O vento trazia o cheiro úmido da terra e o som distante dos carros. No meio daquele cenário, Maria surgiu, o guarda-chuva tremendo em suas mãos. Ela parou ao avistar Guilherme, de pé, parado sob a marquise de um café fechado. Nos braços dela, o pequeno Eros observava o mundo com seus olhos curiosos os mesmos olhos negros que agora fitavam, pela primeira vez, o homem à sua frente,o tempo pareceu parar,nenhum deles falou por um instante,o som da chuva era o único a preencher o espaço entre os três,Guilherme deu um passo à frente,Maria, instintivamente, deu um para trás,o coração dela parecia prestes a rasgar o peito,o menino, alheio à tensão, esticou os bracinhos na direção de Guilherme e, com sua voz doce e inocente, murmurou: — apapapa… O som da palavra rasgou o ar como um trovão,Mar

