Capítulo – meus movimentos. " Quem move o ar frio dentro do peito, carrega no rosto uma máscara de gelo." Lena O Palácio Schwarz não é apenas uma construção de pedra, ferro e história; é uma entidade que se alimenta de ausências. Cada corredor ressoa um silêncio que não me pertence, mas que insiste em me acompanhar como uma sombra indesejada. Caminho devagar, os saltos batendo contra o mármore Carrara com uma precisão que me irrita. Sinto que faço barulho demais, que minha mera existência interrompe o repouso solene dos retratos dos meus antepassados. Certas alas são o próprio cemitério, mas sem túmulo e restos mortais, apenas lembranças. Há dias em que este lugar parece respirar comigo, uma simbiose de poeira e prestígio. Hoje, ele apenas observa. A solidão tem um cheiro específi

