O NINHO DO ESCORPIÃO VITOR O esconderijo cheirava a mofo, podridão e ao medo suado dos meus homens. Era um galpão abandonado na periferia da Baixada, um lugar onde o sol não se atrevia a entrar e onde a misericórdia tinha sido enterrada há muito tempo. Eu estava sentado em uma poltrona de veludo rasgada, observando o reflexo da minha própria face na lâmina de uma adaga de prata. Diferente do Arthur, que usava a fúria como escudo, eu usava o cálculo. O General era fogo; eu era o veneno que corria silencioso até parar o coração da presa. — Ele tá lá fora, patrão... — sussurrou um dos meus capangas, um rato que eu mantinha vivo apenas pela sua utilidade em se infiltrar nos esgotos da cidade. — Traga-o. E tragam o "brinquedo" — ordenei, sem desviar os olhos do brilho do metal. Dois homen

