O som da chave girando na fechadura pesada e enferrujada me fez dar um solavanco no chão, meus sentidos disparando como se eu estivesse diante de um pelotão de fuzilamento. Eu já esperava pelo General; esperava por aquele azul gélido no olhar, pronto para me triturar com palavras ou com o peso da sua fúria, mas quando a porta de ferro rangeu, raspando no cimento úmido, a silhueta que apareceu não foi a dele. Era uma senhora. O rosto dela era um mapa de marcas deixadas pelo tempo, sulcos profundos que contavam histórias de quem já tinha visto o sol nascer e se pôr muitas vezes naquele lugar de sombras. O olhar dela, porém, carregava uma doçura que parecia não pertencer àquele ambiente de morte e gíria pesada. Ela entrou devagar, com a dignidade de quem não teme os fuzis lá fora, segurando

