—Sebastian.. Achei que tínhamos algumas coisas a tratar, a sós – ela falou e eu tossi levemente, fazendo os olhos de Sebastian encontrar os meus.. Eu queria ver o bonitão se sair daquela, se era verdade o que se diziam por toda a empresa.. Ela e Sebastian tinha alguma coisa. Um verdadeiro desperdício gastar tempo com alguém tão fútil como ela.. Não que eu tivesse com um pouco de inveja.. Nem de longe.
—Se for alguma coisa.. Sobre os contratos da.. – ele se enrolou nas palavras e eu tive vontade de rir, como era bom ver o d***o de terno se enrolando.. Por não saber se livrar de uma possível perseguidora. —Nina – parei de rir rapidamente quando ele falou o meu nome, com aquele sotaque dele ao falo “Nhiinã” ele prolongava o “i” e colocava um “h” era assim que eu imaginava que ficava, quando ele pronunciava o meu nome.
—Eu.. Nós temos um compromisso com.. Com aquela empresa de preservativos em vinte minutos —falei, eu quis me chutar no momento em que as palavras saíram da minha boca. Eu não tinha nada para falar.. Sabia que ele queria que eu salvasse, mas não esperava que ele passasse a palavra para mim tão rápido, queria me divertir mais com a atrapalhada dele. Patrícia se virou para mim, estava praticamente me fuzilando com os olhos, eu dei de ombros. O que eu podia fazer.. Eu estava com a mente poluída quando ele jogou a bomba para mim.
—Isso.. Isso mesmo! – Sebastian falou segurando o riso, senti o meu rosto esquentar completamente com o olhar que ele me lançou. —qualquer coisa, você marca uma reunião.. Com todos do jurídico —falou firme —agora por favor.. Volte ao trabalho Patrícia —ela arregalou os olhos levemente e vi a cor sumir do seu rosto.. O modo d***o de terno ativado com sucesso! Patrícia se virou em seus calcanhares e saiu dali pisando duro.
—Eu mereço um aumento – falei enquanto via patrícia sumir até o elevador, ouvi um riso baixo e me virei para Sebastian.. Ele estava me olhando com uma certa incredulidade, só que quem deveria estar daquele jeito era eu, não o contrário. – Aqui está – lhe entreguei o café e ele levantou a sobrancelha.
—Eu não tomo café frio – ele falou e caminhou até a minha mesa, passando por mim, colocou o copo ali em cima. Me fazendo olhá-lo com ódio.. Ele só podia estar de brincadeira com a minha cara. Senti o meu rosto esquentar de raiva.. d***o de terno. —demorou tanto carinõ.. Que isso aqui está como um gelo – ele falou.
—Ora seu.. – comecei no momento em que ele se virou pra mim, me fazendo engolir os insultos que estavam prestes a sair. Os olhos de Sebastian me avaliaram com cuidado.. Que cretino, miserável. Como eu queria pular no pescoço dele e beijá-lo.. O que? não eu queria esganar ele, era tudo o que eu desejava fazer. —Seu café estava quente a poucos segundos —falei entre dentes e Sebastian apertou os olhos em direção a mim.
—Esqueça isso.. Venha, temos muito o que fazer —alou depois de me torturar olhando-me como se fosse me mandar pegar outro. —Temos um reunião de verdade.. – ele começou a andar, eu capturei o tablet rapidamente antes de segui-lo. —Não com uma empresa de preservativos —falou me fazendo esquentar o rosto de vergonha, ao me lembrar do jeito que falei a momentos atrás.
Passei toda a agende de Sebastian com ele, tudo o que iríamos fazer no dia.. Eram muitas coisas fora. O que me impressionava em Sebastian, era que com muitas pessoas que podiam trabalhar por ele.. Ele estava aqui, nunca deixava de lado o que mais gostava de fazer.. Discutir os projetos diretamente com os clientes. Ele podia apenas ficar mandando.. Afinal ele era o dono ali, ele tinha autoridade total para aquilo.. Mas ele não dispensava os seus deveres, as vezes eu queria matá-lo, por me carregar de um lado a outro, mas quando eu lembrava do meu salário.. Toda a minha raiva passava rapidamente.
Quando nós pegamos o elevador.. Em um horário que descia muita gente para a refeitório da empresa, acreditem ou não. Tinha cinco pessoas dentro do elevador, entre elas Ana a secretária de Rodrigo, amigo de Sebastian e que tinha uma porcentagem nos negócios. Enfim todas as pessoas saíram do elevador com se estivessem vendo o próprio d***o, eu já nem me mortificava mais com umas coisas daquela. Eu olhei a para Ana antes das portas se fecharam e ela me deu um sorriso tímido. Eu gostava do jeito de Ana, ela é uma boa pessoa.. Só se escondia muito naquelas roupas muito fechadas que usava.
—Provavelmente vamos almoçar na rua – ele falou e eu voltei a minha atenção para as costas de Sebastian. Ele tinha razão, iríamos ter que almoçar na rua.. Se vivêssemos até a Castillo para almoçar, iríamos atrasar os compromissos marcados para a tarde. —É melhor você ver uma reserva em um bom restaurante — falou enquanto ajeitava a sua gravata, Sebastian odiava usar gravata. Ele usava o terno quase completo.. Exceto pela bendita gravata, só quando tinha compromissos assim que ela as usava.
—Eu já fiz isso – falei e ele anuiu sem olhar para trás. Assim que as portas do elevador se abriu.. Eu precisava ressaltar que eu adorava pegar o elevador junto com ele, só de pensar em elevador cheio eu tinha arrepios.. Culpa de um maldito filme de terror. Sebastian saiu em disparada sem olhar para ninguém que estava na recepção, ele saiu em direção a saída e eu balancei a minha cabaça para Juliana uma das recepcionistas.
—Será que dá pra você andar mais rápido carinõ – ele pediu.. Ou ordenou. Quase me fazendo tropeçar em meus próprios pés. Eu revirei os meus olhos, sem que ele visse.. É claro.
—Senhor Castillo.. Senhorita Simões – Carlos o segurança da portaria cumprimentou ao segurar a porta para passarmos.. Digamos que ele era um dos únicos que tinha coragem de se dirigir diretamente a Sebastian. Sebastian balançou a cabeça ao passar por ele.
—Como vai Carlos? – perguntei gentilmente e ele me respondeu um “muito bem” logo depois desejou um “bom dia” ele nem imaginava como eu iria precisar ter um bom dia.
Acompanhei Sebastian.. Bem eu fiz o possível para acompanhá-lo, não era fácil o homem tinha 1,89 de altura.. E gostosura. Deus como eu precisava esquecer que eu já o vi sem camisa.. Aqueles músculos e gomos a mostra, aquilo mexe com a cabaça de uma pobre mulher na seca. Me bati nas suas costas no momento em que ele parou em frente ao seu carro.. Um belo esportivo, nada menos do que uma BMW M8, o que eu podia fazer.. Aquele carro era uma perdição e eu não podia deixar de puxar a ficha dele.
—Entre carinõ – abriu a porta e me ajudou a entrar —não espere o Carlos abrir a porta para você aqui também —falou me fazendo arregalar os olhos. Os meus olhos amendoados e chocados nos olhos negros e.. Furiosos dele. O que m***a eu tinha feito? —O seu dia vai ser ótimo – ele falou com a voz um pouco amarga e eu apertei os meus olhos.. Completamente louco e bipolar, será que eu podia interditar o meu chefe? Pensando bem não era uma boa ideia.. Eu tinha contas a pagar. Sebastian entrou no carro e deu partida cantando os pneus.