O cheiro químico da gasolina invadiu o santuário com uma violência que me fez perder o ar. Ouvi o barulho metálico do galão batendo contra o chão e o som do líquido viscoso sendo derramado sobre os bancos de madeira que eu tanto amava. Aquele homem estava falando sério. Ele não era apenas um criminoso; ele era um abismo de ódio que não se importava em reduzir a cinzas o lugar onde vidas eram restauradas. O puxão nos meus cabelos era tão bruto que eu sentia minha pele esticar ao limite, mas a dor física não era nada comparada ao pavor de ver a casa de Deus ser profanada daquela forma. Ele queria me quebrar. Ele queria que eu me tornasse pequena diante da sua fúria. E, pela primeira vez desde que entrei naquela igreja, a minha postura de ferro vacilou diante da iminência do sacrilégio. — N

