O entardecer caía sobre o morro como um véu de fogo. Milena estava no terraço, cigarro entre os dedos, observando as luzes da comunidade acendendo uma a uma. Desde que Maria partira para Curitiba, o silêncio parecia doer mais do que o barulho dos tiros de outrora. Bruno subiu as escadas devagar, carregando o cansaço de dias sem dormir. — Você ainda não desceu pra comer nada, Mi. — disse ele, aproximando-se. — Não tô com fome. — respondeu sem tirar os olhos do horizonte. — O morro anda estranho. Tem gente nova circulando, gente que não devia estar aqui. Bruno assentiu, apoiando-se no corrimão. — Leco falou o mesmo. Disse que tem boato de que uns caras de fora tão tentando se aproximar dos antigos aliados de Fátima. Milena tragou fundo o cigarro, soltando a fumaça com raiva contida.

