ARTHUR (O GENERAL) Acordei com o corpo pesando uma tonelada. A perna latejava sob o gesso, e cada movimento era um lembrete de que o fogo não tinha levado apenas a minha casa, mas a minha paz. Vesti uma bermuda de moletom larga a única coisa que passava por cima daquela bota de gesso e dos pinos e deixei o peito nu, as bandagens das queimaduras nas costas repuxando a cada movimento. Peguei as muletas e comecei a descida. O som do metal batendo no chão ecoava pela casa como um cronômetro. Eu estava com o humor pior que o de um cão raivoso. No fundo, a imagem dela invadindo o banheiro ontem à noite, com aquele olhar de choque e o "misericórdia" entalado na garganta, não saía da minha cabeça. Cheguei na cozinha e o cheiro do café me atingiu. Alana estava lá, de costas para mim, as mãos o

