O SOM DA INSOLÊNCIA O sol m*l tinha começado a lamber as telhas do Jacaré e eu já estava de pé. A noite foi um deserto de ódio e dor; dormi pouco, acordando a cada vez que me virava na cama e sentia a fisgada na virilha me lembrando da audácia daquela morena. Vesti minha farda preta, ajustei o coldre na cintura e calcei as botas com uma força desnecessária. Eu ia pra boca, precisava sentir o cheiro de pólvora e o peso do fuzil para esquecer o cheiro de lavanda e o peso daquele chute. Desci as escadas exalando uma energia que fazia até as sombras da casa recuarem. Eu estava pronto para a guerra, com o rosto fechado e o maxilar trancado. Mas, ao me aproximar da cozinha, um som parou meus passos. Ela estava cantando. Uma melodia suave, baixa, mas carregada de uma paz que parecia um insult

