Maria observava o filho se aconchegar em seu colo, os olhinhos curiosos explorando o ambiente novo. Eros sorria, encantado com as luzes suaves da sala e o som da chuva batendo na janela. Guilherme continuava sentado no chão, um pouco afastado, mas o olhar dele não desgrudava dos dois. Havia um brilho diferente em seus olhos um misto de culpa, alívio e uma ternura que ele nem sabia que ainda era capaz de sentir. — Me deixa viver isso, Maria… por favor. — repetiu, a voz embargada. Ela levantou os olhos lentamente, surpresa com o tom sincero que saiu dele. Não era o mesmo homem que um dia a deixou sozinha, nem o rapaz arrogante que ela encontrou dias atrás. Ali, diante dela, estava alguém despido de qualquer máscara. Maria respirou fundo. O silêncio entre eles parecia pesado, mas ao

