De volta a Curitiba

911 Words
O sol de dezembro iluminava Curitiba de um jeito suave, aquecendo as ruas arborizadas e os parques cheios de gente aproveitando a tarde. Maria sentia falta disso: o ar fresco, as praças amplas, o ritmo mais calmo da cidade. Mesmo com o coração apertado pela ausência de Guilherme, ela respirava aliviada, feliz por estar entre amigos novamente. No dia seguinte à sua chegada, Maria combinou de encontrar Renata e Lucas, o irmão de Matheus, para passear pelo parque central da cidade. Eles se encontraram perto da fonte, e o sorriso de Renata fez Maria se sentir imediatamente em casa. — Mari! — exclamou Renata, correndo até ela e a abraçando com força. — Quanto tempo! — Eu sei… — respondeu Maria, sorrindo e sentindo o abraço aquecer o peito. — Dois anos é muito tempo, né? Lucas, alto e com aquele jeito tranquilo, deu um sorriso discreto, cumprimentando Maria com um aceno. Ela se sentiu à vontade; a presença dele era calma, diferente da tensão e intensidade que sentia no Rio. O trio começou a caminhar pelo parque, apreciando o verde, o som das crianças brincando, e o cheiro de pipoca e sorvete que flutuava no ar. Conversavam sobre a escola, amigos antigos e pequenas novidades do bairro, e Maria se sentia confortável, feliz por reencontrar essa normalidade. — E Guilherme… — Renata começou, mas rapidamente mudou de assunto ao notar o rubor no rosto de Maria — ah, deixa pra lá! Maria apenas respirou fundo, lembrando do jovem no Rio, e desviou o olhar para as árvores que balançavam com o vento. Era difícil não pensar nele, mesmo naquele momento tranquilo. Mais tarde, decidiram ir até a casa de Renata para passar a tarde. Chegando lá, o ambiente familiar e aconchegante trouxe ainda mais sensação de alívio. Conversaram, jogaram videogame e tomaram sorvete na cozinha, rindo de bobagens e lembrando de histórias antigas. Foi nesse momento que Luan apareceu. Ela estava sentado na sala, concentrado no video game, quando Luan entrou. Ao erguer os olhos, ela a reconheceu imediatamente. — Maria… — disse, surpreso, a voz quase falhando. — Você… voltou mesmo? Ela sorriu, sentindo um calor estranho subir pelas bochechas. — Sim, Luan… estou de volta por uns dias — respondeu, tentando disfarçar a emoção. Luan se levantou, e ele se aproximando-se dela com cuidado, ainda incrédulo com a presença de Maria ali. Cada gesto, cada palavra trocada trazia uma mistura de nostalgia, carinho e uma ponta de ansiedade. Ele percebeu que ainda sentia algo por ela, e Maria, por sua vez, sentiu seu coração bater mais rápido com a atenção dele. Enquanto Renata continuava distraída com o videogame, Maria e Luan se sentaram próximos, conversando sobre o que havia acontecido nos últimos anos, a escola, amigos e pequenas aventuras. Era um clima tranquilo, mas carregado de tensão emocional — não de perigo, como no Rio, mas de descobertas e sentimentos que Maria ainda precisava compreender. E naquele fim de tarde, entre risadas, lembranças e a presença de Luan, Maria percebeu que mesmo longe do morro, sua vida ainda podia ser intensa, cheia de emoções novas, e que cada reencontro guardava a promessa de momentos importantes, risos sinceros… e, quem sabe, o início de novos sentimentos que ela ainda precisava descobrir. O dia já começava a se despedir do sol quando Maria finalmente se levantou do sofá da casa de Renata. Risadas, conversas e histórias recentes haviam preenchido a tarde, mas agora era hora de voltar para a casa do tio Thiago. — Vou indo, gente — disse Maria, pegando a mochila. — Foi muito bom passar a tarde com vocês. Renata, Luan e Lucas acompanharam-na até o portão da casa. O clima era leve, cheio de afeto, mas Maria sentia uma pontinha de saudade do Rio, do seu mundo lá, e principalmente de Guilherme. — Obrigada, Mari! — disse Renata, sorrindo. — Temos que fazer isso mais vezes, hein? — Com certeza! — respondeu Maria, sorrindo de volta. Enquanto se preparava para atravessar a rua, um som de passos chamou atenção. Matheus apareceu do outro lado do portão, de mãos dadas com uma garota nova, sorrindo e aparentemente feliz. Maria congelou por um instante, surpresa. — Oi! — disse a menina, simpática e confiante, aproximando-se. — Eu sou a Camila,Renata falou tanto de você! Adorei finalmente te conhecer. E… nossa, você é linda! Maria sorriu, corando levemente com o elogio. — Obrigada, Camila. É bom te conhecer também. Lucas, sem filtro, não perdeu tempo: — Ah, a atual e a ex-namorada do Matheus juntas,que bizarro! — disse, rindo e apontando para Maria. O comentário fez as duas garotas ficarem levemente sem graça. Maria respirou fundo, mantendo a postura calma e elegante: — Sim… éramos namorados na escola, mas isso já faz tempo — respondeu, com um sorriso contido. — Mas fico feliz por vocês estarem juntos agora. Camila sorriu, inclinando a cabeça de forma simpática, mostrando que não se importava com a revelação de Lucas. Matheus apenas balançou a cabeça, um pouco sem jeito, enquanto segurava a mão da nova namorada. — Então tá tudo certo — disse Maria, tentando dissipar qualquer tensão. — Bom, preciso ir agora. Despedindo-se rapidamente, ela acenou para todos e começou a caminhar de volta para o carro do tio Thiago. Pelo caminho, sentiu uma mistura de sentimentos: nostalgia pelo passado com Matheus, curiosidade sobre a nova namorada dele, e o calor das amizades que ainda eram fortes, como Renata, Luan e Lucas
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