O ESPELHO DA LUA ARTHUR (O GENERAL) O silêncio da mansão nunca era paz; era apenas a ausência de gritos. Eu não conseguia dormir. Cada vez que fechava os olhos, a imagem da igreja que eu ia colocar fogo vinha como uma chicotada. A culpa é um veneno lento, e eu estava intoxicado. Saí do quarto, o peito nu sentindo a frieza do ar condicionado, e desci as escadas. Eu precisava de espaço. Precisava de algo que não tivesse paredes. Fui para o jardim, o único lugar desta casa onde o sangue não parecia ter manchado o chão. Ali, entre as rosas que a Samantha plantou e que a Zezé mantinha vivas, eu conseguia, por alguns minutos, fingir que ainda era o Arthur. Eu estava apenas de cueca, sentindo o orvalho da noite sob os pés, a pele exposta à luz da lua. As tatuagens no meu braço pareciam ganhar

