ARTHUR (O GENERAL) Eu não dormi. Passei a noite inteira encarando as sombras no teto daquela sala, sentindo o latejar da minha perna e a queimação nas costas me lembrarem de cada erro que cometi. Estava puto. Puto por não ter conseguido subir aquelas escadas, puto por ter sido deixado para trás pela "santinha" e, principalmente, puto por querer tanto uma mulher que me chamava de ogro. Quando a luz do sol começou a riscar o chão da sala, ouvi o ranger da madeira lá em cima. Passos leves. Hesitantes. Eu conhecia aquele ritmo; era ela. Fechei os olhos e controlei a respiração, fingindo que o sono ainda me vencia, mas meus sentidos estavam em alerta máximo. Ouvi o roçar dos pés dela no mármore, sentindo o cheiro de sândalo se aproximar até que ela parou bem do meu lado. Fiquei estático. Sen

