Capítulo — Pesos do passado. " Carregamos pedras invisíveis sobre os ombros, e mesmo que o céu sob nossas cabeças seja azul, o quw pertence ao nosso mundo é cinza." Kilian A porta se fecha e o clique é breve, quase discreto, mas dentro de mim ele ressoa como um trovão. Permaneço de costas para a folha de madeira por alguns segundos, a mão ainda sobre o botão do sobretudo, como se eu pudesse desfazer tudo voltando um centímetro, como se fosse possível recolher as palavras ditas e os gestos feitos. Não é. O que está feito continua feito — dentro dela e dentro de mim. Eu gostei. Não há porque mentir para mim mesmo. Gostei do que aconteceu, gostei do toque, gostei do calor, gostei do abandono momentâneo de tudo o que eu sou, de todos os limites que construí com tanto afinco. Gostei da m

