Eu estava no chão. Não era apenas o meu corpo que estava caído sobre o tapete frio do quarto, era a minha alma que parecia ter se transformado em cacos, assim como a caneca de café na cozinha. A porta estava trancada, mas eu ainda conseguia ouvir, ao longe, o som de coisas quebrando no escritório do Arthur. Cada estrondo, cada urro de fúria dele, parecia um golpe direto no meu peito. Meus dedos se enterraram nas fibras do tapete enquanto eu soluçava. O vestido azul, que antes era o símbolo da minha dignidade retomada, agora estava manchado de lama e pesado pela água da chuva. — Deus... — minha voz saiu como um susurro rasgado, misturado ao som do temporal que lá fora começava a diminuir. — Por que eu não consigo fazer ele enxergar? Por que o coração dele é uma pedra que nem o Teu amor pa

