Capítulo — Lírio. " Quando se dá nome para coisas e pessoas, estamos dando a elas um espaço especial em nossas vidas." Kilian Eu a observei despertar como quem assiste a algo proibido. Tinha uma delicadeza quase c***l no modo como Açucena retornava ao mundo. Primeiro o olfato — percebo pelo leve franzir do nariz — depois o corpo, pesado de sono, e por fim os olhos, grandes, escuros, ainda turvos. Quando eles se abriram de vez e me encontram, algo em mim cedeu. Não foi um rompimento ruidoso, foi pior: foi um estalo interno, seco, silencioso, como uma fissura que começa pequena demais para ser ignorada. Ela ficou sem graça, foi perceptível. Vi antes mesmo de ouvir. O gesto rápido da mão no rosto, o rubor que sobiu sem pedir licença, a tentativa inútil de parecer composta quando clara

