Capítulo — Fogo " O fogo da alma também se apaga quando o coração se torna duro feito pedra." Açucena E agora? A pergunta martela enquanto caminho pela sala, os pés gelados tocando o chão de pedra, e um frio dos diabos se infiltrando por baixo da roupa fina. Minha barriga ronca alto, sem pudor, denunciando o tempo que faz que não como nada decente. Se eu não morrer de fome, morro de susto ou de frio — e disso aqui tem de sobra, murmuro só para me ouvir, como se minha própria voz pudesse me fazer companhia. A lareira me chama como um farol. As brasas ainda estão vivas, respirando em vermelho e laranja, mas a lenha já virou cinza. O calor é pouco, insuficiente, uma promessa quebrada. Agacho-me diante dela e estendo as mãos, tentando roubar o que resta de calor. Não basta. Preciso alimen

