Bruna Santiago ✨
Quando o Phelipe saiu, fui tomar um banho lavando meu cabelo. Terminei de arrumar uma mochila com minhas coisas e fiz uma make para o dia bem simples. Coloquei uma calça jeans, tênis branco e cropped rosa. Terminando de me arrumar o Ph me avisa que já posso ir descendo.
Pego meu óculos de sol, bolsa e a chave da casa e saio para o elevador. Tô um pouco nervosa e ansiosa, tenho medo de estar levando essa relação para um lado que eu não quero, indo para minha cidade com o Ph e ainda o seu filho, isso pode confundir a cabeça das pessoas que estamos envolvendo nessa história, e depois não ser legal.
Quando saio do prédio fico procurando o Ph, ele trocou o carro esportivo por uma caminhonete e vejo ele quando buzina pra mim. Esqueço do que estava pensando quando entro no carro e começo a conversar com o Matheus, ele é uma miniatura do Ph, tão lindinho e educado que da vontade de apertar. Depois de um tempo ele acabou cochilando no banco de trás e nós seguimos conversando.
O Phelipe me apresentou ao Matheus como uma amiga, e por isso não beijei o Ph quando entrei. Acho que ele não quer confundir a cabecinha do filho com as mulheres que ele apenas fica, porque não faz sentido. Eu no lugar dele faria o mesmo, ainda mais que tem pouco tempo que ele terminou com a mãe do Matheus. Eu acho bem fofo da sua parte na verdade.
A gente fica conversando e ouvindo música todo o caminho, sorrio do Ph quando ele fala que dormiu e acordou pensando na nossa madrugada juntos. Foi realmente incrível, ainda estou chocada por ter conseguido ter um orgasmo com penetração, coisa que nunca tinha me acontecido antes, e ainda mais duas vezes seguidas. Mas é lógico que não vou contar isso pra ele, se não vai ficar se achando.
Quando estamos perto de chegar o Matheus acorda querendo saber se chegou e eu sorrio. Ele já perguntou isso umas três vezes, tadinho. Abro um pacote de fini que tinha na bolsa e dou pra ele que agradece me chamando de "tia" e começa a comer. Me sinto culpada por estar perto da hora do almoço, mas o Ph fala que ele não tem problema com isso, pois ele come bem sempre.
Quando chegamos em campinas, fomos direto pra casa dos meus avós, eles receberam muito bem os meninos. Já tinha avisado que um amigo me levaria com seu filho, mas tenho certeza que na cabeça da minha avó, ele é meu namorado. Eles acham que não existe homem amigo de mulher, enfim.
- Vocês já querem almoçar? Está pronto! - Minha avó fala e eu confirmo, não tive tempo de comer de manhã, apenas tomei um café que o Ph levou pra gente. Descobri que ele ama café tanto quanto eu, e tomamos do mesmo jeito puro e sem açúcar.
Mesmo o Matheus tendo comido o fini, não recusou a comida da minha avó, que é maravilhosa. E ela ainda fez uma batata frita porque imaginou que ele iria gostar. Nos sentamos pra almoçar bem tranquilos, é estranho porque nunca trouxe ninguém além dos meus amigos de verdade aqui pra casa, mas está algo tão natural que tirou todo meu nervosismo e ansiedade pra isso.
Meu avô adorou o Ph e eles estão conversando bastante sobre a empresa que o Phelipe administra, por ser conhecida o meu avô já tinha ouvido falar e eles passam o almoço falando sobre. Enquanto minha avó mima o Matheus e enche a criança de sobremesa depois do almoço.
Ajudo a minha avó a lavar a louça e arrumar a cozinha, depois fazemos um café e ficamos no quintal conversando. Mando uma mensagem para o meu primo Fernando avisando que estou na cidade e ele logo chega com a esposa Nayane e a Micaela filha deles , que é da idade do Matheus, eles começam a brincar juntos e viram melhores amigos em dois minutos. O meu primo se junta na conversa com o Ph e meu avô enquanto mato a saudade da minha avó e da Nayane. Mando uma mensagem para a minha amiga Lorena também, e combino de sair para comer com ela a noite.
No fim da tarde o Ph começa a chamar o Matheus pra ir embora mas ele chora pedindo para brincar mais. O Phelipe explica que na família dele não tem muitas crianças, então o Matheus aproveita quando conhece algum amiguinho.
- Por que vocês não dormem aqui também meu filho? Amanhã a Bruna volta com vocês! - Minha avó pergunta ao Phelipe que me olha na hora. Sorrio encorajando ele. Mesmo sem achar uma boa ideia, porque ainda preciso resolver o assunto com meu tio mais tarde, e não quero que ele perca o fim de semana dele aqui comigo.
Ele fica tentando recusar mas quando ficamos a sós me pergunta o que acho realmente.
- Seria bom se vocês ficassem, mas não precisa se não quiser, só pra agradar minha avó. É sério! Você já fez demais em ter vindo me trazer. - Explico e ele sorri.
- Você pretende ir amanhã que horas? - Ele me pergunta.
- Depois do almoço. - Respondo e ele brinca com minha mão, estamos sentados no sofá bem relaxados. Sua presença enche o lugar e a mínima proximidade dele já me faz lembrar da nossa noite juntos.
- Vou ficar então. - Ele decide descendo sua mão para minha coxa.
- Sabe que não vão deixar a gente dormir juntos né? - Falo sorrindo da sua cara de safado.
- Não quero dormir com você. - Ele enfatiza a palavra e eu sorrio mais. Tarado!
O resto do dia passa bem rápido, quando meu primo vai embora com a família, o Ph da banho no Matheus e arruma ele pra gente ir comer com a Lorena, e depois que nós dois tomamos banho também, saímos. Esqueci de avisar para a Lorena que estava com o Ph, na verdade achei que ele iria embora e ela não ficaria nem sabendo que ele esteve aqui. Então quando ela me viu com ele e com seu filho ela fez uma cara muito estranha, fiquei morrendo de vergonha. Mas depois que sentamos e começamos a conversar foi muito tranquilo, a Lorena é mais palhaça e zoeira do que qualquer homem que conheço, e deu muito certo com o Ph que também não é gente. Nós comemos sushi que somos apaixonadas, e descobri que o Matheus e o Ph também amam.
- A Tauane ainda não te ligou? - Lorena me pergunta enquanto o Ph tá distraído com o Matheus.
- Ainda não, eu achei que ela me chamaria ao menos para uma entrevista. - Falo triste lembrando dos fracassos dessa semana. Tauane é uma amiga da Lorena, que trabalha no Rh de um ótimo hospital de São Paulo. Ela me indicou antes mesmo de eu terminar a faculdade, e a Tauane tinha dado certeza, porém sumiu do mapa. Está tão difícil achar uma vaga nessa minha área, e não posso ficar esperando. Vou precisar voltar a fazer bico no Henrique.
- Me manda seu currículo de novo, vou mandar pra ela relembrar, talvez tenha só esquecido. - Explica.
Quando terminamos de comer, o Ph paga a conta sem nos deixar rachar, e vamos embora. Reclamo com ele no caminho sobre, mas ele me deixa bem claro que não vai mudar isso. Me irrito mas deixo pra lá quando chego em casa e vejo o amigo do meu tio em um carro parado na porta de casa.
- Droga. - Resmungo e o Ph escuta. Olhando pra trás vejo que o Matheus já dormiu sentado encostando a cabecinha na porta, tadinho deve estar cansado do tanto que brincou com a Micaela.
- Posso te pedir uma coisa? - Pergunto ao Ph quando ele está tirando o Matheus do carro. Ele balança a cabeça que sim.
- Preciso resolver um assunto de família com meu tio, você pode me esperar no meu quarto? - Peço.
- Tudo bem. - Fala me olhando preocupado.
Quando abro o portão já escuto os gritos do meu tio, que ódio. Entro pela porta da sala e ele finge que não somos ninguém, continua falando merda para o meu avô.
- Vou estar no quarto, caso precise. - O Ph fala em um tom ameaçador, com o Matheus meio acordado em seu colo e passa direto para o meu antigo quarto, onde tinha mostrado pra ele mais cedo. Deixo a sacola com o lanche que trouxe para meus avós na bancada e vou indignada em cima do meu tio.
- Você pode parar com isso? - Falo alto entrando na frente do meu avô. O meu tio Júnior me olha com raiva e volta a gritar e agora a falar merda pra mim, completamente alterado com alguma droga.
- Se você não calar a boca agora não vai ver merda de dinheiro nenhum tá me ouvindo? - Falo p**a da vida. Ele fica calado e senta no sofá me olhando. Troglodita mesmo! - Eu vou te dar metade do valor da sua dívida, e você vai sumir da vida dos meus avós! Parar de encher o saco deles por dinheiro, tá me entendendo? Não quero mais você perturbando eles por conta de dinheiro pra droga. E só vou pagar o restante da dívida se você arrumar um trabalho e largar esses vícios, você não vai mais ser um peso pra nossa família , é isso ou os outros também te matarem pela dívida, entendeu? - Falo p**a apontando o dedo na cara dele. Meu avô não fala nada, e escuto o choro baixinho da minha avó na cozinha.
Ele balança a cabeça confirmando que me entendeu e eu pego minha bolsa, entrego um envelope com dinheiro pra ele, que pega sem falar nada, levanta e sai batendo a porta de casa. Meu coração se desmancha quando vejo meu avô chorando também.
- Me desculpa minha filha. Não queria esse barraco todo na frente do seu namorado. - Minha avó fala e eu digo que está tudo bem. Vou na cozinha e pego um copo de água pra cada. O que menos tô me importando é com o Ph, que nem meu namorado é. Logo vou sair da vida dele e ele não vai lembrar que me conheceu ou que isso aqui aconteceu. O importante aqui foi resolver essa história e agora cuidar dos meus avós. Na época que meu pai fez todas as suas merdas, eu era uma adolescente e não tinha muito o que fazer. Hoje eu me sinto responsável por essa família, e espero conseguir acabar com esse inferno que meu tio está causando.
Após algum tempo acalmando meus avós, vou até o quarto ver como o Ph está. Ele me olha preocupado e levanta vindo até mim na porta do quarto.
-Tudo bem? - Pergunta me olhando.
- Sim. Me desculpa por isso. - Falo jogando a mão no ar. Ele balança a cabeça me dizendo que não tem o que desculpar. Vou pra minha cama e vejo o Matheus dormindo tranquilo a meia luz do abajur.
- Quer conversar? - Ele pergunta me olhando de longe.
- Vamos lá pra fora, a gente vai acordar ele aqui. - Explico e saio do quarto com o Ph me seguindo. Vamos para a parte de trás da casa, onde tem um sofá na varanda. Ele senta e me puxa para o seu peito. Fico por um momento só admirando o céu, e a lua que sou completamente apaixonada.
- Quando eu era criança, falava que se meus pais não parassem de brigar, eu iria morar na lua. - Falo com um sorriso nostálgico. O Ph fica passando a mão pelo meu braço e eu encosto minha cabeça em seu peito. - A minha lua se tornou São Paulo. Eles nunca pararam de brigar, então eu fui embora, e não protegi meus avós deles. Hoje me sinto culpada, e faço de tudo para que o meu tio não infernize a vida deles também, como meus pais fizeram por anos. - Falo triste. Essa é a parte mais dolorida da minha vida, não divido com qualquer pessoa, mas de qualquer jeito o Ph já ouviu toda a discussão, que é só a ponta do iceberg.
Ele fica um pouco calado, acho que sem saber o que falar, ou talvez querendo perguntar dos meus pais..
- Agora entendo porque estava trabalhando tanto. - Ele fala baixinho e beija minha cabeça.
- Se eu conseguisse algo na minha área, não precisaria trabalhar tanto, mas está tão difícil. - Explico.
- Talvez eu possa te ajudar.. - Ele começa a falar e eu me afasto negando.
- Não estou te contando meus problemas e esperando por uma solução sua Ph.. - Falo e ele me interrompe.
- Eu sei! O pouco que te conheço já sei que você não aceitaria eu pagar o restante da dívida. Mas posso te ajudar a conseguir o trabalho, tem uma colega minha que é sócia em uma clínica, lá tem várias especialidades, e com certeza pode estar precisando de mais uma psicóloga. - Ele fala e eu me animo olhando pra ele.
- Vou te mandar meu currículo. - Falo esperançosa.
- Pelo i********:? - Ele pergunta me olhando torto e eu gargalho.
- Talvez eu te passe meu número. - Falo e ele sorri bagunçando meu cabelo.
Me aproximo e beijo sua boca, ficar o dia inteiro perto dele sem poder beijar, me deu uma vontade, só porque não podia mesmo. Intensifico o beijo e ele aperta suas mãos em mim, quando o clima tá aquecendo meu celular começa a vibrar no bolso e ele resmunga quando paro o beijo. De todo jeito não é bom a gente se pegar aqui, meus avós não entendem o que é "ficar" e vão me encher o saco por ter apresentado ele como amigo.
Pego meu celular e vejo várias mensagens da lorena, junto com prints.
Abro um que ela me mandou e já quero chorar, alguém tirou uma foto nossa no restaurante e mandou para o i********: de fofoca, e eles lógico publicaram com um texto bem tendencioso.
Mostro o celular para o Ph e ele sorri. - Tá achando engraçado? - Pergunto incrédula.
- Você sabe que eu não ligo pra essas coisas. Só me preocupo com você, que tenho certeza que já vai tentar se afastar de mim de novo por conta dessa besteira. - Ele encosta a cabeça no sofá e me encara me desafiando.
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