O SOPRO DO ABISMO ALANA O banho frio não conseguiu apagar o fogo que ardia dentro de mim. Sob a água, eu esfregava a minha pele até deixá-la vermelha, tentando arrancar o toque bruto do Arthur, mas também tentando sufocar aquela sensação estranha que o beijo dele tinha despertado. Zezé tinha ido embora. Eu estava sozinha no ninho do lobo. Vesti um vestido de algodão claro, simples, e prendi meu cabelo num coque firme. Olhei para a Bíblia sobre a cama e respirei fundo. "Um mês, Alana. Só um mês", repeti para o meu reflexo cansado. Eu precisava ocupar a mente. Decidi descer para a cozinha; preparar um jantar, talvez o cheiro de comida caseira trouxesse um pouco de paz para aquela mansão que cheirava a pecado e uísque. Assim que coloquei os pés no corredor do segundo andar, o meu estômago

