — Harper me perguntou. — Não sabia como responder de forma amigável para o meu padrasto que eu odeio o filho dele e adoraria jogar ele na fogueira — me expliquei. — Bom se uma vem, todas nós vamos vir — Cassy decretou, cutucando as batatas da Harper e comendo uma no final. Esse é o ponto, melhores amigas sofrem juntas, mesmo que não queiram, é um esforço em grupo para que essa amizade funcione. — Podemos ir ao cinema depois — Sugeriu Harper, puxando a maçã da minha mão para dar uma mordida. — Eu posso ir junto? — apertei os dedos em volta da maçã até ficarem brancos ao escutar a voz dele. — Não tem nada melhor para fazer do que ficar me perseguindo? — me virei para Ronan, vendo seus lábios prensados, ele estava segurando a risada. Idiota. — Teria se sua mãe não tivesse me ligado perguntando o porque você desligou o celular. Mas que droga! — Recado recebido com sucesso, agora cai fora. — Perguntei se podia ir ao cinema também, caso não tenha ouvido — ele provocou. — Você não é bem vindo — empinei o queixo para ele, mantendo a expressão séria. — Nesse caso, que bom que ele é público — piscou e continuou a andar para fora do refeitório. — Odeio esse babaca — resmunguei, colocando as mãos nos olhos. — Como você consegue? — Cassy solta a pergunta do nada. — Consigo o que? Levantei a sobrancelha para ela, mas todas minhas amigas estavam esperando uma resposta e eu nem sequer tinha entendido a pergunta. — Não querer ficar com ele — Harper esclarece. Isso me deixou surpresa, já que elas sabem muito bem que tipo de pessoa ele é. — Olá? Estamos falando do Ronan, ele é um i****a — respondi, como se fosse óbvio. — Você iria beijar a boca dele, não a personalidade B — Harper incita e eu n**o com a cabeça. O que deu nelas? Ele não pode ser tão bonito assim para fazer minhas amigas questionarem algo assim. Virei o rosto em direção ao vidro do refeitório e encontrei sua figura alta na sua roda de amigos, ele estava rindo tão abertamente que os pelos da minha nuca se arrepiaram com o quão bonito ele ficava nesse ângulo. Talvez em outra vida, outro universo, onde ele não fosse motivo de briga das garotas do colégio e o motivo das minhas dores de cabeças constantes, eu me perderia completamente nele, tão fundo que não seria capaz de voltar. Mas essa não é nossa realidade, e isso não pode acontecer. — Nunca ficaria com ele. [.........] Nota da Autora: Me sigam no i********: para conhecer mais sobre a história @rbwqueen
Free reading for new users
Scan code to download app
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Writer
  • chap_listContents
  • likeADD