ARTHUR (O GENERAL) O ronco da minha moto cortava o vento da madrugada, mas o barulho do motor não conseguia abafar o que aquela mulher tinha acabado de lançar no meu peito. Pecador? Sacrifício? O que aquela "santa" achava que tava fazendo? O Jacaré não é lugar de oração, é lugar de sobrevivência, e agora eu tava levando o problema direto pro meu quintal. O comboio subiu a ladeira do morro num pique frenético. Os radinhos já tavam avisando: "O General tá subindo e tá trazendo carga viva". A favela tava num silêncio tenso, aquele tipo de silêncio que precede o tiroteio ou o julgamento. Eu via os faróis dos carros no meu retrovisor e o ódio me consumia por não entender por que eu não simplesmente meti uma bala nela lá embaixo. — Abre essa p***a! — gritei pro radinho quando apontei na entra

