A chuva não parava. Ela caía sobre o meu peito nu como se tentasse perfurar a minha carne e lavar o lixo que eu me tornei. Eu estava estático no meio do jardim, os pés afundados na lama, as mãos pendendo ao lado do corpo, inúteis. O vazio que Alana deixou ao correr para dentro de casa era maior do que o silêncio do galpão onde Samantha morreu. — O que eu fiz?... — as palavras saíram da minha boca e morreram no vento frio. Eu era o General. O homem que não dobrava. Mas ali, sob o julgamento do céu, eu era apenas um covarde que usou a dor de uma tragédia para justificar a criação de novas vítimas. A confissão dela o sangue da mãe, a violação aos doze anos ecoava nos meus ouvidos como o disparo de um fuzil que não para de atirar. Eu a chamei de protegida. Eu, o dono da verdade, não passav

