Capítulo — Por que eu? " Por que eu, quando no mundo há milhares de pessoas? Por que eu quando muitas vidas se desenrolam com mais facilidade? " Açucena A porta se fecha atrás dela com um som seco, definitivo, e o quarto parece encolher. A mulher loira caminha até a cama com passos firmes, controlados, como se cada movimento tivesse sido ensaiado muitas vezes. Quando ela se senta na borda do colchão, próxima demais, meu coração dispara de um jeito quase doloroso, batendo contra as costelas como um animal preso. O ar fica pesado nos meus pulmões. Não sei o que vem agora. Um castigo? Uma repreensão? Ou algo pior, algo que ainda não consigo nomear sem sentir um frio atravessando minha espinha. Será que ela pensa em me vender? A ideia surge como um sussurro venenoso, mas cresce rápido,

