Eu estava cego. A boca de fumo parecia pequena demais para a fúria que eu estava carregando. O ar ali dentro cheirava a fumo barato e óleo de arma, mas o que eu sentia era o gosto de café e o toque daquela crente abusada. Cada vez que eu fechava os olhos, via a Alana agarrada na minha farda, me enfrentando como se não tivesse medo de morrer. E isso me dava um ódio mortal. Ódio dela e ódio de mim, por ter deixado o meu corpo trair a memória da Samantha. — E aí, Rato? — rosnei, batendo a palma da mão na mesa com força, fazendo a papelada voar. — Alguma p***a de pista do Vitor? Algum rastro daquele verme? Rato engoliu em seco, trocando olhares tensos com os outros dois soldados que estavam na contenção. O silêncio deles foi a resposta que eu não queria ouvir. — General... a gente rodou a

