O silêncio da noite na mansão era enganoso. Por trás das paredes grossas e do isolamento do luxo, eu ainda conseguia sentir a vibração do morro, o eco distante de um radinho chiando ou o motor de uma moto subindo a ladeira, mas dentro daquele quarto, o que mais fazia barulho era o meu próprio coração. Eu ainda sentia o rastro do calor das mãos do Arthur no meu braço, a pressão do corpo dele contra o meu no corredor e aquele milésimo de segundo em que o ódio nos olhos dele se transformou em algo que me fez esquecer como se respira. Eu estava nervosa. Minhas mãos tremiam tanto que eu precisei segurá-las uma contra a outra para não deixar a xícara de chá que a Dona Zezé trouxe cair. Confrontar o General não foi apenas um ato de coragem; foi um suicídio emocional. Eu tinha desafiado o homem q

