O vento frio de Curitiba soprava suave quando Milena desceu do carro. O coração batia num compasso estranho pesado e acelerado. Fazia mais de um ano que ela não via a filha. Mais de um ano em que fingiu força, mas sentia o peito ruir a cada notícia distante. Agora, parada diante da casa que um dia foi de seus pais,a casa onde cresceu,agora acolhe sua filha e neto,ela respirou fundo e tocou a campainha. A porta se abriu, e lá estava Maria,por um instante, o tempo pareceu parar Mãe e filha se olharam em silêncio, um universo inteiro de mágoas, amor e distância se encaixando num único segundo. Maria foi a primeira a sorrir um sorriso tímido, nervoso, mas sincero. — Mãe… — sussurrou. Milena apenas assentiu, a garganta apertada,antes que qualquer palavra fosse dita, um som suave rompeu o

