O ar no galpão de treinamento estava tão denso que era possível sentir o gosto da pólvora e do suor no fundo da garganta. Fazia uma semana que o silêncio sobre o paradeiro daquele desgraçado do Vitor vinha me corroendo as entranhas, e quando eu não tenho sangue inimigo para derramar, eu derramo o dos meus. Para mim, a vida é um tabuleiro onde eu sou o único jogador com o dedo no gatilho. No Jacaré, quem não pega a visão do meu comando, vira estatística em cova rasa. Eu não estava ali para ensinar tática; eu estava ali para extrair o resto de humanidade que ainda pudesse existir naquele exército. O saco de pancadas à minha frente já estava deformado. Eu não usava proteção nas mãos. Queria sentir a ardência da carne viva, o impacto do couro contra o osso, porque a única coisa que me faz se

